quinta-feira, 10 de maio de 2012

Maio, mês dedicado a Maria


Maio é um mês  muito especial para nós católicos:  é o mês dedicado a Maria, mãe de Deus e nossa. Celebramos em maio 3 festas importantes, dedicadas a Maria: dia 13, Nossa Senhora de Fátima; dia 24, Nossa Senhora Auxiliadora, e dia 31, a Visitação de Maria a sua prima Isabel.

Muitas vezes, nós católicos, somos criticados pelo culto que prestamos a Maria. Há quem diga que somos “adoradores”, ou que “idolatramos” imagens. Sabemos que isto não é verdade e temos plena consciência que somente a Deus prestamos adoração. A Maria  dedicamos um culto, uma devoção, que se dirige a Ela e não a uma imagem. Esta devoção está fundamentada no papel singular que Ela desempenhou e desempenha  na história  da salvação ao ser escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, Jesus Cristo.

Maria está presente na Bíblia, desde o Antigo Testamento (cf. Gen 3,15 e Is 7,14).  No Novo Testamento, porém, é que se fundamenta mais claramente nossa devoção a Maria. Ela foi escolhida entre todas as mulheres para ser a Mãe de Deus (Lc 1,31-35), e pelo seu “sim” a salvação entrou no mundo. Maria acreditou e se entregou livremente à vontade do Pai: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo  tua palavra” (Lc 1,38). A maternidade divina de Maria é o fundamento de todos os outros seus privilégios e a razão do lugar especial que Ela ocupa no culto da Igreja e na devoção do povo cristão. Ela é a  mãe do nosso Salvador Jesus Cristo e nossa mãe.  Deus quis nos dar uma mãe e não há filho que não ame sua mãe. Por isso, nós a veneramos e recorremos a Ela,  pois Maria é  mãe e  como tal sempre está disposta a nos ouvir, amparar e  consolar.

Aqui na terra, nós temos a nossa mãe. Deus deu a mulher a  capacidade de gerar vida e  mesmo aquelas mulheres que por algum motivo de saúde não podem ter filhos biológicos, trazem no coração o instinto materno, a vontade de  amar e cuidar de um filho, e isto é o que importa.  Infelizmente, nos dias de hoje, a vida está ameaçada, até mesmo, no útero materno.  Haja   visto  a decisão do Supremo Tribunal Federal, no último dia 12 de abril,  que despenaliza o aborto em caso de bebês anencéfalos. Os homens, pretendendo se colocar no lugar de Deus, querem  decidir se devem ou não proteger a vida,  quando  ela ainda se encontra no útero materno, lugar sagrado e que deveria estar a salvo de qualquer ameaça  Embora a lei favoreça esta prática, nos casos de bebês anencéfalos, isto não exime ninguém da responsabilidade e do dever de seguir sua consciência moral, guiada pela lei natural e divina.  A vida humana é o primeiro e o maior dos direitos humanos, independente de religião ou de credo, e sobre o qual se fundamentam os outros direitos.  A vida não é negociável, seja qual for a circunstância. É dom de Deus e somente a Ele cabe o direito de decidir sobre ela.

No Brasil, há um dia dedicado às Mães, que é segundo domingo de maio.  Por isso, quero aproveitar este espaço para felicitar todas as mamães e assegurar minhas preces para que cumpram com dedicação a missão divina que lhes foi confiada.  Que Maria, modelo de mulher e de Mãe, inspire e proteja todas as mulheres, especialmente, as mães,  na vivência de sua vocação de gerar e cuidar da vida com amor. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

5º Congresso Mariano: "Feliz aquela que acreditou"


Estamos no tempo pascal e a liturgia nos convida a celebrar com alegria a ressurreição de Jesus que ressuscitado caminha conosco e nos dá força para mudar nossa vida, e lhe dar uma orientação definitiva. A primeira leitura de hoje, dos Atos dos Apóstolos, faz referência à conversão de São Paulo que mudou radicalmente sua vida. Ele havia empregado sua vida em impedir que outros descobrissem e aderissem ao evangelho.

A mudança em sua vida foi tão grande que os discípulos desconfiavam de sua conversão. Precisou, então, de Barnabé para introduzi-lo aos apóstolos, e avalisar a sua conversão, tal era a desconfiança da comunidade cristã em relação a mudança radical da vida de Paulo.

O encontro de Paulo  com  Jesus ressuscitado no caminho de Damasco mudou completamente o rumo de sua vida. De perseguidor dos discípulos de Cristo, tornou-se pregador entusiasta  e corajoso do Evangelho. A mudança na sua vida foi tão profunda que poderá dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.”

Paulo fez a experiência da bondade deste “Deus que é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas”, e seu amor supera toda miséria humana, conforme escreve São João, na segunda leitura deste domingo.

Deus conhece nossas fraquezas e está sempre pronto a nos perdoar e a nos acolher como seus filhos.
Jesus continua vindo ao nosso encontro como veio ao encontro de Paulo, perseguidor dos cristãos, e nos propõe,  como propôs a Paulo, e a tantos outros, um caminho concreto a seguir e a abandonar aquilo que nos impede de produzir frutos de boas obras em nossa vida, frutos de justiça, de amor e de paz.

Aquele que permanece em Mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Quem não permanece em Mim será lançado fora como um ramo separado do tronco e secará.”

Jesus usa a imagem da vinha para expressar  a relação pessoal entre ele e seus discípulos. Há uma relação pessoal com ele, a exemplo da relação entre o ramo e a videira. Se o ramo se separa da videira, do tronco, ele não produz frutos, não dá uvas. Assim também, o discípulo que não estiver unido a Jesus, em comunhão com ele, identificado com a causa do Reino, não poderá fazer nada, não produzirá frutos de justiça, de solidariedade, de perdão, de amor. Jesus não só está em nosso meio, na comunidade reunida em seu nome, mas, principalmente, na Eucaristia onde ele se faz comida, alimento para nós. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele.” Peçamos a Jesus que não nos separemos Dele e que nos faça instrumentos do amor, da bondade de Deus em nossas atividades e nas nossas relações com os outros.

A peregrinação mariana que hoje se realiza na Canção Nova, escolheu como tema as palavras de Isabel, quando recebeu a visita de sua prima, a Virgem de Nazaré: “Feliz aquela que acreditou.”

Num tempo marcado  pelo relativismo onde se duvida de tudo, a Virgem Maria é modelo de fé decidida.  Ante a mensagem do Anjo Gabriel, de que ela foi a escolhida para ser a mãe de Deus, Maria indaga, pergunta,  pois a fé não é irracional: “Como acontecerá isso se eu não convivo com um homem”?  O Anjo lhe responde: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te fará sombra; por isso o consagrado que nascer levará o título de Filho de Deus.  Vê a tua parenta Isabel que concebeu na sua velhice e era considerada estéril, e já está grávida de seus meses, pois nada é impossível para Deus.” Maria responde: “aqui tens a escrava do Senhor.” Maria deixou-se conduzir pela providência divina e caminhando e progredindo na fé por toda a vida, seguirá seu Filho Jesus até o Calvário, tornando-se a sua primeira e mais perfeita discípula e missionária. Pela sua fé  se entrega a Deus e se consagra sem reservas à pessoa e à obra de seu Filho Jesus; esse Filho que ela concebeu primeiro na sua mente e no seu coração por meio da fé. Por isso, Isabel, sua prima, ao receber Maria em sua casa, a saúda dizendo: “Feliz és tu que creste, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou.”

A fé de Maria se traduz em obediência à missão que Deus lhe confiou: “cumpra-se em mim, segundo a tua palavra”, o que equivale dizer: que a vontade de Deus seja feita.

Imitemos Maria na sua fé: “nos falta fé, afirma Santo Agostinho, e acrescenta: o dia que vivermos esta virtude confiando em Deus e em sua Mãe,  seremos corajosos e leais. Deus fará milagres por nossas mãos. Dai-me, ó Jesus, essa fé que eu desejo! Maria Santíssima, Mãe e Senhora minha, fazei que eu creia.”

domingo, 29 de abril de 2012

Dia Mundial de Oração pelas Vocações - Santuário Nacional

Neste 4o. domingo da Páscoa, no texto do Livro dos Atos dos Apóstolos que acabamos de escutar, Pedro nos apresenta Jesus como o fundamento de toda a nossa vida, porque ele é o único que nos salva.

Ele é a pedra angular da qual depende a estabilidade, a unidade e a coesão da Igreja. Não há salvação em nenhuma outra pessoa a não ser em Jesus Cristo. No trecho do evangelho de hoje, o mais significativo do cap.10 do evangelho de João, Jesus se auto-define como o Bom Pastor. Para as primeiras gerações de cristãos essa imagem do Bom Pastor referia-se ao Cristo ressuscitado, o verdadeiro Pastor.

 Com efeito, Jesus com a sua morte e ressurreição, deu-nos por meio do Espírito Santo, a vida nova no batismo, tornando-nos filhos de Deus e participantes da natureza divina. Jesus é o único e verdadeiro pastor, aquele que se solidariza e ama as suas ovelhas, que somos nós, a ponto de dar sua vida por nós, livremente e por amor. Ele continua a entregar-se por nós em cada Eucaristia, que é a atualização sacramental de sua morte na cruz.

 Dentre os batizados, Deus chama as pessoas para diferentes vocações e, em particular, ele chama alguns homens para o ministério sacerdotal, que a exemplo de Jesus, o Bom Pastor, se dedicam ao anúncio da Palavra, à celebração dos sacramentos e ao ministério pastoral. Chama, igualmente, outras pessoas à vida consagrada, que se entregam total e exclusivamente ao seguimento de Cristo por meio da vivência dos conselhos evangélicos de obediência, castidade e pobreza e desempenham diversos serviços pastorais no campo da educação, da saúde, da formação e promoção humanas. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para este Dia Mundial de Oração pelas Vocações, celebrado neste Domingo do Bom Pastor, convida-nos a refletir sobre o tema: “As vocações dom do amor de Deus.” Cada vocação específica é dom do amor de Deus.

É Deus quem realiza o primeiro passo; é Ele quem nos chama; nos chama não porque viu em nós um merecimento especial, mas em virtude do seu próprio amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A causa da resposta ao chamado de Deus é o amor a Deus e ao próximo, sobretudo, às pessoas mais necessitadas, mais pobres. O Santo Cura D’Ars, São João Maria Vianney, gostava de dizer “o padre não é para si mesmo, mas ele é padre para os outros”. As vocações para o sacerdócio ordenado e para a vida religiosa são despertadas no seio da família, no contato com a palavra de Deus na Sagrada Escritura, na oração pessoal e comunitária e, sobretudo, na Eucaristia, expressão perfeita do amor de Deus para conosco e onde se compreende a beleza de uma vida totalmente doada a serviço do Reino de Deus. Deus chama, também, pessoas, e é a maioria, para a vocação matrimonial.Hoje, este domingo, está marcado por dois eventos realizados aqui no Santuário Nacional: o 2º. Simpósio da Família e a 4ª Peregrinação Nacional das Famílias, com o tema: “Família: Trabalho e Festa”.

Estes dois eventos estão em sintonia com o Encontro Mundial das Famílias, a realizar-se na cidade de Milão, Itália, no início do mês de junho. O trabalho e a festa estão intimamente ligados à vida das famílias. O trabalho, a festa fazem parte essencial da vida humana. Por meio do trabalho intelectual ou corporal, o homem continua a obra criadora de Deus. O trabalho aperfeiçoa e desenvolve as capacidades do homem e, além disso, é uma maneira do homem prestar um serviço ao próximo, à sociedade, com seu trabalho profissional competente e honesto. Infelizmente, hoje em dia, numa sociedade individualista, egoísta, o trabalho vem perdendo essa dimensão humana e é visto quase sempre em função do lucro que ele pode dar.

Os pais, muitas vezes, só estimulam, ou até, forçam os filhos a escolher uma profissão pensando apenas no dinheiro, na demanda do mercado e não na realização do filho ou da filha e no bem da sociedade. Muitos deles se frustram e abandonam mais tarde, a carreira que lhes foi imposta. A festa, também, faz parte da vida da família, pois há muitos acontecimentos, datas que devem ser celebrados com alegria pela família cristã: os aniversários de nascimento, de casamento, a formatura, certas festas, como o domingo, o Natal, a Páscoa, a Festa do Padroeiro, a festa de fim de ano, etc. A festa é uma parada na vida cotidiana da família para celebrar a própria vida que é dom de Deus, conviver, descansar e recobrar nova energia para prosseguir juntos com esperança na caminhada. É importante, que a família reflita sobre essas duas dimensões da vida e procure recuperar o verdadeiro sentido do trabalho e da festa na família e harmonizar essas duas exigências da vida humana.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pronunciamento abertura da 50ª assembleia Geral da CNBB


Saúdo fraternalmente os senhores cardeais, arcebispos, bispos, administradores diocesanos; os assessores e assessoras da CNBB; o Senhor Reitor do Santuário Nacional, Padre Darci Nicioli; os presbíteros, religiosos e religiosas, os fiéis leigos e todos os participantes desta 50ª. Assembleia. Saúdo a todas as autoridades presentes, entre elas o ilustríssimo Sr. Prefeito de Aparecida, Márcio de Siqueira. E saúdo, cordialmente, os profissionais da imprensa aqui presentes e a todos os que nos acompanham pelos meios de comunicação – televisão, rádio e Internet.

Unidos em um só coração, e agradecidos a Deus Pai, que nos permitiu chegar à marca de cinquenta encontros, iniciamos os trabalhos da 50ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Esta é, verdadeiramente, uma assembleia comemorativa. Comemorar não é apenas festejar um acontecimento. É também honrar a memória, reverenciar o caminho feito, dignificar a participação dos pioneiros e de todos os que sustentaram a iniciativa.

Nosso encontro será um solene memento por todos os que, vivos ou já nos braços do Pai, contribuíram, em todos os tempos da história da CNBB, para sua criação e desenvolvimento. A assembleia deste ano, portanto, traz esse gesto de olhar para trás e faz-nos ver que construímos nossa identidade com ousadia e coragem evangélica.

Pela quinquagésima vez os bispos do Brasil se encontram em reunião de partilha fraterna, oração, estudo e reflexão, na busca do fortalecimento da comunhão entre si e com o sucessor de Pedro. Durante quase seis décadas, desde aquele remoto encontro em Belém do Pará, em agosto de 1953 – quando se realizou a 1ª Assembleia Geral da CNBB -, até hoje, o episcopado brasileiro percorreu um longo caminho, assinalado por importantes decisões e expressivas contribuições para o conjunto da Igreja no Brasil e da sociedade brasileira. Em cada uma das assembleias, houve uma evidente renovação do compromisso ministerial dos bispos perante os principais desafios apresentados pela realidade do País. Fundada no mandato de Cristo, as respostas a esses desafios foram sempre firmes e corajosas.

Ao longo dos sessenta anos da CNBB, as assembleias tornaram-se, pela força dos seus conteúdos e pelo singular respeito que a sociedade tem pelo episcopado, um ponto de referência no debate nacional. As declarações, os posicionamentos, os documentos e as orientações que emanaram dos cinquenta encontros realizadas no período estão clara e fortemente marcados nas páginas da história recente do Brasil. Os bispos jamais se intimidaram diante das diversas situações da realidade nacional, por mais complexas e delicadas que fossem. Por meio das assembleias, ofereceram sempre a contribuição de que o País precisava para progredir em suas lutas pelo amadurecimento democrático, pela superação da injustiça social e dos conflitos, para cuja solução era necessário um chamado à ética e à correção dos desmandos. Largamente divulgados pelos meios de comunicação social, os trabalhos dos bispos em assembleia sempre repercutiram de modo a expandir o testemunho da Igreja em favor da defesa da vida digna e plena para todos.

“A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é o tema central desta Assembleia. Nele, encontramos a renovação do convite para retomarmos o que já meditamos com especial acento em nossa assembleia de 2010. O aprofundamento desse tema nos conduzirá, naturalmente, a uma volta às grandes orientações recebidas do Sínodo dos Bispos de 2008 e da Exortação Apostólica pós-sinodal “Verbum Domini”, que nos foi dirigida pelo Papa Bento XVI em 30 de setembro de 2010. O Santo Padre, no documento, lembra-nos que nos vemos “colocados diante do mistério de Deus que Se comunica a Si mesmo por meio do dom da sua Palavra. Esta Palavra, que permanece eternamente, entrou no tempo. Deus pronunciou a sua Palavra eterna de modo humano; o seu Verbo ‘fez-Se carne’ (Jo 1, 14). Esta é a boa nova. Este é o anúncio que atravessa os séculos, tendo chegado até aos nossos dias” (VD, 1).

Em nosso encontro, atentos a qualquer iniciativa que tem por escopo a evangelização, olharemos com carinho para os preparativos relativos à Jornada Mundial da Juventude, a realizar-se em julho do próximo ano. A Assembleia também nos dará oportunidade para o aprofundamento de outras duas comemorações que nos remetem ao mês de outubro deste ano: os 60 anos da criação da nossa Conferência e o marco dos cinquenta anos do início dos trabalhos do Concílio Vaticano II.

Certamente, em nossas discussões e propostas de trabalho, teremos de estar atentos a feliz iniciativa de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, que nos pede para vivenciarmos - a partir da data em que lembramos o início do Concílio até a festa de Cristo Rei do ano 2013 -, um ano especial em que celebraremos as riquezas de nossa fé. O “Ano da Fé”, segundo orientação do Papa, deve ser “um momento de graça e compromisso para uma plena conversão a Deus, para fortalecer a nossa fé n'Ele e a anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo”.

O “Ano da Fé” terá início em 11 de outubro próximo, no âmbito da realização da 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização. Durante a presente Assembleia, elegeremos os Delegados da CNBB para a Assembleia do Sínodo, e que deverão ser confirmados pelo Santo Padre.

O Papa Bento XVI criou um novo dicastério na Cúria Romana para animar, na Igreja, o tema da nova evangelização. Segundo seu presidente, Dom Rino Fisichella, é preciso acolher a “exigência de renovar tudo aquilo que é a capacidade da Igreja de levar o Evangelho de Jesus Cristo ao homem de hoje”. Iniciamos os trabalhos dessa 50ª. Assembleia dispostos a acolher e aprofundar essa exigência no âmbito da Igreja no Brasil. Uma eficiente implementação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora que aprovamos no ano passado, nas nossas Dioceses será capaz de mobilizar corações e forças para bem concretizarmos nossa ação pastoral sob a inspiração dessa oportuna iniciativa do Santo Padre.

Que o Santo Espírito de Deus nos ilumine para levarmos a bom termo os nossos trabalhos.

A todos os que aqui se encontram, àqueles que nos acompanham pelos meios de comunicação, enfim, a todos os fiéis de nossas Igrejas particulares suplico, ardentemente, orações pelo êxito de nosso encontro.

Aos participantes da Assembleia e aos que a apoiarão com seus trabalhos, manifesto a satisfação de recebê-los na Arquidiocese de Aparecida. É uma grande alegria hospedar o episcopado brasileiro sob o manto da Padroeira do Brasil. Aqui é o nosso lugar: nos braços da Mãe Santíssima! Agradeço ao Secretariado Geral da Conferência que trabalhou arduamente para nos dar condições de realizar mais esta assembleia geral. Agradeço igualmente ao Padre Darci Nicioli, Reitor do Santuário Nacional, aos missionários redentoristas e às suas equipes pelo esmero demonstrado nas providências tomadas para que nosso encontro alcance pleno sucesso. Desejo que tenhamos dias de bênçãos e fraterna alegria no convívio desta assembleia. Agradeço, igualmente, as palavras acolhedoras do senhor Prefeito de Aparecida, e a colaboração da Prefeitura para a realização da 50ª. Assembleia.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Missa de abertura da 50ª Assembleia Geral da CNBB


Caríssimos irmãos e irmãs: Acolho com alegria e especial apreço, neste Santuário, os estimados membros da CNBB: os senhores cardeais, arcebispos, bispos e administradores diocesanos; os assessores da CNBB; os subsecretários dos Regionais; os presidentes de organismos; os representantes das pastorais; os convidados para a Assembleia.

Saúdo cordialmente os queridos fiéis da Arquidiocese de Aparecida e os romeiros aqui presentes. Saúdo também os que nos acompanham pelos meios de comunicação - televisão, rádio e Internet -, pedindo-lhes que dirijam suas preces ao Bom Deus para que Ele nos ilumine e assista durante esta Assembleia.

As assembleias gerais de nossa Conferência Episcopal são momentos fortes de vivência do afeto colegial e de manifestação da comunhão existente entre nós e com o Santo Padre Bento XVI, cujo sexto aniversário da eleição como Pastor Supremo da Igreja, celebramos amanhã, e dia 24 próximo, celebraremos o 7º. aniversário do início do seu ministério petrino.

No contexto das assembleias gerais da CNBB, esta que ora se inicia – por ser a 50ª– reveste-se de um significado todo especial. É marco que enseja belas recordações, é momento de agradecimento pelo bem que assembleias anteriores fizeram à Igreja no Brasil e é ocasião de reconhecimento do quanto esses encontros nos ajudam, a nós, bispos, no exercício de nossa missão apostólica.

Caríssimos irmãos no episcopado: em estreita convivência, passaremos juntos os próximos dias. Será tempo vivido em oração, partilha fraterna, estudo e reflexão. A nossa “solicitude por toda a Igreja” (cf. 2 Cor 12,28), nos remeterá de um modo especial a diversos e importantes eventos da Igreja, cujas celebrações se aproximam. O próximo mês de outubro será um mês peculiar por motivo da coincidência de diversas grandes celebrações. Tocam-nos muito de perto e aumentam os motivos de nossa alegria e de comemoração, os sessenta anos de fundação da CNBB, que serão completados em 14 de outubro próximo e que teremos a oportunidade de, em conjunto, celebrar durante esta Assembleia.

Na agenda da Igreja universal consta, neste ano, a comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, acontecimento eclesial de grande magnitude, iniciado em 11 de outubro de 1962. Em outubro deste ano, comemoram-se também os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica. Para colaborar na difusão do Catecismo, foram elaborados também o Compêndio do Catecismo e, recentemente, o You Cat Brasil, publicado pela Paulus, e mais voltado aos jovens.

Coincidindo com o 50º aniversário do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica, terá início em 11 de outubro vindouro um especial Ano da Fé, que o Santo Padre proclamou com o propósito de que ele seja “um momento de graça e de compromisso para uma conversão a Deus cada vez mais completa, para fortalecer a nossa fé n’Ele e para O anunciar com alegria ao homem do nosso tempo.” (Homilia, 16/10/2011).

Ainda em outubro do corrente ano, com a mesma motivação que inspirou a instituição do Ano da Fé, será realizada, entre os dias 7 e 28, a 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Bento XVI, e que tem por tema “A Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã”.
Queridos irmãos e irmãs: estamos no Tempo Pascal. Temos ainda bem presentes e muito vivas em nosso coração as ricas celebrações da Semana Santa, sobretudo as do Tríduo Pascal. É com a luz que recebemos da celebração da Páscoa do Senhor que, nesta 50ª Assembleia Geral, vamos nos dedicar ao aprofundamento do tema central “A Palavra de Deus na animação da vida e da ação evangelizadora da Igreja”. Temos o plano de finalizar, querendo-o Deus, este documento, e oferecer à Igreja no Brasil um válido instrumento de renovação e crescimento, pois, como afirmou o Concílio na Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus, “é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre»” (nº. 26).

A primeira leitura da Santa Missa de hoje recorda-nos precisamente a centralidade da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Os Sumos Sacerdotes do Templo e os partidários de Herodes, movidos pela inveja por causa dos inúmeros prodígios que Deus realizava por meio dos Apóstolos, mandaram prendê-los. Mas eles foram libertados pelo Anjo do Senhor, que lhes determinou continuassem a pregar com ousadia. Como não nos recordar do Mistério Pascal de Cristo? A prisão e a libertação dos Apóstolos são como que um prolongamento eclesial do mistério da Morte e da Ressurreição do próprio Senhor. A Palavra da Vida não pode ficar aprisionada na morte.

Chama particularmente nossa atenção a indicação que o Anjo faz a respeito do conteúdo que deveria ser pregado pelos Apóstolos: “Tudo o que se refere àquele modo de viver” (At 8, 20). Uma tradução mais literal diz: “tudo o que se refere àquela Vida”. Não uma teoria ou uma simples doutrina, mas um ensinamento a respeito de um modo de viver, de uma forma de vida. Trata-se, portanto, da vida cristã como participação na vida de Cristo que, “imolado, já não morre; e, morto, vive eternamente” (Prefácio da Páscoa III). Na carta aos Filipenses, São Paulo afirma que Jesus Cristo tomou a nossa “forma” (Fl2,6-7), tornou-se semelhante a nós. Agora, ressuscitado, nos concede participar da sua “forma de vida”, e isso é o que deve ser anunciado com ousadia.

Na Carta Apostólica Porta Fidei, o Papa Bento XVI afirma que “em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição” (nº 6). Portanto, é pela fé que se participa da Vida de Deus, que se entra nesse “modo de viver”. A última parte da resposta de Jesus a Nicodemos, que foi proclamada hoje no Evangelho, começa apresentando o motivo da Encarnação, Paixão e Ressurreição de Cristo: o amor infinito de Deus. “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). É essa a oferta que Deus continua a fazer ao mundo todo, por meio de sua Igreja, como nos recordou, com precisão, a primeira leitura. O amor de Deus, que O levou a dar-nos Seu Filho, é o mesmo motivo que O leva a determinar que o Evangelho seja pregado: para que todos, em Cristo, tenham a vida eterna, a luz, a verdade. Que todos possam encontrar a salvação, que é comunhão com Deus, com o amor da Trindade Santa.

Caríssimos irmãos e irmãs: a cada um de nós, a cada cristão, está confiado o dom desse imenso amor. A cada um de nós é também confiada a missão de anunciá-lo ao mundo, com “ousadia”, com entusiasmo. O testemunho de nosso “modo de viver” é necessário para que esse anúncio seja acreditável, acolhido e produza frutos.

Que esta 50ª Assembleia Geral da CNBB nos ajude nessa missão. Para isso nos confiamos à Virgem Mãe Aparecida que aqui nos acolhe e intercede por nós, para que, no amor salvador de Deus, e guiados pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, continuemos a “evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo” (DGAE, Objetivo Geral).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Missa pela Vida - Santuário Nacional - 12.04.12






Estamos no tempo pascal, período de 50 dias que se estende até a Solenidade de Pentecostes. A Igreja nos convida a viver, de modo particular neste tempo, da presença do Ressuscitado e do seu ensinamento.

Neste tempo pascal, a primeira leitura das missas é sempre um texto tirado do livro dos Atos dos Apóstolos, de tal maneira que isso facilita o acompanhamento do crescimento e da expansão da Igreja Católica no primeiro século do cristianismo, graças à pregação dos discípulos de Cristo e à ação do Espírito Santo.

A missão da Igreja nunca foi fácil e desde o começo, como se pode ver pelos Atos dos Apóstolos, a Igreja teve que enfrentar perseguição, indiferença, desprezo. A sua força, seu poder não está na dominação de um povo, na imposição de seus ensinamentos, mas no anúncio da Boa Nova do Evangelho, que é mensagem do amor a Deus e ao próximo, em especial, ao nosso semelhante mais frágil, indefeso, às vítimas de injustiça.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do aborto de bebês anencéfalos ainda terá a sua votação final.

Seja qual for a decisão do Supremo Tribunal, é importante recordar que o direito à vida é um direito fundamentado na natureza do homem, independente de religião ou de credo. A vida humana é sempre um dom gratuito e o primeiro e o maior dos direitos humanos sobre o qual os outros direitos se fundamentam, e como tal deve ser acolhida e defendida sem pré-condições. O amor verdadeiro consiste em doar-se sem reservas. Além disso, o direito à vida é garantido, de forma clara, pela Constituição do Brasil, em seu artigo 5º. que diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”. Vale também recordar que nem tudo que é legal é ético e moral. Portanto, o fato de alguém não ser penalizado pela prática do aborto de um bebê anencéfalo, por uma eventual decisão do STF, não exime ninguém da responsabilidade e do dever de seguir a sua consciência moral, guiada pela reta razão e a lei divina.

Nesta Celebração Eucarística e na Adoração a Jesus no Santíssimo Sacramento após a missa, queremos rezar, atendendo ao pedido da Igreja no Brasil, a CNBB, por todos que cuidam e zelam pela vida humana, desde o seu início no ventre materno e a defendem e a promovem até o seu fim natural. Queremos rezar, de modo especial, pelas mães e os pais que geram e acolhem a vida de seus filhos, com um amor capaz de suportar tudo para defender a vida de seus filhos, convencidos de que a vida é dom e graça e está nas mãos do Senhor Deus. O discípulo de Cristo sabe que o Ressuscitado traz em seu corpo glorioso as marcas da paixão, e aquele que o segue sabe que seu seguimento é exigente e com Jesus é possível levar a própria cruz e vencer o próprio egoísmo. “Quem quiser seguir-Me, negue a si mesmo, carregue a sua cruz e Me siga” (Mc 8,34).

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Páscoa - Santuário Nacional - 08.04.12


É páscoa, queridos irmãos e irmãs! Deus ressuscitou Jesus que passou deste mundo para junto do Pai, de onde ele veio para nos salvar e apontar o caminho a seguir, que é Ele mesmo, para chegar a pátria definitiva, pois somos cidadãos do céu e não temos aqui morada definitiva. “Este é dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos.” Com a ressurreição de Cristo uma luz brilhou na escuridão de nossas vidas destinadas à morte. Com Ele, a barreira da morte já não é mais intransponível. Ela é uma porta que se abre para a vida em plenitude com Cristo.

O evangelho que escutamos nos diz que Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, e viu que a pedra que tinham colocado na entrada do sepulcro tinha sido retirada do túmulo.

Maria Madalena foi correndo encontrar a Simão Pedro e João e lhes disse: “tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram.”

Pedro entra no sepulcro vazio, vê “as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, enrolado num lugar à parte”, e não entende nada. A reação de João foi completamente distinta: “Ele viu e acreditou”, diz o evangelho. João não necessitou de outras provas. O que ele viu foi suficiente para crer na ressurreição de Jesus e se recordou então que as Escrituras já haviam anunciado que Jesus haveria de ressuscitar. Como Maria Madalena, nós também nos perguntamos: onde está o Cristo ressuscitado? onde podemos encontrá-lo? Cristo ressuscitado continua vindo ao nosso encontro na leitura e na meditação da Sagrada Escritura que é palavra de Deus escrita por inspiração do Espírito Santo. Encontramos Jesus Cristo de modo admirável, na Sagrada Liturgia; na Eucaristia, lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo; no sacramento da reconciliação, onde Cristo nos dá o dom de seu perdão; na oração pessoal e comunitária; na comunidade que vive a fé e o amor fraterno; nos pobres, aflitos e enfermos.

Assim como Maria Madalena, Pedro e João viram e creram no Cristo ressuscitado e se tornaram apóstolas suas, e partiram para anunciar a boa nova do Evangelho, assim também nós que confessamos a fé no Cristo Ressuscitado, devemos segui-lo e dar testemunho de nossa fé por uma fé vivida segundo o evangelho. A partir da ressurreição de Cristo, os cristãos, até hoje, se reúnem no primeiro dia da semana, isto é, no domingo, Dia do Senhor, para celebrar e anunciar o novo mundo que começa, a nova criação que esperamos, na qual habitará a justiça (II Pd 3,13). São Paulo nos recorda na segunda leitura de hoje que pelo batismo fomos sepultados e ressuscitados com Cristo para uma vida nova e quando Cristo, nossa vida, aparecer em seu triunfo, então, nós apareceremos com ele, revestidos de glória.

No próximo dia 11/04, quarta-feira da 1ª. Semana de Páscoa, o Supremo Tribunal Federal julgará, em sessão extraordinária, a possibilidade legal do aborto de fetos anencefálicos. A CNBB, por meio sua presidência, convida a todas as Dioceses, paróquias e comunidades a promoverem, às vésperas do julgamento, uma Vigília de Oração pela Vida. Participem da Vigília e envie, também, sua mensagem manifestando sua posição contrária à legalização do aborto para atendimento@stf.jus.br
A todos os presentes e aos que nos acompanham pelos meios de comunicação, meus votos de feliz e santa Páscoa celebrada na alegria do Cristo ressuscitado que com sua ressurreição destruiu a morte com a própria morte e deu-nos a vida para que, feitos filhos de Deus, exclamemos no Espírito: Abbá-Pai. Alegremo-nos, no Senhor, queridos irmãos e irmãs, pois Cristo Ressuscitou verdadeiramente, dentre os mortos. Ele venceu a morte, aleluia, aleluia!