quinta-feira, 31 de maio de 2012

Celebrações de junho


Neste mês de junho, celebramos algumas datas importantes: a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, conhecida, tradicionalmente, como festa de “Corpus Christi” (neste ano, dia 07/06) ; a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (15/06); Santo Antônio (13/06); São João (24/06); São Pedro (29/06).
A solenidade de Corpus Christi foi instituída no final do século XIII, na Bélgica, a partir de um movimento eucarístico nascido na Abadia de Cornillon, em Liége. Em 1264, o Papa Urbano IV, estendeu essa festa a toda a Igreja.
Jesus, antes de sua ascensão aos céus, havia dito aos seus discípulos: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).
De fato, Jesus está presente realmente entre nós de muitas maneiras. Na comunidade reunida em seu nome: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20); na pessoa de nosso irmão mais necessitado: “cada vez que fizestes isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”; na Sagrada Escritura, palavra de Deus, quando lida e meditada à luz da Tradição, dos Padres da Igreja e do Magistério.
Há, porém, uma presença singular, a de Cristo na eucaristia, porque depois da consagração, sob os sinais sacramentais do pão e do vinho, encontra-se presente Cristo total na sua “realidade física”, inclusive, corporalmente. Após a celebração eucarística, Jesus continua presente no pão consagrado, por isso devemos adorá-lo na hóstia consagrada que se conserva nos sacrários, nas nossas igrejas. Santo Afonso de Ligório dizia “que a devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós” e a visita ao Santíssimo Sacramento é uma expressão do amor e da fé do povo de Deus à Santíssima Eucaristia.
Ainda, em junho, no dia 15, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja celebra a “Jornada Mundial de Oração pela Santificação do Clero.” A expressão da Sagrada Escritura. “esta é a vontade de Deus: a vossa santificação!” (1 Ts 4,3), embora dirigida a todos os cristãos, refere-se, de modo particular, aos sacerdotes, porque ao responderem ao convite de “santificar-se”, assumem também o compromisso de se tornarem “ministros da santificação”. Por isso, peço a todos os fiéis que se unam em oração pelos sacerdotes do mundo inteiro, e em especial, pelos padres desta Arquidiocese, para que sejam obedientes e fiéis a missão que o Pai lhes confiou.
Na oportunidade, felicito o CAP (Centro Arquidiocesano de Pastoral) da Arquidiocese de Aparecida pelo seu Jubileu de Prata de criação, a ser comemorado no próximo dia 27. A todos aqueles que, ao longo destes 25 anos, ajudaram a construir esta história e aos que hoje fazem parte desta caminhada, colocando-se, voluntariamente, a serviço desta Igreja Particular, o meu sincero muito obrigado. Que Deus os recompense pelo importante trabalho de coordenação de pastoral que realizam nesta Arquidiocese, que está sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

Solenidade de Pentecostes - Santuário Nacional


Celebramos hoje a Festa do Divino Espírito Santo ou a Solenidade de Pentecostes. O envio do Espírito Santo dependia da glorificação de Jesus e de sua volta ao Pai de onde Ele veio. “Para vós convém que eu vá! Se eu não for o Consolador não virá para vós: se eu for, eu vo-lo enviarei, disse Jesus aos discípulos, na última ceia” (Jo 16,7). 
Nos Atos dos Apóstolos, Lucas situa  a descida do Espírito Santo sobre os discípulos reunidos em oração com algumas mulheres, a mãe de Jesus e seus parentes, cinquenta dias após a Páscoa.
Lucas descreve o acontecimento de Pentecostes com uma linguagem cósmica, utilizando os símbolos do fogo, do vento, para expressar a força e o poder do Espírito Santo que se apoderou de tal maneira daquela primeira comunidade cristã, que os discípulos adquiriram uma capacidade de comunicação que, de certo modo, eliminou a antiga confusão de línguas originada com a torre de Babel.
No evangelho de hoje, João conta que os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado apareceu-lhes  no primeiro dia da semana, no mesmo dia da ressurreição e ao reconhecê-lo os discípulos recobraram o ânimo, a alegria. Jesus comunicou-lhes o Espírito Santo e os enviou para continuar sua missão na terra, com a assistência do Espírito Santo. Deu-lhes também o poder de perdoar pecados. “Como o Pai me enviou, eu vos envio. A quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; a quem mantiverdes, ficarão mantidos.” (Jo 20, 21-22).
Pentecostes é a manifestação pública da Igreja chamada a anunciar o Evangelho de Cristo, com a força do Espírito a todos os povos da terra até o fim do mundo.
O Espírito Santo é chamado “a alma da Igreja” porque realiza na Igreja uma função semelhante àquela da alma no nosso corpo.
O mesmo Espírito que nos primórdios do mundo pairava sobre as águas e as encheu de vida; que inspirou os profetas;  que fecundou o seio de Maria e fez dela a mãe do Filho de Deus; que ressuscitou Jesus dentre os mortos; que desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, é o mesmo Espírito que, agora, no séc. XXI, continua a santificar, animar, conduzir e impulsionar a  Igreja para a missão.
É ele que estabelece na Igreja os pastores; que guia a comunidade e seus dirigentes; que a impele para a missão; que rejuvenesce e renova continuamente a Igreja. Ele é a força secreta da Igreja e de sua missão no mundo.
Quem não tem fé não pode compreender a Igreja como obra de Deus e ao observá-la somente nos seus aspectos exteriores, não consegue captá-la na sua profundidade.
O Espírito Santo não atua somente na Igreja, mas no mundo, na história, no coração de cada homem. Por isso, onde há justiça, perdão, alegria sincera, solidariedade, amor, paz, aí está agindo o Espírito Santo.
Agradeçamos ao Pai por nos ter dado, por meio de Jesus, o Espírito Santo no nosso batismo que nos fez seus filhos e filhas  e na Crisma, por nos ter dado especial vigor para testemunhar Jesus Cristo e difundir a fé por palavras e obras no mundo de hoje.
Peçamos também o dom do Espírito Santo, seu alento que nos dá força para amar, que nos impulsiona a construir um mundo novo no qual reine a paz, o amor e o bem. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

6º Domingo da Páscoa - Santuário Nacional


Na primeira leitura deste domingo, do livro dos Atos dos Apóstolos, escutamos que Cornélio, centurião romano e pagão, converteu-se ao cristianismo com toda sua família e foi batizado por Pedro.

Pedro afirma que “Deus não faz distinção entre as pessoas e aceita quem pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”. Enquanto Pedro falava, o Espírito Santo desceu sobre todos os que o ouviam.  É o Espírito Santo quem vai abrindo a Igreja para o novo,  sem perder a fidelidade ao essencial.  Os pagãos ao se converterem não necessitam de se submeter às práticas da lei judaica.

Na segunda leitura, São João nos dá a mais bela definição de Deus: “Deus é amor”. Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou primeiro e nos enviou o Filho Jesus como vítima  de reparação pelos nossos pecados e para que tenhamos vida e vida em  plenitude.

No evangelho, Jesus proclama para seus discípulos o mandamento central: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. O modelo do amor cristão é Jesus. O Pai ama o Filho e o Filho corresponde a esse amor realizando plenamente a vontade do Pai. Esse amor do Pai se estende, no amor de Jesus, a todos  os homens a ponto de dar a vida por todos. “Não há prova maior de amor do que dar a vida pelos amigos”.

A medida do amor para o discípulo de Jesus, é o amor sem limites, do próprio Jesus  que amou até dar a vida pelos outros. Vivendo o amor não somente conhecemos a Deus, mas nós nos tornamos executores do seu testamento e o testemunhamos como ele é verdadeiramente: Ele é amor.

O Documento da V Conferência de Aparecida afirma que, dentre os muitos lugares de encontro com Jesus Cristo, um deles é numa comunidade viva na fé e no amor fraterno. “Onde reina o amor Deus aí está”. No amor aos outros, Jesus se manifesta e se torna presente. O amor ao outro deve ser o distintivo do cristão, da comunidade cristã. Nossas comunidades, paróquias devem ser, como dizia o Papa João Paulo II, casa e escola de comunhão.

É o amor que dá vida.  Por isso, a Igreja, nós cristãos, discípulos missionários de Jesus Cristo devemos testemunhar e anunciar na família, na sociedade, por meio de nossas ações,  o amor de Cristo, para que os homens e todos os povos tenham vida e a tenham em abundância.  A Igreja cresce não por  proselitismo. Ela cresce por atração, pelo testemunho  de vida dos cristãos.  Como Cristo atrai a todos a si com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da cruz, assim a Igreja cumpre sua missão, conformando-se em espírito e concretamente com o amor de Cristo.

Que Maria, nossa mãe, educadora e modelo de amor solidário,  fortaleça os laços fraternos em nossas comunidades, em nossas famílias e nos ensine a testemunhar uma Igreja samaritana, isto é,  cada vez mais solidária, fraterna e santa.


Neste 2º, domingo de maio, dedicado às mães, meus parabéns a todas as mães e que Maria, modelo de mulher e de mãe, inspire e proteja as mães, na vivência de sua sublime vocação ao amor e ao cuidado da vida, recebida como dom de Deus. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Maio, mês dedicado a Maria


Maio é um mês  muito especial para nós católicos:  é o mês dedicado a Maria, mãe de Deus e nossa. Celebramos em maio 3 festas importantes, dedicadas a Maria: dia 13, Nossa Senhora de Fátima; dia 24, Nossa Senhora Auxiliadora, e dia 31, a Visitação de Maria a sua prima Isabel.

Muitas vezes, nós católicos, somos criticados pelo culto que prestamos a Maria. Há quem diga que somos “adoradores”, ou que “idolatramos” imagens. Sabemos que isto não é verdade e temos plena consciência que somente a Deus prestamos adoração. A Maria  dedicamos um culto, uma devoção, que se dirige a Ela e não a uma imagem. Esta devoção está fundamentada no papel singular que Ela desempenhou e desempenha  na história  da salvação ao ser escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, Jesus Cristo.

Maria está presente na Bíblia, desde o Antigo Testamento (cf. Gen 3,15 e Is 7,14).  No Novo Testamento, porém, é que se fundamenta mais claramente nossa devoção a Maria. Ela foi escolhida entre todas as mulheres para ser a Mãe de Deus (Lc 1,31-35), e pelo seu “sim” a salvação entrou no mundo. Maria acreditou e se entregou livremente à vontade do Pai: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo  tua palavra” (Lc 1,38). A maternidade divina de Maria é o fundamento de todos os outros seus privilégios e a razão do lugar especial que Ela ocupa no culto da Igreja e na devoção do povo cristão. Ela é a  mãe do nosso Salvador Jesus Cristo e nossa mãe.  Deus quis nos dar uma mãe e não há filho que não ame sua mãe. Por isso, nós a veneramos e recorremos a Ela,  pois Maria é  mãe e  como tal sempre está disposta a nos ouvir, amparar e  consolar.

Aqui na terra, nós temos a nossa mãe. Deus deu a mulher a  capacidade de gerar vida e  mesmo aquelas mulheres que por algum motivo de saúde não podem ter filhos biológicos, trazem no coração o instinto materno, a vontade de  amar e cuidar de um filho, e isto é o que importa.  Infelizmente, nos dias de hoje, a vida está ameaçada, até mesmo, no útero materno.  Haja   visto  a decisão do Supremo Tribunal Federal, no último dia 12 de abril,  que despenaliza o aborto em caso de bebês anencéfalos. Os homens, pretendendo se colocar no lugar de Deus, querem  decidir se devem ou não proteger a vida,  quando  ela ainda se encontra no útero materno, lugar sagrado e que deveria estar a salvo de qualquer ameaça  Embora a lei favoreça esta prática, nos casos de bebês anencéfalos, isto não exime ninguém da responsabilidade e do dever de seguir sua consciência moral, guiada pela lei natural e divina.  A vida humana é o primeiro e o maior dos direitos humanos, independente de religião ou de credo, e sobre o qual se fundamentam os outros direitos.  A vida não é negociável, seja qual for a circunstância. É dom de Deus e somente a Ele cabe o direito de decidir sobre ela.

No Brasil, há um dia dedicado às Mães, que é segundo domingo de maio.  Por isso, quero aproveitar este espaço para felicitar todas as mamães e assegurar minhas preces para que cumpram com dedicação a missão divina que lhes foi confiada.  Que Maria, modelo de mulher e de Mãe, inspire e proteja todas as mulheres, especialmente, as mães,  na vivência de sua vocação de gerar e cuidar da vida com amor. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

5º Congresso Mariano: "Feliz aquela que acreditou"


Estamos no tempo pascal e a liturgia nos convida a celebrar com alegria a ressurreição de Jesus que ressuscitado caminha conosco e nos dá força para mudar nossa vida, e lhe dar uma orientação definitiva. A primeira leitura de hoje, dos Atos dos Apóstolos, faz referência à conversão de São Paulo que mudou radicalmente sua vida. Ele havia empregado sua vida em impedir que outros descobrissem e aderissem ao evangelho.

A mudança em sua vida foi tão grande que os discípulos desconfiavam de sua conversão. Precisou, então, de Barnabé para introduzi-lo aos apóstolos, e avalisar a sua conversão, tal era a desconfiança da comunidade cristã em relação a mudança radical da vida de Paulo.

O encontro de Paulo  com  Jesus ressuscitado no caminho de Damasco mudou completamente o rumo de sua vida. De perseguidor dos discípulos de Cristo, tornou-se pregador entusiasta  e corajoso do Evangelho. A mudança na sua vida foi tão profunda que poderá dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.”

Paulo fez a experiência da bondade deste “Deus que é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas”, e seu amor supera toda miséria humana, conforme escreve São João, na segunda leitura deste domingo.

Deus conhece nossas fraquezas e está sempre pronto a nos perdoar e a nos acolher como seus filhos.
Jesus continua vindo ao nosso encontro como veio ao encontro de Paulo, perseguidor dos cristãos, e nos propõe,  como propôs a Paulo, e a tantos outros, um caminho concreto a seguir e a abandonar aquilo que nos impede de produzir frutos de boas obras em nossa vida, frutos de justiça, de amor e de paz.

Aquele que permanece em Mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Quem não permanece em Mim será lançado fora como um ramo separado do tronco e secará.”

Jesus usa a imagem da vinha para expressar  a relação pessoal entre ele e seus discípulos. Há uma relação pessoal com ele, a exemplo da relação entre o ramo e a videira. Se o ramo se separa da videira, do tronco, ele não produz frutos, não dá uvas. Assim também, o discípulo que não estiver unido a Jesus, em comunhão com ele, identificado com a causa do Reino, não poderá fazer nada, não produzirá frutos de justiça, de solidariedade, de perdão, de amor. Jesus não só está em nosso meio, na comunidade reunida em seu nome, mas, principalmente, na Eucaristia onde ele se faz comida, alimento para nós. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele.” Peçamos a Jesus que não nos separemos Dele e que nos faça instrumentos do amor, da bondade de Deus em nossas atividades e nas nossas relações com os outros.

A peregrinação mariana que hoje se realiza na Canção Nova, escolheu como tema as palavras de Isabel, quando recebeu a visita de sua prima, a Virgem de Nazaré: “Feliz aquela que acreditou.”

Num tempo marcado  pelo relativismo onde se duvida de tudo, a Virgem Maria é modelo de fé decidida.  Ante a mensagem do Anjo Gabriel, de que ela foi a escolhida para ser a mãe de Deus, Maria indaga, pergunta,  pois a fé não é irracional: “Como acontecerá isso se eu não convivo com um homem”?  O Anjo lhe responde: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te fará sombra; por isso o consagrado que nascer levará o título de Filho de Deus.  Vê a tua parenta Isabel que concebeu na sua velhice e era considerada estéril, e já está grávida de seus meses, pois nada é impossível para Deus.” Maria responde: “aqui tens a escrava do Senhor.” Maria deixou-se conduzir pela providência divina e caminhando e progredindo na fé por toda a vida, seguirá seu Filho Jesus até o Calvário, tornando-se a sua primeira e mais perfeita discípula e missionária. Pela sua fé  se entrega a Deus e se consagra sem reservas à pessoa e à obra de seu Filho Jesus; esse Filho que ela concebeu primeiro na sua mente e no seu coração por meio da fé. Por isso, Isabel, sua prima, ao receber Maria em sua casa, a saúda dizendo: “Feliz és tu que creste, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou.”

A fé de Maria se traduz em obediência à missão que Deus lhe confiou: “cumpra-se em mim, segundo a tua palavra”, o que equivale dizer: que a vontade de Deus seja feita.

Imitemos Maria na sua fé: “nos falta fé, afirma Santo Agostinho, e acrescenta: o dia que vivermos esta virtude confiando em Deus e em sua Mãe,  seremos corajosos e leais. Deus fará milagres por nossas mãos. Dai-me, ó Jesus, essa fé que eu desejo! Maria Santíssima, Mãe e Senhora minha, fazei que eu creia.”

domingo, 29 de abril de 2012

Dia Mundial de Oração pelas Vocações - Santuário Nacional

Neste 4o. domingo da Páscoa, no texto do Livro dos Atos dos Apóstolos que acabamos de escutar, Pedro nos apresenta Jesus como o fundamento de toda a nossa vida, porque ele é o único que nos salva.

Ele é a pedra angular da qual depende a estabilidade, a unidade e a coesão da Igreja. Não há salvação em nenhuma outra pessoa a não ser em Jesus Cristo. No trecho do evangelho de hoje, o mais significativo do cap.10 do evangelho de João, Jesus se auto-define como o Bom Pastor. Para as primeiras gerações de cristãos essa imagem do Bom Pastor referia-se ao Cristo ressuscitado, o verdadeiro Pastor.

 Com efeito, Jesus com a sua morte e ressurreição, deu-nos por meio do Espírito Santo, a vida nova no batismo, tornando-nos filhos de Deus e participantes da natureza divina. Jesus é o único e verdadeiro pastor, aquele que se solidariza e ama as suas ovelhas, que somos nós, a ponto de dar sua vida por nós, livremente e por amor. Ele continua a entregar-se por nós em cada Eucaristia, que é a atualização sacramental de sua morte na cruz.

 Dentre os batizados, Deus chama as pessoas para diferentes vocações e, em particular, ele chama alguns homens para o ministério sacerdotal, que a exemplo de Jesus, o Bom Pastor, se dedicam ao anúncio da Palavra, à celebração dos sacramentos e ao ministério pastoral. Chama, igualmente, outras pessoas à vida consagrada, que se entregam total e exclusivamente ao seguimento de Cristo por meio da vivência dos conselhos evangélicos de obediência, castidade e pobreza e desempenham diversos serviços pastorais no campo da educação, da saúde, da formação e promoção humanas. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para este Dia Mundial de Oração pelas Vocações, celebrado neste Domingo do Bom Pastor, convida-nos a refletir sobre o tema: “As vocações dom do amor de Deus.” Cada vocação específica é dom do amor de Deus.

É Deus quem realiza o primeiro passo; é Ele quem nos chama; nos chama não porque viu em nós um merecimento especial, mas em virtude do seu próprio amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A causa da resposta ao chamado de Deus é o amor a Deus e ao próximo, sobretudo, às pessoas mais necessitadas, mais pobres. O Santo Cura D’Ars, São João Maria Vianney, gostava de dizer “o padre não é para si mesmo, mas ele é padre para os outros”. As vocações para o sacerdócio ordenado e para a vida religiosa são despertadas no seio da família, no contato com a palavra de Deus na Sagrada Escritura, na oração pessoal e comunitária e, sobretudo, na Eucaristia, expressão perfeita do amor de Deus para conosco e onde se compreende a beleza de uma vida totalmente doada a serviço do Reino de Deus. Deus chama, também, pessoas, e é a maioria, para a vocação matrimonial.Hoje, este domingo, está marcado por dois eventos realizados aqui no Santuário Nacional: o 2º. Simpósio da Família e a 4ª Peregrinação Nacional das Famílias, com o tema: “Família: Trabalho e Festa”.

Estes dois eventos estão em sintonia com o Encontro Mundial das Famílias, a realizar-se na cidade de Milão, Itália, no início do mês de junho. O trabalho e a festa estão intimamente ligados à vida das famílias. O trabalho, a festa fazem parte essencial da vida humana. Por meio do trabalho intelectual ou corporal, o homem continua a obra criadora de Deus. O trabalho aperfeiçoa e desenvolve as capacidades do homem e, além disso, é uma maneira do homem prestar um serviço ao próximo, à sociedade, com seu trabalho profissional competente e honesto. Infelizmente, hoje em dia, numa sociedade individualista, egoísta, o trabalho vem perdendo essa dimensão humana e é visto quase sempre em função do lucro que ele pode dar.

Os pais, muitas vezes, só estimulam, ou até, forçam os filhos a escolher uma profissão pensando apenas no dinheiro, na demanda do mercado e não na realização do filho ou da filha e no bem da sociedade. Muitos deles se frustram e abandonam mais tarde, a carreira que lhes foi imposta. A festa, também, faz parte da vida da família, pois há muitos acontecimentos, datas que devem ser celebrados com alegria pela família cristã: os aniversários de nascimento, de casamento, a formatura, certas festas, como o domingo, o Natal, a Páscoa, a Festa do Padroeiro, a festa de fim de ano, etc. A festa é uma parada na vida cotidiana da família para celebrar a própria vida que é dom de Deus, conviver, descansar e recobrar nova energia para prosseguir juntos com esperança na caminhada. É importante, que a família reflita sobre essas duas dimensões da vida e procure recuperar o verdadeiro sentido do trabalho e da festa na família e harmonizar essas duas exigências da vida humana.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pronunciamento abertura da 50ª assembleia Geral da CNBB


Saúdo fraternalmente os senhores cardeais, arcebispos, bispos, administradores diocesanos; os assessores e assessoras da CNBB; o Senhor Reitor do Santuário Nacional, Padre Darci Nicioli; os presbíteros, religiosos e religiosas, os fiéis leigos e todos os participantes desta 50ª. Assembleia. Saúdo a todas as autoridades presentes, entre elas o ilustríssimo Sr. Prefeito de Aparecida, Márcio de Siqueira. E saúdo, cordialmente, os profissionais da imprensa aqui presentes e a todos os que nos acompanham pelos meios de comunicação – televisão, rádio e Internet.

Unidos em um só coração, e agradecidos a Deus Pai, que nos permitiu chegar à marca de cinquenta encontros, iniciamos os trabalhos da 50ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Esta é, verdadeiramente, uma assembleia comemorativa. Comemorar não é apenas festejar um acontecimento. É também honrar a memória, reverenciar o caminho feito, dignificar a participação dos pioneiros e de todos os que sustentaram a iniciativa.

Nosso encontro será um solene memento por todos os que, vivos ou já nos braços do Pai, contribuíram, em todos os tempos da história da CNBB, para sua criação e desenvolvimento. A assembleia deste ano, portanto, traz esse gesto de olhar para trás e faz-nos ver que construímos nossa identidade com ousadia e coragem evangélica.

Pela quinquagésima vez os bispos do Brasil se encontram em reunião de partilha fraterna, oração, estudo e reflexão, na busca do fortalecimento da comunhão entre si e com o sucessor de Pedro. Durante quase seis décadas, desde aquele remoto encontro em Belém do Pará, em agosto de 1953 – quando se realizou a 1ª Assembleia Geral da CNBB -, até hoje, o episcopado brasileiro percorreu um longo caminho, assinalado por importantes decisões e expressivas contribuições para o conjunto da Igreja no Brasil e da sociedade brasileira. Em cada uma das assembleias, houve uma evidente renovação do compromisso ministerial dos bispos perante os principais desafios apresentados pela realidade do País. Fundada no mandato de Cristo, as respostas a esses desafios foram sempre firmes e corajosas.

Ao longo dos sessenta anos da CNBB, as assembleias tornaram-se, pela força dos seus conteúdos e pelo singular respeito que a sociedade tem pelo episcopado, um ponto de referência no debate nacional. As declarações, os posicionamentos, os documentos e as orientações que emanaram dos cinquenta encontros realizadas no período estão clara e fortemente marcados nas páginas da história recente do Brasil. Os bispos jamais se intimidaram diante das diversas situações da realidade nacional, por mais complexas e delicadas que fossem. Por meio das assembleias, ofereceram sempre a contribuição de que o País precisava para progredir em suas lutas pelo amadurecimento democrático, pela superação da injustiça social e dos conflitos, para cuja solução era necessário um chamado à ética e à correção dos desmandos. Largamente divulgados pelos meios de comunicação social, os trabalhos dos bispos em assembleia sempre repercutiram de modo a expandir o testemunho da Igreja em favor da defesa da vida digna e plena para todos.

“A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é o tema central desta Assembleia. Nele, encontramos a renovação do convite para retomarmos o que já meditamos com especial acento em nossa assembleia de 2010. O aprofundamento desse tema nos conduzirá, naturalmente, a uma volta às grandes orientações recebidas do Sínodo dos Bispos de 2008 e da Exortação Apostólica pós-sinodal “Verbum Domini”, que nos foi dirigida pelo Papa Bento XVI em 30 de setembro de 2010. O Santo Padre, no documento, lembra-nos que nos vemos “colocados diante do mistério de Deus que Se comunica a Si mesmo por meio do dom da sua Palavra. Esta Palavra, que permanece eternamente, entrou no tempo. Deus pronunciou a sua Palavra eterna de modo humano; o seu Verbo ‘fez-Se carne’ (Jo 1, 14). Esta é a boa nova. Este é o anúncio que atravessa os séculos, tendo chegado até aos nossos dias” (VD, 1).

Em nosso encontro, atentos a qualquer iniciativa que tem por escopo a evangelização, olharemos com carinho para os preparativos relativos à Jornada Mundial da Juventude, a realizar-se em julho do próximo ano. A Assembleia também nos dará oportunidade para o aprofundamento de outras duas comemorações que nos remetem ao mês de outubro deste ano: os 60 anos da criação da nossa Conferência e o marco dos cinquenta anos do início dos trabalhos do Concílio Vaticano II.

Certamente, em nossas discussões e propostas de trabalho, teremos de estar atentos a feliz iniciativa de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, que nos pede para vivenciarmos - a partir da data em que lembramos o início do Concílio até a festa de Cristo Rei do ano 2013 -, um ano especial em que celebraremos as riquezas de nossa fé. O “Ano da Fé”, segundo orientação do Papa, deve ser “um momento de graça e compromisso para uma plena conversão a Deus, para fortalecer a nossa fé n'Ele e a anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo”.

O “Ano da Fé” terá início em 11 de outubro próximo, no âmbito da realização da 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização. Durante a presente Assembleia, elegeremos os Delegados da CNBB para a Assembleia do Sínodo, e que deverão ser confirmados pelo Santo Padre.

O Papa Bento XVI criou um novo dicastério na Cúria Romana para animar, na Igreja, o tema da nova evangelização. Segundo seu presidente, Dom Rino Fisichella, é preciso acolher a “exigência de renovar tudo aquilo que é a capacidade da Igreja de levar o Evangelho de Jesus Cristo ao homem de hoje”. Iniciamos os trabalhos dessa 50ª. Assembleia dispostos a acolher e aprofundar essa exigência no âmbito da Igreja no Brasil. Uma eficiente implementação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora que aprovamos no ano passado, nas nossas Dioceses será capaz de mobilizar corações e forças para bem concretizarmos nossa ação pastoral sob a inspiração dessa oportuna iniciativa do Santo Padre.

Que o Santo Espírito de Deus nos ilumine para levarmos a bom termo os nossos trabalhos.

A todos os que aqui se encontram, àqueles que nos acompanham pelos meios de comunicação, enfim, a todos os fiéis de nossas Igrejas particulares suplico, ardentemente, orações pelo êxito de nosso encontro.

Aos participantes da Assembleia e aos que a apoiarão com seus trabalhos, manifesto a satisfação de recebê-los na Arquidiocese de Aparecida. É uma grande alegria hospedar o episcopado brasileiro sob o manto da Padroeira do Brasil. Aqui é o nosso lugar: nos braços da Mãe Santíssima! Agradeço ao Secretariado Geral da Conferência que trabalhou arduamente para nos dar condições de realizar mais esta assembleia geral. Agradeço igualmente ao Padre Darci Nicioli, Reitor do Santuário Nacional, aos missionários redentoristas e às suas equipes pelo esmero demonstrado nas providências tomadas para que nosso encontro alcance pleno sucesso. Desejo que tenhamos dias de bênçãos e fraterna alegria no convívio desta assembleia. Agradeço, igualmente, as palavras acolhedoras do senhor Prefeito de Aparecida, e a colaboração da Prefeitura para a realização da 50ª. Assembleia.