segunda-feira, 19 de março de 2012

4º Domingo da Quaresma - Santuário Nacional


As três leituras deste domingo da quaresma devem despertar em todos nós uma grande confiança em Deus, porque todas elas nos falam do imenso o amor de Deus para conosco, de sua infinita misericórdia.

O texto do II livro das crônicas descreve um período dramático da história do povo de Israel. A cidade de Jerusalém foi conquistada duas vezes por Nabucodonosor, o templo destruído e o povo deportado para a cidade da Babilônia. Tudo isso, fruto da infidelidade de Israel à aliança com Deus. Deus, porém, se compadeceu de seu povo e através do rei Ciro que conquistou Babilônia, libertou o povo de Israel e o conduziu de volta a sua terra e o templo de Jerusalém foi reconstruído.

Deus é fiel e misericordioso. Ele nunca nos esquece, nem nos abandona, nós é que, muitas vezes, lhe voltamos às costas. Israel foi descobrindo durante sua história que Deus só tinha uma razão para se revelar a ele e escolhê-lo como povo eleito entre todos os povos: seu amor gratuito. Israel compreendeu também que por amor, Deus não desistiu de salvá-lo e perdoar os seus pecados, a sua infidelidade. No Novo Testamento, o amor de Deus se nos manifestou de uma maneira ainda mais evidente, mais tangível, e dirigido a todos os povos, sem distinção. Deus é rico em misericórdia e nos amou tanto que nos enviou o seu próprio filho Jesus, não para condenar o mundo, mas para que nós sejamos salvos por ele, afirmam São Paulo na Carta Efésios e São João no evangelho.

Esta é a razão porque Deus nos deu o seu único Filho: por amor, para a nossa salvação, e para que tenhamos a vida eterna.

Jesus é o maior presente que Deus Pai deu ao mundo e a nós cabe nos aproximar dele, acolhê-lo na fé, que é um dom de Deus, viver unido a Ele, e, por isso, a necessidade de pedir a Deus a graça da fé.

Aquele que crê no Filho de Deus, aquele que o aceita pela fé, possui desde já a vida verdadeira e definitiva que chegará à plenitude na eternidade quando se manifestar o que somos de fato desde o batismo: filhos de Deus e cidadãos do céu. Esta vida de união com Deus pela graça só pode ser destruída pelo pecado.

A vida de união com Deus no plano espiritual e sobrenatural e a esperança de vida eterna, não exige que renunciemos a nossos desejos de felicidade também nesta terra, pois Deus “tudo criou para que de tudo desfrutemos” (1 Tm 6, 17). A Igreja não se preocupa só com a vida eterna, como afirmam alguns, embora o anúncio do evangelho para a salvação de todos é a tarefa primordial da Igreja. As situações desumanas em que vivem muitos dos nossos irmãos contradiz o projeto de Deus para a humanidade e não pode deixar a nós cristãos indiferentes. A nossa fé em Jesus Cristo deve impelir mais do que aqueles que não têm fé a trabalhar pela construção de um mundo no qual todos possam desenvolver em plenitude sua existência humana, um mundo que seja sinal do Reino definitivo, reino de justiça e de paz, que esperamos.

Estamos na quaresma, tempo de conversão, de reconciliação com Deus e com os irmãos. Todos somos pecadores, por isso necessitamos acolher o perdão que Deus nos oferece no sacramento da reconciliação, e nos prepararmos para experimentar as alegrias pascais da ressurreição de Jesus.

segunda-feira, 5 de março de 2012

2º Domingo da Quaresma - Santuário Nacional


A primeira leitura da liturgia da palavra deste domingo narra a dura prova a que foi submetido o Patriarca Abraão. Deus pediu a Abraão o sacrifício do seu filho único Isaac, o herdeiro das promessas. Abraão obedeceu cegamente e Deus retribuiu esta confiança inquebrantável, livrando seu filho de ser sacrificado e renovando as promessas feitas a Abraão: “Te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar”. A história de Isaac mostra que Deus nunca abandona seus projetos de vida para os homens.

Paulo na carta aos Romanos faz uma leitura do sacrifício de Isaac à luz do sacrifício de Cristo e afirma que Deus não poupou o seu próprio Filho, ao contrário, o entregou por todos nós. Este é o grande mistério do amor de Deus. Ele amou tanto o mundo que nos enviou o Filho unigênito que morreu por nós, ressuscitou e está sentado à direita do Pai e intercede por nós. Por meio do sacrifício de Jesus Cristo é que Deus nos salvou. Como a Abraão e ao apóstolo Paulo, nos tocam, muitas vezes, momentos difíceis de sofrimentos, de cruz, mas a certeza de que Deus nos ama e está conosco nos fortalecerá e nos ajudará a não recuar no caminho da fé. “Se Deus está por nós, quem estará contra nós?”

No evangelho, Marcos descreve a experiência de Pedro, Tiago e João, da transfiguração de Jesus, no alto de um monte. No meio das nuvens, ouvem uma voz que diz: “este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz”. Em Jesus, Deus vai selar uma aliança nova e definitiva com a humanidade. Somente depois da morte e ressurreição de Jesus, é que os três apóstolos compreenderão a experiência da transfiguração. Esta experiência permitiu aos apóstolos antever o final glorioso da paixão e morte de Jesus, mas eles deverão antes escutar e seguir o Mestre até a paixão e morte de cruz.

O tempo da quaresma nos convida a aprofundar-nos no amor de Deus para conosco por meio da contemplação amorosa da cruz. Uma das práticas piedosas do povo cristão neste tempo é o exercício da Via-Sacra. A meditação da paixão e morte de Jesus através das estações da Via-Sacra nos enche de paz, serenidade, esperança, amor e perdão.

Os romeiros que vem a Aparecida não deixam de subir o Morro do Cruzeiro, com sacrifício,meditando e rezando, diante dos quadros da Via-Sacra. É certamente, um momento de graça para todos os romeiros, sobretudo, neste tempo da quaresma. Você pode fazer este exercício de piedade também em sua paróquia ou comunidade e até mesmos em casa.

Da contemplação serena da paixão de Cristo, brotará, certamente, um desejo profundo de ajudar o irmão sofredor que está próximo de nós. Que a meditação da paixão de Cristo nesta quaresma nos ajude a nos comprometermos mais com os irmãos enfermos, como nos propõe a CF. Que esta Campanha, como afirma o Papa Bento XVI, “suscite, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e leve a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável.” A paixão de Cristo nos revela que somos pecadores e necessitamos da misericórdia do Pai. Foi por causa de nossos pecados que Cristo morreu na cruz para a nossa salvação.

Aproveitemos também deste tempo quaresmal para experimentar a misericórdia, o perdão, o amor de Deus no sacramento da penitência, para recuperar a graça divina e nos fortalecer no combate contra o pecado, contra o mal.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

1º Domingo da Quaresma 2012


Na quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo litúrgico da quaresma, tempo de preparação para a Páscoa de Cristo e a nossa páscoa. A tradição cristã inspirada no Evangelho recomenda algumas práticas penitenciais que podem nos ajudar neste tempo quaresmal, no processo de nossa conversão e de seguimento de Jesus: a oração, a esmola e o jejum.

Na quaresma, a Igreja nos convida a dedicar um pouco mais de tempo à oração, à leitura da palavra de Deus e a nos aproximar do sacramento da penitência, para nos reconciliar com Deus e nossos irmãos. Há outras práticas de piedade como fazer o exercício da via-sacra, a reza do terço, participar dos grupos de oração e reflexão sobre o tema da CF, e muitas outras práticas religiosas que podem ajudar a viver o espírito da quaresma.

A prática da esmola é uma forma de ajudar o outro em suas necessidades imediatas, mas pode-se também ajudar o outro, ao participar, em parcerias com outras pessoas ou entidades, na construção de uma sociedade mais segura e com paz, como nos propõe a CF deste ano, cujo tema é: “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra”

A prática do jejum não está muito em voga em nossos dias. Muitas pessoas praticam o jejum, como escreve o Papa Bento XVI, na sua mensagem para a Quaresma, apenas como uma terapia para o corpo, para manter a forma, a beleza física, a saúde. Para o cristão, o jejum ajuda a mortificar nosso egoísmo, a controlar nossos instintos, a abrir mais nosso coração ao amor de Deus e do próximo. Jejuar é privar-se livremente de alguma coisa para ajudar o outro. O que se poupa nesta quaresma com o seu jejum, poderá ser oferecido para o Fundo de Solidariedade da CF, na coleta, no Domingo de Ramos ou para outras obras beneficentes. É importante que os pais ensinem seus filhos a renunciar a alguma coisa de que eles gostam para ajudar o outro mais necessitado. É desde cedo que se aprende a ser solidário.

Noé, salvo das águas de dilúvio, afirma São Pedro, na sua carta de hoje, é símbolo da humanidade salva e regenerada nas águas do batismo que nos faz filhos de Deus em virtude da ressurreição de Jesus Cristo.

Jesus, após o seu batismo, foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi posta à prova sua fidelidade filial ao Pai. Jesus rejeitou o caminho de Satanás e permaneceu fiel a missão que o Pai lhe confiou. Jesus começa sua missão anunciando que “o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho”. Com Jesus começou o tempo definitivo da salvação, que se concluirá com sua segunda vida no final dos tempos.

Agora é o tempo favorável, não haverá outro tempo; outra oportunidade; por isso, a ordem de Jesus: “convertei-vos e crede no evangelho.” O Reino de Deus se fez presente na pessoa e nas obras de Jesus e acontece onde as pessoas fazem a vontade de Deus. Este Reino não é um reino de poder, dominação, mas um reino de justiça, de amor e de paz. Que a quaresma, seja para todos nós, tempo de conversão, isto é, de crescimento no amor de Deus e do próximo para chegarmos à Páscoa, ressuscitados para uma vida nova.

“Que a CF deste ano desperte, a partir de uma reflexão sobre a saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável” (Bento XVI)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

6º Domingo do Tempo Comum - Inauguração do Centro de Eventos "Padre Vitor Coelho de Almeida"


A primeira leitura tirada do Livro do Levítico nos prepara para escutar e compreender melhor o Evangelho que foi proclamado há pouco.

No tempo de Jesus, a lepra além de ser uma doença grave, ela era motivo de exclusão social e religiosa. O leproso vivia em cavernas ou túmulos longe do convívio com a sociedade e também não podia participar do culto. O leproso naquela época vivia, portanto, não só longe dos homens, mas também, longe de Deus.

No livro do Levítico, do qual escutamos, hoje, somente um pequeno trecho, há dois capítulos que falam das normas que devem regular as relações com os leprosos.

No evangelho, percebemos a grande diferença de atitude tanto do leproso quanto de Jesus em relação a primeira leitura. O leproso se aproxima de Jesus e num gesto de humildade, ajoelha-se diante de Jesus e suplica: “Se queres, tem o poder de curar-me”. Jesus toca o leproso, correndo o risco de se contaminar. A confiança do leproso, sua humildade despertam a compaixão de Jesus. Jesus estendeu a mão, toco-o e lhe disse: “Eu quero: fica curado”. Jesus se solidariza com aquele homem e o cura, não por dinheiro, ou outro interesse qualquer, mas o faz, gratuitamente, e sem alarde.

Hoje, há pessoas anunciando curas, milagres por atacado, até pelo rádio e TV. E pior ainda, prometendo em nome de Deus, prosperidade, bens materiais, milagres, dependendo, é claro, da generosidade do doador, para receber o benefício de Deus. Deus nos ama infinitamente e gratuitamente, a ponto de seu filho Jesus dar a sua vida na cruz por todos nós pecadores. Ao contemplar Jesus crucificado, não podemos mais duvidar do amor de Deus por nós. Ele continua nos amando, dando-se como alimento e bebida para nós, em cada eucaristia, alimento e bebida de vida eterna.

Hoje, estamos inaugurando o Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida, missionário redentorista, conhecido e admirado em todo o Brasil, não só pela sua santidade, mas pelo seu trabalho pioneiro de evangelização através dos meios de comunicação, especialmente, da rádio Aparecida.

O processo de beatificação do Pe. Vitor já se encontra em Roma, na Congregação para a Causa dos Santos, aguardando o reconhecimento de um milagre obtido por sua intercessão, para ser declarado bem-aventurado pela Igreja.

Todo cristão, discípulo de Cristo, é chamado à santidade e esta consiste em sintonizar diariamente nossa vida com a vontade de Deus, conforme a vocação que abraçamos, seja como sacerdote, religioso, casado, consagrado no mundo. “Ser santo, como dizia, o Pe. Vitor, é viver na graça de Deus, em comunhão íntima com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A graça santificante nos torna parecidos com Deus. Viver na graça santificante é viver já, aqui e agora, na fé, a presença de Deus em nós, e nós Nele, presença que, após esta vida terrena, se manifestará plenamente. Se pudéssemos ver alguém penetrado pela graça santificante,pensaríamos estar vendo o próprio Deus, afirmava o Pe. Victor Coelho.

Que o exemplo dos santos e santas, em particular, do Pe. Victor no leve a viver uma vida santa, que é a vocação fundamental de todo cristão, pois fomos criados para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e gozar de sua visão na eternidade. Esta é a meta de nossa vida e não realizá-la seria, certamente, o maior fracasso de nossa existência.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

5º Domingo do Tempo Comum - Encontro Nacional dos Presbiteros


Os padres conciliares do Vaticano II, no final do Decreto sobre o “Ministério e a Vida dos Presbíteros” expressou seu afetuoso agradecimento a todos os presbíteros do mundo inteiro pelo seu trabalho apostólico. Ao concluir o 14º. Encontro Nacional dos Presbíteros, com esta celebração eucarística, no Santuário Nacional, desejo expressar, em nome da CNBB, meu sincero agradecimento a todos os presbíteros do Brasil pelo trabalho pastoral realizado em um mundo marcado por profundas mudanças, que afetam e desafiam a vida e o ministério de nossos padres, mas que, oferecem também novas possibilidades que vão permitindo adaptações necessárias no exercício do ministério presbiteral, sem perder de vista a sua identidade e a sua missão.
O evangelho de Marcos que, neste ano, é o evangelho característico dos domingos comuns do ciclo B, do ano litúrgico, narra no texto que acabamos de escutar, a intensa atividade de Jesus até consumar sua vida terrena crucificado numa cruz.

Jesus não limita sua atividade à cidade de Cafarnaum. “Devo pregar em outros lugares”, disse Jesus a Simão e, por isso, vai às aldeias da redondeza e percorre toda a Galiléia. Visita sinagogas, onde os judeus se reúnem, e explica as Escrituras; perdoa pecados, expulsa demônios e cura doentes, libertando-os de toda forma de escravidão, e integrando-os novamente na vida do povo de Deus.
Em meio a tanta atividade, só lhe resta a noite para descansar e é então quando Jesus aproveita para retirar-se num lugar deserto e rezar, enquanto os outros dormem. “De madrugada, diz São Marcos, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.”
Jesus fundamenta sua missão na oração a qual dedica todo o tempo necessário e em lugar apropriado. Do encontro pessoal com o Pai, brota para Jesus o discernimento e a força em sua missão, pois os obstáculos e os interesses adversos que se opõem a Deus são muitos. O Jesus missionário é o Jesus da intimidade com seu Pai, porque sua missão é sair ao encontro do povo para dar testemunho de que Ele é seu Filho que vive com alegria o amor de seu Pai, de seu Deus.

O Vaticano II no Decreto sobre “A Vida e a Missão dos Presbíteros”, descreve a identidade e a missão do presbítero ao afirmar que os presbíteros pelo sacramento da Ordem são configurados com Cristo Cabeça para a construção e edificação do seu Corpo que é a Igreja, como cooperadores da ordem episcopal (PO 12). O presbítero, portanto, pelo sacramento da Ordem, está marcado com um caráter especial e configurado ao Cristo pastor, de tal modo que pode agir em seu nome, como “alter christus”, outro Cristo, a serviço da Igreja corpo místico de Cristo e Povo de Deus, em comunhão com seu Bispo e em fraterna união com o presbitério.
Como pastor, a exemplo de Jesus, o padre, em virtude de sua vocação e missão, deve conhecer, amar e alimentar o povo confiado aos seus cuidados pastorais com a Palavra, com os sacramentos e dedicar-se totalmente a todos, especialmente, aos mais necessitados. Como diz o lema deste 14º. Encontro Nacional, “o presbítero é escolhido entre os homens e constituído em favor da humanidade”. “O Padre não pode estar separado do povo de Deus, nem de qualquer pessoa, mas entregar-se totalmente a obra para qual Deus o assume” (PO3). Ele não está a serviço de uma facção ou ideologia, mas age como anunciador do evangelho e pastor da Igreja, para conduzir todos a Deus.
Como Jesus, o Presbítero deve encontrar, no exercício do seu ministério, o tempo necessário para o encontro pessoal com o Pai, com Cristo, mediante a oração e, sobretudo, mediante a celebração eucarística, pois como disse Jesus: “Quem permanece em mim e eu nele, dará muito fruto; pois sem mim não podeis fazer nada” (Jo 15,5).

Nesta Eucaristia louvemos e agradeçamos a Deus pela vida, a vocação e o trabalho pastoral de nossos padres, e peçamos a Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida que proteja e abençoe os nossos sacerdotes e conceda a Igreja numerosos, preparados e santos pastores.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quaresma: despertar da consciência cristã para conversão e penitência


Iniciamos no próximo dia 22 de fevereiro, na quarta-feira de Cinzas, o tempo da quaresma, tempo de preparação para a celebração da Páscoa de Cristo e nossa páscoa. A quaresma tem por objetivo despertar a consciência cristã para a necessidade de conversão e de penitência.

O Santo Padre Bento XVI diz que a quaresma nos oferece “uma ocasião providencial para aprofundar o sentido e o valor de ser cristão e nos estimula a descobrir de novo a misericórdia de Deus para que também nós cheguemos a ser mais misericordiosos com nossos irmãos”.

Jesus, no evangelho, resume este tempo de conversão em três práticas fundamentais: a oração, o jejum e a esmola. Estas práticas devem ter Deus como objetivo único de sua ação. Portanto, ao praticarem estas ações, lembrem-se: “... quando deres esmola, não te ponhas a trombetear em público, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o propósito de ser glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a recompensa. Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz tua direita, para que tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará” (Mt, 6, 2-4). Da mesma forma, quando rezarem, não o façam para serem louvados pelos outros: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua porta, ora ao teu Pai que está lá, no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará “ (Mt 6, 6). A mesma atitude de humildade e recolhimento se aplica ao jejum: “Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio como fazem os hipócritas, pois eles desfiguram seu rosto para que seu jejum seja percebido pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge tua cabeça e lava teu rosto, para que os homens não percebam que está jejuando, mas apenas teu Pai, que está lá no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.” (Mt, 6, 16-18).

Estes exemplos da esmola, da oração e do jejum devem ser multiplicados entre nossos irmãos, com espírito de humildade, sem esperar agradecimentos ou elogios. A recompensa virá de Deus e esta é justa e infinita.

Na Quarta-Feira de Cinzas, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, a Campanha da Fraternidade. Este ano de 2012, a CF terá como tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra”. O objetivo desta Campanha é refletir sobre a realidade da saúde no Brasil e mobilizar o cidadão a exigir das autoridades competentes a melhoria do sistema público de saúde, para que todos tenham acesso a esse direito fundamental da pessoa humana.

Caros leitores (as), espero que vocês possam aproveitar, ao máximo, este tempo tão especial que a Igreja nos oferece em preparação para a Páscoa. Boa quaresma a todos!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Natal do Senhor Jesus - 2011 Santuário Nacional


Noite santa porque nesta noite celebramos o nascimento do Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Hoje desceu do céu sobre nós a verdadeira paz. Exultemos de alegria no Senhor.

Alegremo-nos, exultemos, demos graças a Deus e felicitemo-nos mutuamente, porque como anunciou o profeta Isaias “nasceu para nós um menino: foi-nos dado um filho; ele traz nos ombros a maca da realeza; o nome que lhe foi dado é: conselheiro admirável, Deus forte, pai dos tempos futuros, príncipe da paz.”. E o anjo anunciou aos pastores da região de Belém, na noite do nascimento de Jesus, “não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor”.

Apenas duas vezes no decorrer do ano, a Igreja nos convoca para rezar de noite: na noite de Natal e na noite da Vigília Pascal. Duas noites que nos falam de um único mistério. Nesta noite de Natal, celebramos o início de nossa redenção, da nossa salvação. “Nesta noite a graça de Deus, manifestou-se trazendo a salvação para todos os homens”. Na noite da vigília pascal, celebramos a plenitude da salvação realizada pela paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No Natal é Deus que se fez homem, um de nós; na Páscoa somos nós que nos tornamos filhos de Deus pelo Espírito Santo derramado em nossos corações. No Natal como na Páscoa, Jesus é o protagonista da história da nossa salvação.

No evangelho desta noite, Lucas mostra-nos que a história está nas mãos de Deus. Através do decreto do Imperador César Augusto, o mais célebre imperador de Roma, Deus prepara o nascimento do Salvador do mundo.

O imperador baixou um decreto ordenando o recenseamento do mundo inteiro. José por ser da família e descendência de Davi, partiu para Belém, sua cidade, juntamente, com sua esposa, Maria, que estava grávida, para registrar-se com ela.

Numa noite santa produziu-se o encontro perfeito entre Deus e o homem em Jesus. Em Jesus estava Deus e o homem. Ele é Deus e homem. O céu e a terra se encontram e Maria é essa ponte de união entre o divino e o humano.

Deus veio ao nosso encontro, abaixou-se, assumiu totalmente a natureza humana para que o homem fosse elevado, divinizado. Esse é o fundamento da dignidade sagrada e inviolável da pessoa humana. Ao unir-se a cada um de nós, Jesus Cristo nos conferiu uma dignidade singular. O valor da pessoa humana é tão grande que o próprio Deus se fez homem.

Essa é a mensagem, a lição perene do Natal de Jesus. Nós cristãos, católicos, estamos convidados, em cada Natal, a redescobrir esse mistério do amor infinito de Deus para conosco e a testemunhá-lo no nosso ambiente social a fim de construirmos um mundo de paz, fruto da justiça, da solidariedade e do perdão.

Hoje é Natal, mas para quem ama, todo dia é, de certa maneira, Natal em seu coração, porque onde há o amor, a caridade, Deus aí habita. Acolhamos Jesus que vem ao nosso encontro nesta Eucaristia para nos renovar, nos transformar para nos fazer instrumentos na construção de um mundo mais humano, de uma vida mais digna para todas as pessoas, sobretudo, para as que sofrem e as mais necessitadas.

A todos os presentes, aos diocesanos, padres, consagrados e fiéis que estão unidos a nós nesta celebração, a todos os missionários redentoristas, que exercem seu trabalho pastoral, com tanto zelo e dedicação, na Arquidiocese de Aparecida, meus votos de Feliz e Santo Natal e que o Menino Jesus, o Príncipe da Paz, abençoe a todos e conceda a todos a sua paz.