segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vigília Pascal - Santuário Nacional - 07.04.12


Nesta noite da vigília pascal, mãe de todas as vigílias, celebramos a festa mais importante para nós cristãos: a ressurreição de Jesus. Cristo ressuscitou! Aleluia, aleluia! Esse é o grande anúncio do jovem àquelas três mulheres, as mesmas que presenciaram de longe a crucifixão de Jesus, e foram ao túmulo bem cedo, onde Jesus tinha sido colocado, para ungir o seu corpo. “Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré que foi crucificado? Perguntou o jovem àquelas mulheres. Ele ressuscitou. Não está aqui.”

Na sexta-feira Santa parecia que tudo iria acabar mal, mas a vida de Jesus não terminou no calvário, nem no sepulcro. A páscoa, a ressurreição, que hoje celebramos é o final definitivo: Jesus venceu o pecado e a morte.

Em meio a tantas notícias negativas no mundo de hoje, a Páscoa de Cristo se manifesta na vida das pessoas que promovem a justiça, a paz e entregam sua vida a serviço do bem das pessoas, sobretudo, dos mais pobres, dos enfermos; a Páscoa de Cristo se manifesta, também, na vida dos jovens que apostam num mundo melhor do que o de hoje. Há muita gente que acredita na vida, porque acredita no Cristo vivo, ressuscitado.

Essas mulheres foram as primeiras a receberem o anúncio e as primeiras a levar essa grande notícia da ressurreição aos discípulos e a Pedro.

“O Nazareno, o homem com quem convivestes e vistes ser crucificado de modo injusto e incompreensível, ressuscitou.” Ressuscitado, Jesus Cristo se dirige ao lugar do começo do seu ministério, a Galiléia; aí vai reunir os discípulos dispersos e deixar-se ver por eles. E os discípulos, a partir de agora, deverão dar testemunho desse acontecimento sobrenatural.

Desde aquele momento, essa notícia desconcertante, destinada a mudar a sorte da história, continua repercutir de geração em geração: um anúncio antigo e sempre novo. Mais uma vez, ressoou durante esta Vigília Pascal e vai se difundindo nestas horas por toda a Terra” (João Paulo II).

Pelo batismo, como escutamos na carta de São Paulo aos romanos, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. “Se Cristo não ressuscitou, escreve São Paulo aos Coríntios, ilusória seria a vossa fé e ainda viveis em vossos pecados e os que morreram como cristãos pereceram para sempre” (1 Cor 15,17). No coração de cada um de nós pulsa um desejo do infinito, de felicidade, e nenhuma realidade limitada pode satisfazer esse desejo. A busca da felicidade, dessa sede de infinito por caminhos equivocados ou em falsas respostas, pode levar a violência, a paixão de possuir, de dominar e de buscar somente o prazer. A frustração experimentada por não encontrar aí a verdadeira realização, pode levar a mais violência e até mesmo ao desespero.

Só o Cristo ressuscitado pode saciar nossa sede de felicidade e responder as indagações mais profundas do ser humano. Se participamos da vitória da ressurreição de Cristo, não podemos continuar tendo medo nem aceitar que a morte é senhora definitiva do homem.

Por Cristo e em Cristo, esclarece-se o enigma da dor e da morte, o qual fora do seu Evangelho, nos esmaga. Cristo ressuscitou, destruiu a morte com a própria morte e deu-nos a vida, para que, tornados filhos no Filho, exclamemos no Espírito: Abba, Pai.” (GS 22)

Que o Cristo ressuscitado ilumine nossos caminhos e o de toda a humanidade. Boas Festas de Páscoa aos missionários redentoristas que se dedicam ao trabalho evangelizador na nossa Arquidiocese, aqui no Santuário da Mãe Aparecida, aos padres diocesanos, aos consagrados, aos fiéis da Arquidiocese, às autoridades dos cinco municípios que integram a Arquidiocese de Aparecida, aos queridos romeiros e aos participantes da Campanha dos Devotos de N. Sra. Aparecida e a todos que nos acompanham pela TV e pelo rádio. Feliz e Santa Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs, alegremo-nos, pois no Senhor: Ele ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia!

sábado, 7 de abril de 2012

Sexta-feira Santa - Santuario Nacional 06.04.12














Hoje, Sexta-Feira Santa, celebramos a Paixão e Morte de Jesus na cruz.

Hoje e amanhã não se celebra a eucaristia. São dias de silêncio, meditação, agradecimento, contemplação de Jesus morto na cruz, enquanto aguardamos a celebração da eucaristia na noite da Páscoa, mas podemos nesta celebração comungar do Corpo do Senhor entregue por nós.

O centro da celebração de hoje é a cruz de Cristo e a cor litúrgica é o vermelho, cor do sangue de Jesus, derramado, livremente, e por amor, por toda a humanidade.

As leituras que escutamos há pouco e a adoração da cruz que faremos, em seguida, nos convidam a contemplar, silenciosamente, emocionados e agradecidos, Jesus pregado na cruz para nos libertar do pecado e nos reconciliar com Deus. Numa sociedade tão barulhenta em que vivemos, a Igreja nos convida, particularmente, neste dia, a valorizar o silêncio, o recolhimento e a contemplação.

Deus tanto amou o mundo, que entregou seu Filho único não para julgar o mundo, mas para que o mundo se salve por meio dele” (Jo 3, 16-17).

O profeta Isaías anuncia um Servo que vai se entregar pelos pecados do mundo, sendo ele o santo, o justo, o inocente. “Foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas o preço de nossa cura” (Is 52,5).

O autor da Carta aos Hebreus nos diz que este Servo anunciado por Isaías é Jesus Cristo e nos descreve também a dor e o fracasso da morte do Servo com palavras que os evangelistas não haviam utilizado. “Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido por causa de sua entrega a Deus” (Hb 5,7).

A narração da Paixão que neste dia é sempre a do evangelho de João nos mostra que Jesus sofreu não só por nós, mas conosco e muito mais do que nós. Salvou-nos não permanecendo nas alturas, mas assumindo toda a nossa dor. “E por nós homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus. Por nós foi crucificado, padeceu e foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia.” A paixão é apresentada por João como a hora de Jesus, o momento para o qual se dirige toda sua existência. A presença de Maria e do discípulo amado, na narração de João, completa a identidade da comunidade cristã, que nasce da cruz e se alimenta dos sacramentos do batismo e da Eucaristia, simbolizados no sangue e na água, jorrados do lado de Jesus e em Maria como mãe.

Na cruz de Cristo está presente toda a dor da humanidade, a nossa dor. Por isso, no rosto desfigurado de Jesus contemplamos ao mesmo tempo o rosto de tanta gente vítima da violência que se manifesta de tantas formas na nossa sociedade; os que sofrem pela injustiça no nosso mundo; as crianças e adolescentes vítimas do trabalho escravo ou do abuso sexual; os mendigos, o povo de rua, todas as vítimas da crueldade humana; os encarcerados submetidos a condições desumanas de vida; os enfermos sem o acesso aos serviços de saúde.

A morte de Jesus não foi fruto do azar. Pertence ao mistério de Deus, como o explica São Pedro aos judeus de Jerusalém, no dia de Pentecostes: “Jesus de Nazaré, entregue segundo o plano previsto por Deus, vós o crucificastes pela mão de gente sem lei, e o matastes” (At 2,23).

Ao entregar seu Filho por nossos pecados, Deus manifesta que seu desígnio sobre nós é um desígnio de amor benevolente que precede todo mérito de nossa parte: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas ele nos amou e enviou seu Filho para expiar nossos pecados” (I Jo 4,10). A prova de que Deus nos ama é que sendo ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5,8).

Ao contemplar Jesus cravado na cruz, devemos contemplar não só o seu sofrimento, mas a sua prolongação na humanidade e na nossa própria vida, mas sempre dentro da perspectiva pascal, do duplo movimento de morte e vida. A cruz foi a condição pela qual Jesus nos mostrou o seu amor e é caminho para nos unir a Ele e chegar a plenitude da vida.

A Sexta-Feira Santa aponta para a Vigília da noite de Sábado e para o Domingo da Ressurreição. A última palavra, tanto na vida de Jesus como na nossa vida, não é a dor nem a morte, mas a vida, a felicidade plena em Deus.

Diante da cruz de Jesus, agradeçamos-lhe o seu amor. Peçamos-lhe perdão de nossos pecados. Digamos que cremos Nele, que O amamos muito, que queremos segui-Lo até o fim de nossa vida, mesmo quando tivermos de carregar a cruz, que não é opcional; ela é inevitável, e que queremos fazer de nossa vida, à semelhança de Jesus, uma doação, um serviço aos outros.

O sofrimento sem amor e sem a participação na paixão de Cristo nos esmaga, não tem sentido, e pode nos levar ao desespero. Unido a Cristo e vivido por amor, e com certeza da ressurreição, o nosso sofrimento, a nossa dor, tornam-se mais leves e fonte de bênçãos para nós e para a humanidade.

Como cristãos temos o dever de lutar contra o mal através de muitas tribulações, e sofrer a morte; mas associados ao mistério pascal e configurados à morte de Cristo, vamos ao encontro da ressurreição, fortalecidos pela esperança” (GS 22).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Missa do Lava-pés - Santuário Nacional - 05.04.12


Iniciamos, nesta noite, com esta missa vespertina da Ceia do Senhor os três dias centrais de nossa fé: o Tríduo pascal. Só podemos entender de verdade, os mistérios que vamos celebrar na liturgia, se cremos e experimentamos que a celebração da paixão, morte e da ressurreição de Jesus Cristo são a expressão máxima do amor do Pai por nós. Somos convidados a acompanhar, com fé e com amor, a Jesus nos momentos derradeiros de sua vida terrena e “revestir-nos dos mesmos sentimentos de Cristo” ao reviver os mistérios centrais de nossa fé.

O centro da celebração da Quinta-Feira Santa é a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial e o novo mandamento do amor que Jesus deu aos seus discípulos. É o testemunho, a última vontade que Jesus deixa para os seus quando, Ele já não mais estiver entre eles fisicamente.

São João, o autor do quarto evangelho, não narra a instituição da Eucaristia, provavelmente, porque os outros três evangelhos e São Paulo já o haviam feito e, além do mais, quando João escreveu o seu evangelho no final do primeiro século, a celebração da eucaristia já era corrente nas comunidades cristãs.

Sabemos pelos evangelhos sinóticos e pela primeira carta de Paulo aos coríntios que escutamos há pouco que, na noite, antes de sua Paixão, Jesus instituiu a Eucaristia. “O Senhor Jesus tomou o pão e depois de dar graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Depois da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”.

Jesus instituiu a Eucaristia, que é o sacramento, o memorial perpétuo das maravilhas de Deus realizadas por seu Filho Jesus. Jesus dá um sentido totalmente novo a páscoa judaica que ele celebrou com os seus discípulos, na noite, antes de ser entregue. A Páscoa judaica, como escutamos na primeira leitura do livro do Exodo, é o memorial, isto é, a atualização da libertação do povo de Israel da escravidão do Egito e sua caminhada para a terra prometida.

Na ceia, Jesus antecipa nos sinais do pão e do vinho o seu sacrifício e a entrega que ele fará no dia seguinte. O pão e o vinho são um sinal real e eficaz de Jesus que se entrega à morte para a salvação de todos num ato extremo de amor e de solidariedade para com a humanidade. É a nova e eterna aliança de Deus com a humanidade, selada no seu sangue. Os apóstolos só compreenderam o significado profundo daquela ceia depois que receberam o Espírito Santo, fruto da ressurreição de Jesus.

Por duas vezes, Paulo cita as palavras de Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. Jesus ordena, portanto, aos seus discípulos, constituindo-os sacerdotes do Novo Testamento e àqueles que na Igreja participariam ministerialmente do seu sacerdócio pela ordenação, que repetissem essas suas palavras, esse seu gesto de geração em geração, até a sua volta, para que ele continuasse presente no seu corpo e no seu sangue por meio dos sacerdotes ordenados.

Agradeçamos a Jesus a instituição da Eucaristia, memorial, atualização do sacrifício da cruz, presença salvífica de Jesus em nosso meio, alimento espiritual e garantia de vida eterna, sinal do seu grande amor por nós. Rezemos pelos nossos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais para que não nos falte santos, preparados e numerosos ministros para anunciar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos e servir o povo de Deus.

No lugar da instituição da Eucaristia, São João narra a cena do Lava-pés. Durante a ceia com seus discípulos, “Jesus levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”. Participar da Eucaristia, comungar o corpo e o sangue de Cristo, é comprometer-se a fazer da própria vida uma entrega fraterna e solidária aos nossos irmãos, especialmente, aos mais necessitados, os enfermos, os pobres, as pessoas com deficiência, os anciãos, as crianças.

A CF deste ano: Fraternidade e Saúde Pública, com e lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra”, recorda-nos que uma forma de exercer a caridade para com o outro é tomar consciência do direito que cada um de nós tem à saúde, a sua preservação e conservação, e para isso, o acesso aos serviços públicos de saúde que é um direito de todo cidadão e obrigação do Estado de garanti-los.

Todos nós batizados, a começar por quem preside a comunidade em nome de Cristo, devemos nos colocar humildemente a serviço da comunidade, dos homens e mulheres que formam a sociedade concreta em que vivemos: “dei-vos o exemplo, disse Jesus aos apóstolos, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.

Missa do Crisma - Santuário Nacional - 05.04.12


A celebração eucarística, nesta manhã, de 5a. Feira-Santa, no Santuário Nacional da Padroeira do Brasil, presidida por mim e concelebrada pelos presbíteros diocesanos e por numerosos sacerdotes religiosos: é sinal de comunhão entre os sacerdotes do presbitério dessa Igreja particular de Aparecida e com o seu pastor que a preside na pessoa de Jesus Cristo.

Hoje é um dia muito especial para toda a Igreja, mas particularmente, para nós sacerdotes, pois, a Igreja revive neste dia a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Foi no cenáculo onde Jesus realizou pela primeira vez a celebração da Eucaristia. Foi lá que Jesus tomou nas mãos o pão, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós”. Depois, tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse-lhes: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados.” Em seguida, Jesus ordenou aos seus discípulos e àqueles que na Igreja participariam ministerialmente do seu sacerdócio que repetissem essas suas palavras, esse seu gesto de geração em geração até o fim dos tempos: “Fazei isto em memória de mim.” Os pastores da Igreja são um dom do Senhor para a sua Igreja. É ele quem os santifica e os consagra com o dom do seu Espírito, quem os envia a celebrar seus mistérios para a salvação do mundo, quem os fortalece para ser colaboradores do seu Espírito, com a pregação da Palavra, para a edificação da Igreja. É por meio do ministério dos sacerdotes ordenados que Jesus se faz presente no seu corpo e no seu sangue.

Queremos nesta missa do Crisma agradecer, louvar a Cristo pela instituição da Eucaristia, dom do amor de Cristo a sua Igreja, memorial do sacrifício da cruz, presença salvífica de Jesus em nosso meio, alimento espiritual e garantia de vida eterna. Queremos, também, bendizer a Cristo pelos presbíteros, chamados a participar do seu sacerdócio ministerial para continuar a sua missão salvadora em favor dos homens neste mundo. Agradeçamos a Deus nesta eucaristia os sacerdotes, religiosos e diocesanos que exercem o seu ministério presbiteral na nossa Arquidiocese de Aparecida para o bem do nosso povo.

Nesta celebração eucarística os presbíteros concelebrantes irão renovar seus compromissos sacerdotais assumidos no dia da sua ordenação com o propósito de permanecer, com a ajuda de Deus, fiéis a sua vocação. Vão renovar o compromisso do celibato, como configuração ao estilo de vida do próprio Senhor Jesus, modelo de todo pastor e como sinal de sua caridade pastoral na entrega a Deus e aos homens, com o coração pleno e indivisível. Os sacerdotes irão renovar, também, seu compromisso de empenhar-se no exercício do tríplice ofício decorrente da ordenação: o anúncio da Palavra, a exemplo de Jesus que veio para evangelizar; a santificação dos fiéis pela administração dos sacramentos e a entrega generosa as pessoas confiadas aos seus cuidados pastorais, valorizando e acolhendo a todos, dando, porém, atenção especial aos enfermos, aos mais necessitados e indo ao encontro dos distanciados da comunidade paroquial.

Irei abençoar os óleos dos enfermos e dos catecúmenos e consagrar o óleo do crisma. Os santos óleos serão entregues aos párocos, ou aos representantes de comunidades no final da missa, que os levarão consigo para as suas paróquias para serem usados na administração de alguns dos sacramentos.

A comunhão dos presbíteros com o seu Bispo se expressa na renovação dos compromissos sacerdotais feita perante o Bispo e diante da comunidade dos fiéis. Igualmente, a bênção e a entrega dos santos óleos pelo Bispo aos párocos significam que o ministério do Bispo se prolonga, se faz presente, em cada comunidade, através do ministério de cada presbítero.

O Bispo não pode estar presente em cada paróquia, por isso, ele se faz presente no ministério do sacerdote ordenado por ele e ao qual ele confia o cuidado pastoral de uma porção do povo de Deus na Diocese.

Caros irmãos, no ministério presbiteral, o padre é um “servidor da comunhão eclesial”, essa é a sua missão juntamente com o anúncio do Evangelho. Comunhão que deve ser exercitada continuamente no interior de toda a Igreja diocesana, no interior de cada paróquia, “entre os sacerdotes, religiosos e leigos, evitando divisões estéreis, críticas e suspeitas nocivas”.

O Documento Conclusivo da V Conferência afirma que o presbítero deve amar e realizar sua tarefa pastoral em comunhão com o bispo e com os demais presbíteros da diocese, com os religiosos e leigos. O ministério sacerdotal que brota da Ordem Sagrada tem radical forma comunitária e só pode desenvolver-se como tarefa coletiva. Nenhum sacerdote pode realizar plenamente o seu ministério isoladamente, fora da comunhão com seu presbitério e com o seu Bispo. No encontro com o clero de Roma, no início da quaresma, o Papa Bento XVI chamava a atenção para o cultivo de três virtudes que são indispensáveis para caminharmos juntos no seguimento de Cristo: “A humildade que é viver a verdade; é aceitar a mim mesmo como pensamento de Deus, tal como sou, nos meus limites e desta forma, na minha grandeza, como imagem e semelhança de Deus. Só aceitando-me a mim no grande tecido divino posso aceitar também os outros, que formam comigo a grande sinfonia da Igreja e da criação.” A segunda virtude é a doçura, a mansidão que não quer dizer debilidade, fraqueza. Cristo foi firme, mas sem deixar de ser manso, bondoso. A terceira virtude à qual o Papa se referiu é a capacidade de não só suportar, mas de aceitar “àquele que em Jesus Cristo é meu irmão ou minha irmã e no qual devo enxergar a riqueza do seu ser e das ideias da fantasia de Deus.” Peçamos a Deus que nos dê a graça de crescermos a exemplo de Cristo, o Bom Pastor, manso e humilde de coração, na humildade, na mansidão, e na aceitação e valorização do outro.

Aproveito o ensejo desta celebração da missa do Crisma e o início do Tríduo Pascal para desejar aos presbíteros diocesanos e religiosos, aos consagrados, aos seminaristas, a todos os fiéis desta Igreja Particular, aos romeiros e aos prezados rádio-ouvintes e telespectadores, um Santo Tríduo Pascal.

Aos presbíteros do clero diocesano e do clero religioso, o meu apreço e meu agradecimento pela pessoa e o ministério de cada um, a serviço desta Igreja local de Aparecida. A todos meus sinceros votos de uma feliz e santa Páscoa na alegria do Cristo Ressuscitado!

domingo, 1 de abril de 2012

Domingo de Ramos - Santuário Nacional - 01/04/2012


Com a celebração de Domingo de Ramos, a Liturgia da Igreja inicia a Semana Maior, a Semana Santa. Na semana santa somos convidados a participar das celebrações e procissões para entrar no centro de nossa fé que é o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus e nosso Salvador!

A liturgia deste domingo é uma síntese do que vamos celebrar nesta semana. Na primeira parte da celebração, recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado pelo povo. É a antecipação da alegria pascal, do triunfo do Cristo que, ao morrer, derrota a morte, o pecado e o príncipe das trevas, e nos faz participantes de sua vitória.

Os ramos abençoados no início desta celebração, nós iremos levá-los para casa e os conservaremos com muito respeito. Eles são para nós um sacramental, isto é, um sinal da proteção de Deus e ocasião para renovar nossa fé em Jesus Cristo com o propósito de testemunhá-lo no ambiente familiar, no trabalho e na vida social, com as nossas ações em defesa da vida, da justiça, da dignidade da pessoa humana, particularmente, das pessoas mais necessitadas e de contribuir com a construção de uma sociedade mais segura e com paz, que é fruto da justiça.

As leituras que acabamos de escutar e, principalmente, a narração de Marcos da Paixão de Jesus nos introduzem no mistério do sofrimento e da morte de Jesus, que vamos celebrar na Sexta-Feira Santa. Através dos gestos, das palavras de Cristo e dos detalhes narrados nos textos que escutamos, descobrimos até onde chega o amor de Deus para conosco.

O Rei que entra em Jerusalém, montado não em um cavalo, como faziam os imperadores, mas num jumentinho. Ele é um rei humilde e servidor, solidário com a humanidade sofredora e que na Sexta-Feira Santa, iremos contemplá-lo pregado na cruz.

“Na Paixão, a misericórdia de Cristo, o seu amor na sua forma mais radical, vence o pecado. Na Paixão é onde o pecado manifesta melhor sua violência e as suas mais variadas facetas: a incredulidade, a rejeição e o escárnio, por parte dos chefes e do povo; a fraqueza de Pilatos; a crueldade dos soldados; a traição de um de seus discípulos, Judas Iscariote; a negação de Pedro, chefe dos apóstolos, e o abandono dos demais discípulos. Na hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício de Cristo converte-se, todavia, secretamente, na fonte da qual brotará de maneira inesgotável o perdão de nossos pecados” (CIC 1851; 1992).

Para uma sociedade individualista, hedonista, e confiada apenas no progresso material e em busca de prazer, de prestígio e poder, a Paixão e a Cruz de Cristo são escândalo e loucura como o foram, outrora, para os judeus e para os gregos.

Para nós cristãos, a cruz, antes, instrumento de morte, agora é fonte de vida, salvação, ressurreição; o começo de um novo mundo.

Jesus mudou a história. Aqueles que o haviam abandonado e haviam se dispersado voltaram, recobraram a esperança, reagruparam-se em torno do Cristo ressuscitado e iluminados e fortalecidos pelo Espírito Santo, levaram a Boa Nova do Evangelho, a todo o mundo, fundando as primeiras comunidades cristãs, das quais nós, hoje, Igreja de Jesus Cristo, una, santa, católica e apostólica, somos os continuadores e chamados, igualmente, a ser fermento de uma nova sociedade e a iluminar a sociedade com a luz de Cristo, porque somente quem o segue não anda em meios as trevas, mas tem a luz da vida.

Ao contemplarmos, nesta Semana Santa, Jesus na sua paixão, morte e ressurreição, renovamos nossa fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus e nosso Salvador. Agradeçamos o seu amor por nós. Arrependamo-nos de nossos pecados e peçamos o perdão de Deus no sacramento da penitência e aproximemo-nos da Eucaristia onde Jesus vem ao nosso encontro e assim, podermos também experimentar a alegria da ressurreição do Cristo em nosso coração. Que nada nos afaste da contemplação amorosa de Cristo, nosso Salvador. Agradeçamos-lhe com humildade e contritos de coração, o seu imenso amor para conosco.

Hoje é dia da Coleta da Campanha da Fraternidade. A Igreja pede a nossa oferta para o Fundo de Solidariedade que, neste ano, destinará os recursos arrecadados ao financiamento e apoio de projetos relacionados ao tema da CF deste ano: Fraternidade e Saúde Pública. Não deixe de manifestar sua solidariedade com o gesto concreto de sua oferta.

segunda-feira, 19 de março de 2012

4º Domingo da Quaresma - Santuário Nacional


As três leituras deste domingo da quaresma devem despertar em todos nós uma grande confiança em Deus, porque todas elas nos falam do imenso o amor de Deus para conosco, de sua infinita misericórdia.

O texto do II livro das crônicas descreve um período dramático da história do povo de Israel. A cidade de Jerusalém foi conquistada duas vezes por Nabucodonosor, o templo destruído e o povo deportado para a cidade da Babilônia. Tudo isso, fruto da infidelidade de Israel à aliança com Deus. Deus, porém, se compadeceu de seu povo e através do rei Ciro que conquistou Babilônia, libertou o povo de Israel e o conduziu de volta a sua terra e o templo de Jerusalém foi reconstruído.

Deus é fiel e misericordioso. Ele nunca nos esquece, nem nos abandona, nós é que, muitas vezes, lhe voltamos às costas. Israel foi descobrindo durante sua história que Deus só tinha uma razão para se revelar a ele e escolhê-lo como povo eleito entre todos os povos: seu amor gratuito. Israel compreendeu também que por amor, Deus não desistiu de salvá-lo e perdoar os seus pecados, a sua infidelidade. No Novo Testamento, o amor de Deus se nos manifestou de uma maneira ainda mais evidente, mais tangível, e dirigido a todos os povos, sem distinção. Deus é rico em misericórdia e nos amou tanto que nos enviou o seu próprio filho Jesus, não para condenar o mundo, mas para que nós sejamos salvos por ele, afirmam São Paulo na Carta Efésios e São João no evangelho.

Esta é a razão porque Deus nos deu o seu único Filho: por amor, para a nossa salvação, e para que tenhamos a vida eterna.

Jesus é o maior presente que Deus Pai deu ao mundo e a nós cabe nos aproximar dele, acolhê-lo na fé, que é um dom de Deus, viver unido a Ele, e, por isso, a necessidade de pedir a Deus a graça da fé.

Aquele que crê no Filho de Deus, aquele que o aceita pela fé, possui desde já a vida verdadeira e definitiva que chegará à plenitude na eternidade quando se manifestar o que somos de fato desde o batismo: filhos de Deus e cidadãos do céu. Esta vida de união com Deus pela graça só pode ser destruída pelo pecado.

A vida de união com Deus no plano espiritual e sobrenatural e a esperança de vida eterna, não exige que renunciemos a nossos desejos de felicidade também nesta terra, pois Deus “tudo criou para que de tudo desfrutemos” (1 Tm 6, 17). A Igreja não se preocupa só com a vida eterna, como afirmam alguns, embora o anúncio do evangelho para a salvação de todos é a tarefa primordial da Igreja. As situações desumanas em que vivem muitos dos nossos irmãos contradiz o projeto de Deus para a humanidade e não pode deixar a nós cristãos indiferentes. A nossa fé em Jesus Cristo deve impelir mais do que aqueles que não têm fé a trabalhar pela construção de um mundo no qual todos possam desenvolver em plenitude sua existência humana, um mundo que seja sinal do Reino definitivo, reino de justiça e de paz, que esperamos.

Estamos na quaresma, tempo de conversão, de reconciliação com Deus e com os irmãos. Todos somos pecadores, por isso necessitamos acolher o perdão que Deus nos oferece no sacramento da reconciliação, e nos prepararmos para experimentar as alegrias pascais da ressurreição de Jesus.

segunda-feira, 5 de março de 2012

2º Domingo da Quaresma - Santuário Nacional


A primeira leitura da liturgia da palavra deste domingo narra a dura prova a que foi submetido o Patriarca Abraão. Deus pediu a Abraão o sacrifício do seu filho único Isaac, o herdeiro das promessas. Abraão obedeceu cegamente e Deus retribuiu esta confiança inquebrantável, livrando seu filho de ser sacrificado e renovando as promessas feitas a Abraão: “Te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar”. A história de Isaac mostra que Deus nunca abandona seus projetos de vida para os homens.

Paulo na carta aos Romanos faz uma leitura do sacrifício de Isaac à luz do sacrifício de Cristo e afirma que Deus não poupou o seu próprio Filho, ao contrário, o entregou por todos nós. Este é o grande mistério do amor de Deus. Ele amou tanto o mundo que nos enviou o Filho unigênito que morreu por nós, ressuscitou e está sentado à direita do Pai e intercede por nós. Por meio do sacrifício de Jesus Cristo é que Deus nos salvou. Como a Abraão e ao apóstolo Paulo, nos tocam, muitas vezes, momentos difíceis de sofrimentos, de cruz, mas a certeza de que Deus nos ama e está conosco nos fortalecerá e nos ajudará a não recuar no caminho da fé. “Se Deus está por nós, quem estará contra nós?”

No evangelho, Marcos descreve a experiência de Pedro, Tiago e João, da transfiguração de Jesus, no alto de um monte. No meio das nuvens, ouvem uma voz que diz: “este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz”. Em Jesus, Deus vai selar uma aliança nova e definitiva com a humanidade. Somente depois da morte e ressurreição de Jesus, é que os três apóstolos compreenderão a experiência da transfiguração. Esta experiência permitiu aos apóstolos antever o final glorioso da paixão e morte de Jesus, mas eles deverão antes escutar e seguir o Mestre até a paixão e morte de cruz.

O tempo da quaresma nos convida a aprofundar-nos no amor de Deus para conosco por meio da contemplação amorosa da cruz. Uma das práticas piedosas do povo cristão neste tempo é o exercício da Via-Sacra. A meditação da paixão e morte de Jesus através das estações da Via-Sacra nos enche de paz, serenidade, esperança, amor e perdão.

Os romeiros que vem a Aparecida não deixam de subir o Morro do Cruzeiro, com sacrifício,meditando e rezando, diante dos quadros da Via-Sacra. É certamente, um momento de graça para todos os romeiros, sobretudo, neste tempo da quaresma. Você pode fazer este exercício de piedade também em sua paróquia ou comunidade e até mesmos em casa.

Da contemplação serena da paixão de Cristo, brotará, certamente, um desejo profundo de ajudar o irmão sofredor que está próximo de nós. Que a meditação da paixão de Cristo nesta quaresma nos ajude a nos comprometermos mais com os irmãos enfermos, como nos propõe a CF. Que esta Campanha, como afirma o Papa Bento XVI, “suscite, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e leve a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável.” A paixão de Cristo nos revela que somos pecadores e necessitamos da misericórdia do Pai. Foi por causa de nossos pecados que Cristo morreu na cruz para a nossa salvação.

Aproveitemos também deste tempo quaresmal para experimentar a misericórdia, o perdão, o amor de Deus no sacramento da penitência, para recuperar a graça divina e nos fortalecer no combate contra o pecado, contra o mal.