segunda-feira, 9 de setembro de 2013

8 de setembro - Aniversário da Rede Aparecida - Santuário Nacional

Na primeira leitura, tirada do livro da Sabedoria, escutamos um trecho de uma oração colocada nos lábios do rei Salomão.

Salomão toma consciência das limitações do espírito humano e constata agradecido que Deus vem em socorro de nossa fraqueza: “Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus”? “ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor”?  

 Ninguém pode conhecer a vontade de Deus sem que ele a tenha revelado. E nós cristãos, sabemos que “o Filho de Deus feito homem para a nossa salvação, no seio virginal de Maria, nos revelou o desígnio de Deus. Só Jesus Cristo sabe qual é o caminho para alcançar a sabedoria do coração que orienta retamente a nossa  vida e obter paz e salvação” (João Paulo II)

A muralha entre Deus e nós foi superada pela encarnação de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição. Jesus é, para nós, o Caminho, a Verdade e a Vida.

A segunda leitura deste domingo, a carta de São Paulo a Filêmon, é a mais breve carta do apóstolo.  Paulo   pede a Filêmon, patrão de Onésimo, que o  receba:  “já não como escravo, mas muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o foi para ti, tanto como  pessoa humana quanto como irmão no Senhor”

A vida econômica e social na antiguidade se apoiava na escravidão e não permitia uma liberdade plena das pessoas. Jesus não falou abertamente da escravidão, mas colocou as bases de um novo relacionamento interpessoal, fundado sobre o amor, a justiça e a igualdade. Somos todos filhos de Deus  e irmãos em Jesus Cristo, iguais em dignidade,  e “já não há, como disse São Paulo, diferenças entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: pois todos vocês são um só para estarem unidos com Cristo Jesus” (Gl 3,28)

No evangelho de Lucas, que acabamos de escutar, Jesus nos fala das exigências para segui-Lo. Seguir Jesus,  tornar-se discípulo seu é procurar viver de acordo com seus mandamentos, viver em comunhão com ele.

“Se me amais, observareis os meus mandamentos”, disse Jesus e o meu mandamento é esse: “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 14,15). Não se trata, portanto, de renunciar ao amor, mas sim ao amor egoísta, possessivo. 

Cada um, segundo sua condição de vida é  chamado a viver com Cristo e em Cristo, a entregar-se totalmente a Ele e ao bem dos outros, nossos irmãos. 

Seguir Jesus Cristo é também carregar a cruz que a vida nos apresenta. Jesus não nos engana. Não promete uma vida fácil e confortável para seus discípulos, mas nos ensina o caminho do verdadeiro amor, capaz de dar a vida, de aceitar a cruz, o sacrifício quando é o meio para realizar o plano de Deus em nossa vida. Amor que nos enche de alegria, porque é amor que vem de Deus e que só é possível se contarmos com sua ajuda e não com nossas próprias forças. 

Aproveito este momento para parabenizar os diretores, funcionários e colaboradores da Rádio Aparecida pelos seus 62 anos de existência e a TV Aparecida pelo seu 8º aniversário e, igualmente, pela estreia do novo portal A12.com

Após a missa será inaugurada oficialmente o Master digital e a unidade móvel da TV Aparecida.  O Santuário tem feito grandes esforços para utilizar os modernos meios de comunicação a serviço do anúncio da Boa Nova do Evangelho. Isto tem sido possível graças aos diretores, funcionários e a generosa colaboração da Família Campanha dos Devotos, do Clube dos Sócios e Devotos de Nossa Senhora Aparecida. 

Parabéns Rádio e Tv Aparecida e o novo portal A12.com

Foto: a12.com 

7 de setembro - Romaria dos Trabalhadores - Santuário Nacional

São Paulo na carta aos Colossenses que escutamos na 1ª leitura, fala do contraste que existia na vida dos Colossenses, antes e depois da conversão a Cristo pela pregação do evangelho. Antes da conversão, os colossenses eram hostis a Cristo e praticavam ações perversas; agora foram reconciliados pela morte de Cristo, para se apresentarem diante dele santos, imaculados e irrepreensíveis.  

É normal que a pessoa que ofendeu alguém, procure reconciliar-se com o ofendido e não o contrário. No caso da nossa salvação, é Deus quem nos procurou primeiro e realizou a reconciliação pela morte e ressurreição do seu Filho Jesus Cristo.  É  a  extraordinária generosidade de Deus! Através de Cristo, Deus nos deu uma nova existência. Por meio dele, aquele que foi reconciliado com Deus, pode e deve levar uma vida santa, irrepreensível diante dele. 

Na carta aos romanos, Paulo exprime sua admiração diante deste modo de agir de Deus: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo, a seu tempo, morreu pelos malvados; por um inocente talvez alguém morresse;  por uma pessoa boa talvez alguém se arriscasse a morrer. Pois bem, Deus nos demonstrou seu amor porque, sendo ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” (Rm 5, 6-8).

Deus tem uma proposta muito elevada e exigente para nós: ele quer que levemos uma vida digna e irrepreensível diante dele. Isso é possível com a graça que nos vem por meio de Jesus na oração e nos sacramentos.

Para isso, é necessário estar “alicerçados e firmes na fé”, isto é,  estar unidos a Cristo pela fé e pelo amor.”

No evangelho de hoje, Jesus afirma que é o senhor do sábado, o que significa que Ele é igual a Deus, porque foi Deus quem estabeleceu a lei do sábado como refere o livro do Gênesis. Esta igualdade com Deus é afirmada mais explicitamente no quarto  evangelho de João, quando Jesus foi criticado por alguns judeus por ter curado um paralítico no dia de sábado. Ele lhes disse: “Meu Pai continua trabalhando e eu também trabalho. Por este motivo, os judeus com mais empenho, tentavam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas além disso chamava a Deus de seu pai, igualando-se a Deus”  (Jo 5, 17-18).

Este ano de 2013 é um ano muito especial para a juventude: Fraternidade e Juventude foi o tema da CF, com o lema “Eis-me aqui, envia-me”, e em julho passado foi realizada a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, com a presença do Papa Francisco.  O tema foi: “Ide e fazei discípulos todos os povos.” A juventude é também o tema da romaria dos trabalhadores (as) e do grito dos excluídos.

Os jovens ainda são  maioria da nossa população (47 milhões de brasileiros de 15 a 29 anos – censo do IBGE 2010) e são um grande potencial para a renovação da sociedade e da Igreja.

As estatísticas revelam que os jovens  tem acesso restrito à educação de qualidade, dificuldades de inserção no mundo do trabalho, são as principais vítimas da violência, das drogas. Os jovens com seu dinamismo, criatividade, entusiasmo, com seus anseios por uma coerência entre fé e vida, tem muito a contribuir para o bem da sociedade e a Igreja.

Concluo com as palavras do Papa Francisco aos jovens no Rio de Janeiro, “ponha Cristo em sua vida e encontrarás um amigo em quem confiar; bote Cristo e você verá crescer as asas da esperança para percorrer com alegria o caminho do futuro; bote Cristo  e sua vida estará plena de seu amor, será uma vida fecunda e você não ficará desapontado.”

Rezemos pela nossa pátria, por todos os brasileiros, para que caminhemos na prosperidade, na justiça e na paz, sob a proteção da Mãe Aparecida, Padroeira e Rainha do Brasil. Em especial, peçamos a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, Rainha da Paz, a solução para a paz na Síria, no Oriente Médio, e para que os governantes, por meio do diálogo, da negociação, encontrem o bem de suas populações.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro, mês da Bíblia

No Brasil, no último domingo de setembro, celebra-se “o Dia Nacional da Bíblia”.  A palavra “Bíblia” designa a Palavra de Deus escrita  e consignada nos 73 livros que compõem o Antigo e Novo Testamentos.

Para nós cristãos, “a Bíblia é um livro inspirado pelo Espírito Santo  e nos ensina com certeza, fielmente, e sem erro, a verdade relativa à nossa salvação,  que Deus, quis   fosse consignada  nas Sagradas Letras” (DV 11).

A composição dos livros da Bíblia abarca um período de cerca de mil anos, entre os anos  900 a. Cristo e o ano 100 d. Cristo. Eles foram recolhidos, pouco a pouco, através de um longo processo de escolha por parte das comunidades e formam a lista oficial dos textos bíblicos. Contam a história do amor de Deus para conosco, a História da Salvação que tem o seu centro no mistério da encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo.  A Igreja tira a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas não só da Sagrada Escritura, mas também, da Sagrada Tradição. 

O Antigo Testamento nasceu de tradições orais  e o Novo Testamento, sobretudo, do testemunho dos apóstolos sobre Jesus. 

Nas Sagradas Escrituras tudo converge para Cristo, de tal modo, que a leitura e meditação do texto sagrado devem  nos levar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo. Por isso, São Jerônimo afirma que ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo. Na Bíblia, nós descobrimos o projeto de Deus sobre o mundo e encontramos nela “o alimento da alma e a fonte pura e perene da vida espiritual”  (DV 21). Sua leitura ilumina e orienta a nossa vida.  Maria é para nós o modelo de ouvinte e de praticante da Palavra de Deus. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

No evangelho (Mt 13; Lc 8; Mc 4), Jesus compara a Palavra de Deus com a semente que o agricultor lança à terra. A semente é vida e quando é semeada em terra boa, ela germina, cresce e produz frutos. Assim é á Palavra de Deus, ela é vida e eficaz e quando a acolhemos e a compreendemos,  superando  as dificuldades, como o desânimo, o cansaço, a superficialidade, a Palavra de Deus cria raízes profundas em nosso coração e produz muitos frutos não só para nós, mas para todo o mundo e causa em nós paz e  alegria verdadeiras. 

22º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional

As leituras de hoje nos apontam o caminho: ser humildes e simples: fazer de nossa vida um serviço; ser abertos a todos; particularmente aos mais necessitados. 

A antiga sabedoria do povo de Israel recomendava com freqüência a prática da humildade: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e humildade e serás mais estimado que um homem generoso”, diz-nos hoje o trecho do livro do Eclesiástico. 

Somente a pessoa humilde é capaz de acolher a Deus e as demais pessoas. Ser humilde é uma questão de realismo e de fé. A raiz da palavra humildade vem de humus, que em latim, significa terra, barro. É ter presente nossa condição de criaturas. Não é desprezar a si mesmo, mas reconhecer nossos limites e não se supervalorizar diante de Deus, nem diante do outro, nem diante de si mesmo.

O Evangelho de hoje nos fala que Jesus foi convidado por  um dos chefes dos  fariseus para uma refeição num dia de Sábado.

Sabemos que o banquete celebrado no dia de sábado era um símbolo do Reino celeste. Quem quiser entrar no Reino de Deus deve fazer-se pequeno a exemplo do próprio Cristo que “sendo Deus não usou do seu direito de ser tratado como um deus, mas se desprezou, tomando a forma de escravo. Tornando-se semelhante aos homens, e reconhecido em seu aspecto como um homem, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 12, 6-8).

Se a humildade nos faz reconhecer nossa condição de criatura, o serviço nos faz estar atentos às necessidades dos outros. “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos ricos, pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa” (Lc 14,12).

É claro que Jesus não quer dizer que devemos ser grosseiros, deseducados, ingratos. O que Jesus quer nos dizer é que devemos ser generosos, “que há mais alegria em dar do que em receber”. E quanta gente boa, maravilhosa em nosso meio, em nossas comunidades! Pessoas que estão sempre dispostas a ajudar, a colaborar. Há também aquelas que não são capazes de mover um dedo se for não para tirar algum proveito, senão for por algum interesse próprio. 

Finalmente, o evangelho nos diz que “quando deres uma festa, convida os pobres. Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,13-14). O Papa João Paulo II nos diz que hoje se faz necessária  “uma nova fantasia da caridade”. É preciso descobrir ao nosso redor as pessoas que necessitam  de uma palavra de conforto, de apoio, de uma atenção, de um carinho. Isso não rende dinheiro, nem fama aqui na terra, mas “a recompensa na ressurreição dos justos”. 

Em um mundo onde tudo é comercializado, onde não se faz nada  pelos outros a não ser para receber uma contrapartida, as palavras do Evangelho de hoje nos convida a cultivar atitudes de gratuidade e a realizar gestos desinteressados e feitos por amor, são muito atuais.  Maria é a humilde serva do Senhor que se colocou à disposição de Deus e da humanidade para a realização do plano divino de salvação.

Que a seu exemplo, nós sejamos também solidários com nossos irmãos e coloquemos nossos dons a serviço da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

21º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional

Estamos chegando ao final do mês de agosto. Neste domingo, estamos encerrando, aqui, em Aparecida, a 44ª Semana Vocacional promovida pela Rádio e Tv Aparecida e pelo Santuário. Certamente, muitas comunidades pelo Brasil afora nesta semana de oração pelas vocações e de reflexão sobre o tema geral: “Vocação e juventude” e seus diversos desdobramentos: a vocação humana, a vocação cristã, a vocação sacerdotal, a vocação à vida consagrada, a vocação para os diversos serviços na comunidade.

A 44ª Semana Vocacional deste ano quis dar prioridade a Juventude devido à Jornada Mundial da Juventude, realizada no mês de julho passado, no Rio de Janeiro.

É fundamental na nossa vida fazer um discernimento vocacional e  a partir de um discernimento feito com toda seriedade diante de Deus e da própria consciência, coadjuvado por alguém experiente e tendo em vista os dons que Deus nos deu, tomar a decisão mais acertada para realizar com alegria, na Igreja e na sociedade, a missão para a qual Deus nos chamou. Da boa escolha da vocação, depende a nossa realização e o bem que podemos fazer aos outros.

No evangelho, escutamos a pergunta que alguém dirigiu a Jesus: “Senhor, é verdade que são poucos os que se  salvam?” Alguns pensavam que somente o povo de Israel é que participaria  da vida eterna; para outros, somente os que observavam a lei  é que se salvariam. Jesus rompe esse esquema que reduzia a salvação a um número de pessoa que pertencia um determinado grupo religioso e mostra que o importante é “ser fiel na busca do reino e fazer a vontade de Deus.”

A imagem da “porta estreita” de que nos fala Jesus, alude, certamente, às muralhas que cercavam as cidades antigas para protegê-las contra os ataques dos inimigos. Para entrar na cidade havia uma porta larga por onde passavam as pessoas, os animais, carros de guerra. No tempo de guerra, essa porta era fechada e só ficava uma porta aberta, bem estreita e por onde podia passar somente uma pessoa.

À pergunta dos discípulos, Jesus não responde se serão poucos ou muitos os que se salvarão, mas convida a todos a corresponder ao amor de Deus. “Fazei todo o esforço possível para entrar pela porta estreita”.

Com essa parábola, Jesus quer nos dizer que  Deus quer a salvação de todos os homens, mas é necessário esforçar-se para fazer o bem, praticar os mandamentos e conformar nossa vida com o Caminho que é o próprio Jesus Cristo, Caminho, Verdade  e Vida e procurar viver uma vida coerente com a nossa fé, com a vocação que abraçamos.

Deus não nos obriga a nada. Ele nos oferece a salvação, mas não a impõe a ninguém. “Deus nos criou sem nós, mas não nos salvará sem nós”, disse Santo Agostinho. A parábola de Jesus é uma advertência não só para os judeus da época de Jesus, mas também, para nós hoje que vivemos numa sociedade marcada pela superficialidade, pela falta de coerência e de fidelidade aos compromissos assumidos com o estado de vida que escolhemos e com a profissão eu exercemos. 

Que Maria, a Virgem fiel nos ajude a permanecer firmes na fé que abraçamos no batismo e a testemunhá-la com alegria e coragem até o fim de nossa vida.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Triunfo de Maria, é nosso triunfo - Santuário Nacional

Em 1950, o Papa Pio XII atendendo ao pedido  de numerosos católicos, vindos de várias partes do mundo, proclamou através da Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus” que “a Imaculada Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, depois de terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celeste”.

A Assunção de Maria não se encontra diretamente testemunhada na Sagrada Escritura, mas o fato do Magistério da Igreja ter definido a elevação de Maria aos céus em corpo e alma  como verdade de fé, deriva da tradição e da reflexão da Igreja sobre o papel de Maria na história da salvação. Desde o século IV existe textos litúrgicos e de Padres da Igreja que falam da Assunção de Maria e esta festa já se celebra desde o século VI. 

Maria que carregou no seu seio  o Cristo que é Vida; que ocupou um lugar todo especial no plano da salvação; que foi preservada do pecado original, não poderia ser entregue à corrupção.  

Na sua Exortação Apostólica sobre “O Culto á Virgem Maria”, o Papa Paulo VI, falando da Assunção  de Nossa Senhora, assim se expressa: “é esta a festa do seu destino de plenitude e de bem-aventurança, da glorificação da sua alma imaculada e do seu corpo virginal, da sua perfeita configuração com Cristo Ressuscitado. É uma festa, pois,  que propõe à Igreja e à humanidade a imagem e o consolador penhor do realizar-se da sua esperança final: que é essa mesma glorificação plena, destino de todos aqueles que Cristo fez irmãos, ao ter como eles em comum o sangue e a carne”. 
A solenidade da Assunção tem um prolongamento festivo na celebração da Realeza da bem-aventurada Virgem Maria, que ocorre oito dias mais tarde (22 de agosto), e na qual se contempla aquela que, “sentada ao lado do Rei dos séculos, resplandece como Rainha e intercede como Mãe”.

Cristo é o primeiro que vence plenamente a morte e o pecado com a sua ressurreição. A morte foi tragada  pela vitória da ressurreição de Cristo. Maria, mãe e perfeita discípula de Jesus, participa antecipadamente da vitória de seu Filho, tendo sido elevada à glória definitiva em corpo e alma.

Todos  somos chamados a ressurreição do corpo, e Assunção de Nossa Senhora nos recorda a todos a nossa meta final, que é o encontro definitivo com Deus. Incorporados a Cristo pela fé e pelo batismo, temos a esperança de poder participar do triunfo e da vitória de Cristo sobre a morte. 

Numa sociedade marcada por tantos sinais de morte, como a violência, as guerras, a exclusão social, a corrupção, e por uma mentalidade materialista que não enxerga nada além do horizonte deste mundo, podemos ser  levados ao desânimo, ao pessimismo, à desilusão.

Ao celebrar a festa da Assunção, somos convidados, ao contrário, a fortalecer nossa esperança, a  construir um mundo novo, sinal do Reino definitivo,  pois o Cristo Ressuscitado e sua Mãe, a Virgem Maria, assunta aos céus, são uma garantia de que o nosso destino não é a morte e sim a vida.  Este é o nosso futuro se percorrermos com Maria o caminho de discípulos e missionários  de Jesus. 

Ao celebrar a Assunção de Maria nós exultamos e agradecemos com Ela, porque a vida nos foi garantida para sempre com o  Cristo. Nós que ainda somos peregrinos, confiemo-nos à proteção de Maria: que Ela nos ajude a escutar a palavra de seu Filho e a colocá-la em prática e que sustente nossa esperança de nos encontrarmos um dia junto Dela no céu.  

Felicito a Editora  Santuário pelo lançamento do livro-álbum “Aparecida” que retrata através da fotografia de Fábio e Edna Colombini e dos  textos da conhecida e admirada escritora e poetisa Adélia Prado, a beleza dos painéis e vitrais do interior do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, obra do renomado artista sacro  Cláudio Pastro. O livro traz, também,   belíssimas imagens da expressão da espiritualidade popular. Parabéns aos idealizadores e realizadores desta maravilhosa obra. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

19º Domingo do Tempo Comum - Dia dos Pais

A liturgia deste 19º. domingo do tempo comum, convida-nos a abandonarmo-nos nas mãos de Deus nosso Pai e a esperar confiantes e atentos a vinda do Senhor Jesus.

O livro da Sabedoria oferece-nos uma meditação sobre a saída do povo de Israel do Egito. O povo que esperava a libertação estava  vigilante naquela noite em que o Senhor Deus passou.  Naquela noite da  libertação, o povo judeu celebrou a primeira  Páscoa, comendo o cordeiro pascal, cantando salmos de louvores ao Deus libertador, expressando, assim, o agradecimento a Deus e o compromisso de obedecer a Lei de Deus que representava o dom da liberdade para Israel e a luz e a vida para todos os povos.

A Carta aos Hebreus que será ainda lida nos próximos quatro domingos, nos fala, hoje, da fé e nos dá uma definição da mesma: a  fé é  pregustar o que seremos, é possuir já agora o que ainda se espera, é a certeza acerca de realidades que não se vêem.

O autor da Carta apresenta-nos dois modelos de fé obediente e confiante: a fé dos pais da promessa, Abraão e Sara, que já gozam da Jerusalém celeste, a cidade que esperavam. Abraão obedeceu a ordem de Deus e “partiu sem saber para onde ia”, e Sara, sua esposa, mulher estéril, “que se tornou capaz de ter filhos, porque acreditou no autor da promessa”.

A  exemplo dos antepassados que caminharam na fé, somos chamados também, hoje, a peregrinar, procurando construir um mundo mais humano,  justo, solidário que seja sinal, desde agora, da pátria verdadeira que esperamos.

A fé é dom de Deus e tarefa nossa. Ela nos é dada na família cristã, na comunidade através do testemunho de pessoas cristãs que vivem,  no seu ambiente social, a fé que professam.

É necessário, porém, cultivar a nossa fé com a meditação da Palavra de Deus, a oração pessoal e comunitária, a participação na missa dominical,  nos sacramentos e a vivência da fé, pois, a fé “cresce ou morre”.

A fé é como um transplante que nos dá olhos novos, os olhos de Jesus Cristo que nos faz ver com um sentido novo tudo que acontece na nossa vida: a alegria e a dor, a morte e a vida, o dinheiro, os fracassos, o trabalho, o sucesso e a humilhação.

No evangelho de hoje, escutado com os olhos da fé, podemos destacar quatro atitudes que devemos cultivar, como discípulos de Cristo: a confiança em Deus que nos ajuda  a caminhar na vida apesar das dificuldades. “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino”.

O desprendimento das coisas materiais, para viver a generosidade com os outros. “Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe, onde o ladrão não chega, nem a traça corrói”.

A vigilância ante a segunda vida de Jesus Cristo: “Ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos pensardes.” 

Ao felicitar os pais pelo seu dia, recordo-lhes o que diz o Documento final da V Conferência de Aparecida: “o pai tem o dever de ser verdadeiramente pai que exerce sua indispensável responsabilidade e colaboração na educação de seus filhos.”  Sua atuação é insubstituível para o desenvolvimento da inteligência, do julgamento, da afetividade, da convivência e da vida religiosa dos filhos. 

Que a Eucaristia que hoje celebramos nos fortaleça e a Virgem Maria, modelo de fé, nos acompanhe em nossa caminhada rumo a bem-aventurança eterna.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

18º Domingo do Tempo Comum - Dia do Padre

As leituras bíblicas deste Domingo nos falam da fragilidade  da condição humana e da perigosa situação daqueles que não têm outro horizonte na vida além deste mundo e colocam toda sua confiança nos bens materiais.

Lucas no seu evangelho dá importância muito grande às relações entre pobres e ricos e, sobretudo, à atitude que o discípulo de Cristo deve ter no uso dos bens materiais.

A primeira vista poderia parecer-nos que o texto do Livro do Eclesiastes, conhecido também como livro de Cohelet, e a parábola do evangelho desaprovam o lazer, o trabalho, o comércio, a indústria, o progresso e todo dinheiro que resulta dessas atividades humanas. Não é isso que a palavra de Deus quer nos dizer.

No evangelho, como vimos, Jesus parte de um problema concreto da vida diária, de uma pessoa anônima que lhe pede para que seu irmão reparta com ele a herança, lhe dê aquilo que lhe é devido.

Jesus aproveita a pergunta para através de uma parábola de um relato da vida real, aprofundar e refletir sobre nossas relações com os bens materiais, com a riqueza.

O rico da parábola que acumulou muitos bens e decidiu aproveitar  a vida egoisticamente, bebendo, comendo, divertindo-se, pensando que a riqueza lhe garantiria uma existência feliz indefinidamente é um insensato, um louco. Não podemos viver pensando que só há essa vida;  “esta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará a riqueza que tu acumulaste?” . A vida é dom de Deus, é um empréstimo que Deus nos dá por um prazo determinado para que a usemos para fazer o bem, para  servir a Deus e ajudar aos mais necessitados.

O mundo atual marcado por um grande desenvolvimento técnico-científico, por um extraordinário progresso material e por um consumo exagerado de bens materiais, pode facilmente seduzir de tal modo o nosso coração que podemos converter esses bens materiais necessários para o nosso desenvolvimento humano  e social,  em verdadeiros ídolos, afastando-nos da verdadeira riqueza que é Deus, origem e  meta de nossa vida e da solidariedade com nossos irmãos mais necessitados.

Jesus não condena a riqueza nem pede que seus seguidores vivam na miséria. O que ele nos diz é que os bens materiais não podem ocupar o primeiro lugar na nossa vida; eles são meios para viver com dignidade e nunca  fim em si mesmos.

O ensino social da Igreja nos lembra que a atividade econômica e o uso dos bens materiais exigem a prática das virtudes da  sobriedade,  da justiça, da solidariedade a fim de respeitar a dignidade humana.  A virtude da temperança modera a avareza e a cobiça; a justiça preserva os direitos do próximo e garante o que lhe é devido e a solidariedade nos leva a partilhar nossos bens  com os mais pobres.

Se somos todos filhos de Deus, Ele quer que nos amemos  como irmãos e que não fiquemos acomodados esperando a morte, mas que trabalhemos para construir uma sociedade mais justa e solidária, conscientes de que há valores maiores, mais elevados do que os bens terrenos,  como a solidariedade, a generosidade, a partilha,  a paz, a sobriedade, o cultivo da oração, esses valores do Reino nos  fazem ricos diante de Deus e nos abrem as portas do céu, valores pelos quais vale a pena lutar na vida.

Hoje, dia 04, celebramos a memória do Santo  Cura D’Ars, São João Maria Vianney, patrono dos padres. Ele foi um sacerdote cheio de zelo pastoral, organizador e bom conselheiro espiritual. Felicitamos os padres pelo seu dia  e pedimos que, a exemplo do Santo Cura D’Ars, vivam sua missão com muita fé e confiança em Deus a fim de que pelo seu testemunho, Deus possa suscitar vocações autênticas para a vida sacerdotal. 

17ª Semana do Tempo Comum - Santuário Nacional

Saúdo meus irmãos no episcopado, amigos do Movimento dos Focolares que realizam um encontro fraterno e de espiritualidade no centro Mariápolis, Diocese de Osasco.

A primeira leitura do livro do Levítico nos fala da instituição  do Jubileu que se celebrava a cada 50 anos pelo povo judeu e mediante o qual Deus colocava um limite à escravidão, à propriedade da terra. “Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação para todos os habitantes do país: será para vós um jubileu”. 

No ano do Jubileu os escravos recobravam a liberdade, as terras vendidas retornavam aos seus proprietários originários ou às suas famílias, as dívidas eram perdoadas. O Jubileu era uma forma  de buscar mais igualdade e justiça na sociedade, embora essa proposta nem sempre foi muita respeitada. 

Do Jubileu celebrado pelo povo judeu, deriva na Igreja os anos jubilares ou anos santos nos quais a Igreja oferece uma ocasião para obter o perdão da pena merecida pelo pecado, convida as pessoas a se aproximarem mais de Deus e a recobrar forças  para fazer o bem a que se é chamado.

Estamos celebrando desde outubro do ano passado o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI e que se prolonga até novembro próximo. É para nós cristãos um ano especial e somos convidados a nos convertermos mais para Deus, a aprofundar nossa fé em Jesus Cristo e a testemunhar esta fé no ambiente social em que vivemos e atuamos por uma vida coerente com os valores do Reino de Deus: a solidariedade, a justiça, o amor, a paz.

No evangelho, Mateus narra a prisão e a execução de João Batista, o precursor de Jesus, por ordem do rei Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que entrou para a história como aquele que mandou matar as crianças nos arredores de Belém, com a intenção de desfazer-se do Messias, o Menino Jesus, que ele considerava um perigoso competidor que ameaça o seu trono.

João Batista era um homem austero e totalmente  entregue a missão de preparar o povo judeu para  a chegada do Messias. Era um homem reto e corajoso, pois não  teve medo de dizer a Herodes que não lhe era permitido ter como esposa  Herodíades, a mulher do seu irmão Felipe.

Herodes, na festa de seu aniversário, encantou-se com a beleza e a dança de Salomé,  filha de Herodíades,  e  lhe prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. Instrumentalizada por sua mãe, Salomé  pediu a cabeça de João Batista. 
Herodes não conseguiu libertar-se da escravidão do seu juramento, mas sobretudo, libertar-se da escravidão do seu pecado de adultério, e ordenou, então, a execução de João Batista. 

Peçamos a Deus, nesta eucaristia, por todas as famílias para que superem suas dificuldades com a ajuda divina e vivam no amor e na fidelidade o seu matrimônio e por aqueles que são perseguidos por causa da sua fé ou por causa da sua luta pela justiça, para que a força de Deus os acompanhe sempre.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

III Congresso Internacional dos Mercedários, Aparecida, SP

Saúdo, cordialmente, os religiosos da Província Mercedária do Brasil e os participantes do III Congresso Mercedário Internacional, em preparação ao Jubileu dos 800 anos da fundação da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, conhecidos como Mercedários, por São Pedro Nolasco, no século 13. São 

Pedro Nolasco foi ajudado por São Raimundo de Peñafort e o objetivo da ordem era a libertação dos cativos que tinham caído prisioneiros dos árabes. Com a mudança das condições históricas, a ordem se dedica, atualmente, ao trabalho pastoral nas paróquias e no campo social, administra vários colégios e creches e atende dependentes químicos, libertando as pessoas submetidas às novas formas de escravidão. 

No Brasil, a Ordem  de Nossa Senhora das Mercês chegou em 1693, em Belém do Pará, e em 1659, no Maranhão. Após a expulsão com outras Congregações religiosas, pelo Marquês de  Pombal, os  Mercedários retornaram ao Brasil em 1920, aos quais foi entregue, pelo Papa Bento XV, a Prelazia de Bom Jesus de Gurgeia, no Estado do Piauí, que foi elevada à Diocese pelo Papa João Paulo II, em 1981.

A primeira leitura do livro do Levítico descreve as festas anuais do povo judeu que tinham como objetivo reavivar em cada um a consciência de pertença a um povo e de pertença ao próprio Deus. 

As festas tinham um caráter religioso, comemorar as ações maravilhosas do Deus Salvador, dar graças por elas, perpetuar sua recordação, e expressar a comunhão do povo entre si e o compromisso de viver como povo de Deus na vida diária.  Frequentemente, os profetas censuravam o povo de Israel quando os seus cultos se afastavam desse objetivo e se reduziam a ritos meramente exteriores e formais.

Nós cristãos não celebramos as festas do Antigo Testamento. No tempo da Igreja, a liturgia celebrada em dias fixos está toda ela impregnada pela novidade do mistério de Cristo.  

A Igreja instituiu seu calendário litúrgico com suas festas para nos  ajudar a celebrar  e a viver  a novidade da vida que Cristo nos deu com sua morte e ressurreição. Ao longo do ano litúrgico a Igreja celebra os mistérios da vida de Cristo e recorda os santos  e santas, em especial, a Virgem Maria, que são para nós exemplos do seguimento de Cristo e de ajuda para nossa debilidade.

Para nós cristãos, o domingo, dia do Senhor, é dia de festa e deve ter um lugar especial na nossa vida. Para nós, é o dia da ressurreição do Senhor; é a nossa páscoa semanal, o fundamento e o núcleo de todo ano litúrgico. 

É um dia de descanso na semana; dia para conviver mais com a família, escutar a Palavra de Deus, participar na Eucaristia e dar graças a Deus que nos fez renascer na esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo. Na pastoral paroquial, o domingo deve merecer uma atenção especial. 

A nossa vida de fé e a nossa consciência de pertença à comunidade eclesial se enfraquecem quando deixamos de  participar aos domingos na Celebração Eucarística. “A Eucaristia dominical é um momento privilegiado do encontro das comunidades com o Senhor ressuscitado, os fiéis devem experimentar a paróquia como família na fé e na caridade, onde mutuamente se acompanhem e se ajudem no seguimento de Cristo.” (DA 305).  

Hoje em dia corre-se o risco de transformar o domingo num mero dia de descanso ou num dia a mais de trabalho e de se esquecer de prestar nosso culto de louvor e agradecimento a Deus. Valorizemos, pois, o Domingo, em nossa comunidade.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Agosto, mês vocacional

No  Brasil o mês de agosto é sempre  uma oportunidade para que possamos refletir sobre o chamado que Deus nos faz para vivermos de um modo mais concreto a nossa vocação à santidade, que recebemos no dia em que fomos batizados. 

Na primeira semana, lembramos a vocação sacerdotal, refletimos sobre a sua importância para a Igreja e rezamos ao Senhor da messe para que envie operários, de modo que não faltem padres para cuidar das mais diversas comunidades espalhadas pelo Brasil. 

Em seguida, recordamos a vocação religiosa. Nossa mente se volta para os homens e mulheres que se consagraram a Deus através dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência para viverem em comunidade segundo o carisma de seus fundadores e servirem à Igreja e ao povo de Deus nos mais diferentes serviços, sejam de natureza religiosa ou social. Lembramo-nos também dos missionários e missionárias que deixaram  suas terras e foram para os locais mais distantes no serviço do Reino de Deus, anunciando Jesus Cristo aos que ainda  não O conhecem.

Há também outra vocação que não pode ser esquecida:  a dos fiéis leigos e leigas que, através do exercício de ministérios não ordenados, se fazem presentes nas comunidades eclesiais e no mundo e se dedicam à evangelização na família, no trabalho profissional e no seu ambiente social, para santificar o mundo e fazer com que ele deixe de ser a cidade dos homens para tornar-se a cidade de Deus. Dentre os diferentes ministérios leigos, o último domingo de agosto destaca a catequese, comemorando o dia dos catequistas.

Grandes santos são lembrados neste mês, como: São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, padroeiro dos párocos; São Lourenço, padroeiro dos diáconos; Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação dos Missionários Redentoristas; São Tarcísio, padroeiro dos coroinhas; Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina e, de modo especial, nossa Santa Mãe do Céu, Maria Santíssima, que é recordada na solenidade da sua Assunção, nos apontando o feliz destino de todos os que dizem “Sim” a Deus.

O tema vocacional é, de modo especial, voltado para os jovens. É um apelo para que todos procurem ouvir a voz de Deus e dizer sim ao seu chamado para servirem concretamente ao seu Reino.

Rezemos para que a Mãe Aparecida abençoe a Igreja, e, especialmente, os jovens, a fim de que sejam fiéis no seguimento de Jesus Cristo e obedientes ao  mandato de seu Fundador e Mestre: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos”. O Papa Francisco, em sua homilia da Santa  Missa para a 28ª JMJ, afirma: “Não  tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai a nossa frente e nos guia. Ao enviar seus discípulos em missão, Jesus prometeu: “Eu estou com vocês todos os dias” (Mt 28,20).  E isto é verdade também para nós! Jesus nunca deixa ninguém sozinho! Sempre nos acompanha.”

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Santo Padre,

Com grande satisfação, acolho Vossa Santidade neste Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Esta Vossa visita pastoral ao Santuário da Padroeira do Brasil se caracteriza como um ato de devoção a Nossa Senhora.

São milhares de romeiros, Santidade, que peregrinam para este lugar que foi abençoado pela imagem milagrosa, encontrada no rio Paraíba, em 1717, e aqui venerada. Peregrinando, eles manifestam seu afeto filial à Virgem Maria, trazendo-lhe suas necessidades, angústias e gratidão. Mas, guiados sobretudo pela esperança, vêm fortalecer a fé e alimentar a caridade. Quando o Bispo de Roma se faz também um romeiro de Nossa Senhora, todos eles se sentem “confirmados na verdade da fé” por aquele que “preside na caridade todas as Igrejas”, “guiando a todos, com firme doçura, nos caminhos da santidade” (cf. Insediamento sulla Cathedra Romana, p. 7). 

Este Santuário é um importante “ícone” religioso nacional. Ao visitá-lo, podemos dizer que, simbolicamente Vossa Santidade está visitando todo o Brasil. É uma visita de peregrino, com a qual Vossa Santidade quis confiar a Nossa Senhora o grande acontecimento dos próximos dias, que é a 28a Jornada Mundial da Juventude. Todos nós nos unimos a esta oração, para que o encontro da juventude com o Sucessor de Pedro fortaleça a fé e o amor de nossos jovens a Jesus Cristo e suscite em todos eles aquele ardor missionário que se traduz no lema da Jornada: “ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).

Este santuário que O recebe com imenso júbilo, conta, a partir de hoje, a graça de ter recebido três Papas. Ele foi dedicado pelo Beato Papa João Paulo II, dia 04 de julho de 1980, e acolheu o Papa Emérito, Bento XVI, nos dias 12 e 13 de maio de 2007, por ocasião da abertura da 5a Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.

No início  da celebração desta Missa Solene, em nome dos devotos de Nossa Senhora Aparecida, desta Arquidiocese e de todo o Brasil, entregarei a Vossa Santidade uma réplica da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, esculpida em madeira por um artista da região. 

A cor negra desta imagem, Santo Padre, segundo estudiosos, foi causada, provavelmente, pelo lodo do rio e da fumaça das velas. Ela tem sido interpretada como uma referência aos sofrimentos dos pobres e excluídos, especialmente do povo negro, ao longo da história do Brasil. Vê-la no rosto da Imaculada Mãe de Nosso Senhor desperta continuamente nossa Igreja para que seja comprometida com os pobres, e seja pobre também ela, para evangelizar. Assim, livre, pode servir a Nosso Senhor e a seu Evangelho.

Por meio da imagem que será dada a Vossa Santidade, peço a Nossa Senhora,  em nome do povo brasileiro,  que acompanhe e abençoe o Vosso ministério. Mas desejamos também que o pensamento, o afeto, e, sobretudo, as orações do Papa, acompanhem a grande nação brasileira, para que, justa e fraterna, se desenvolva na paz. E acompanhem a Igreja no Brasil, para que ela, fiel à sua missão de anunciar o Evangelho e testemunhá-lo no dia a dia, honre sempre sua história de fé, e avance, em meio aos desafios presentes, confiante na presença e na proteção divina e na maternal intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

Santo Padre, seja muito bem-vindo a este Santuário que o acolhe com afeto e reverência filial, como sucessor de Pedro, Bispo de Roma e Pastor de toda a Igreja.

Foto: Thiago Leon

segunda-feira, 15 de julho de 2013

15º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional

A primeira leitura de hoje, tirada do libro do Deuterônomio nos diz que conhecer, amar e viver a palavra de Deus escrita e contém a lei que Deus nos  deu no decálogo, não é impossível para o ser humano. Esta lei de Deus gravada no nosso coração aguarda somente que a coloquemos em prática, no dia-a-dia da nossa vida. 

O evangelho de Lucas que escutamos oferece, por meio da parábola do bom samaritano, uma aplicação prática da observância da lei de Deus na nossa vida. 

O doutor da lei certamente queria envolver Jesus  numa disputa sobre o que é certo e o que é errado, mas Jesus não caiu na armadilha. Jesus contou uma história do amor a Deus e ao próximo. 
Um doutor da lei, conhecedor da Escritura, fez um pergunta a Jesus: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Como se tratava de um doutor da lei, Jesus simplesmente pede-lhe que ele mesmo responda o que está escrito na Lei. “Amarás o Senhor teu Deus, respondeu o Doutor, de todo teu o coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo.” 

A resposta está correta, retrucou-lhe Jesus, mas Jesus acrescentou algo muito importante: “faze isso e viverás”. Não satisfeito com a resposta de Jesus e querendo desculpar-se, o doutor da lei, querendo envolver Jesus num outro discurso teórico, perguntou-lhe: “E quem é meu próximo?”
Jesus não dá nenhuma explicação teórica, abstrata, mas utiliza uma história muito significativa para tocar o coração daquele doutor da lei. Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu na mão de assaltantes 

A região é deserta e ali jaz um homem desconhecido e quase morto. Dois homens, um levita e um sacerdote, funcionários do templo de Jerusalém, veem o homem e passam adiante. Um samaritano, que para os judeus era considerado estrangeiro, impuro, inimigo, passando em viagem por aquele lugar, viu o homem caído à beira da estrada, não só se  aproximou-se e sentiu compaixão daquele homem, mas prestou-lhe os primeiros socorros e o levou a uma pensão, onde cuidou dele e pagou todas as despesas do tratamento.
Jesus concluiu a história fazendo ao doutor da lei uma pergunta: “na tua opinião, qual dos três foi próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”. Ele responde, e mais uma vez  acerta: “Aquele que usou a misericórdia para com ele.”

O doutor da lei  sabe tudo o que ele quer e deve saber. Mas falta-lhe o principal, por em prática o seu conhecimento,  ou em outras palavras, viver da maneira coerente com seu conhecimento da Lei de Deus. É o que lhe diz Jesus: vai e faze a mesma coisa.

Caros irmãos, o nosso próximo é cada pessoa humana, sem distinção de raça, cor, nacionalidade, credo religioso. O amor é uma experiência de gratuidade e só assim ele é amor de verdade e gratificante. Não basta conhecer a lei de Deus, é necessário colocá-la em prática. Peçamos a Deus a graça de conhecer o que devemos fazer e a força para praticá-lo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

14 anos da Família Campanha dos Devotos

Nesta Celebração Eucarística queremos agradecer a Deus pelos 14 anos de existência da Família  Campanha dos Devotos. 

Graças a colaboração generosa dos participantes da Família Campanha dos Devotos, o Santuário tem prosseguido nos trabalhos de acabamento da Basílica de Nossa Senhora Aparecida e no trabalho de evangelização pelos meios de comunicação: a Rede Aparecida de Comunicação: a TV, a  Rádio Aparecida, o portal A12.com, a Revista de Aparecida, a Editora Santuário, o Jornal Santuário.

Entres as obras de acabamento do Santuário, quero destacar o revestimento, em mosaico, da Cúpula Central, que esperamos concluir em 2015.  Em 2014, iniciar-se-á a preparação da celebração dos 300 anos do encontro da imagem no rio Paraíba, em 1717. 

A proposta da   celebração do tricentenário do encontro da imagem  da Virgem da Conceição Aparecida, envolvendo toda a Igreja no Brasil, foi aprovada na última assembleia da CNBB, aqui em Aparecida. 

Queremos, também, celebrar este tricentenário em sintonia com o Santuário de Fátima, em Portugal, que estará celebrando o centenário em 2017, da aparição da Virgem Maria aos três pastorzinhos de Fátima, na Cova da Iria. Contamos com a generosidade e fidelidade de toda a Família Campanha dos Devotos.

A Igreja celebra hoje, no calendário litúrgico, a memória de uma santa jovem, Santa Maria Goretti, que viveu no final do século 19, perto de Roma. Órfã de pai, ajudou sua mãe a cuidar dos seus quatro irmãos menores. 

Quando  tinha apenas 12 anos e havia  feito a Primeira Comunhão resistiu, corajosamente, às propostas indecorosas e desonestas  de um jovem de 18 anos, que a assassinou com um punhal. 
Morreu perdoando o seu assassino. “Por amor de Jesus, disse Maria Goretti, eu o perdoo e desejo, de coração, que ele também vá comigo ao paraíso.” Foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 1950, na presença da mãe e dos quatro irmãos.

No Evangelho de hoje, Jesus compara a sua estada  com os discípulos a uma festa de casamento. Jesus é o noivo e os discípulos são os convidados das bodas. O Antigo Testamento  apresenta a relação de Deus com  o povo de Israel como uma relação de amor entre o esposo e a esposa e, geralmente, referindo-se ao futuro. 
O tempo das bodas tão desejado no Antigo Testamento chegou, finalmente, com Jesus. São tempos novos e os discípulos de João estão fechados na velha mentalidade e ainda não abriram os olhos para a presença do Messias, do portador dos bens salvíficos, que é Jesus. 

O que importa agora é fazer parte dos amigos do noivo para alegrar-se em suas bodas. A plenitude dos tempos chegou e o convite é para todos se alegrarem. Não bastam práticas exteriores como o jejum, a esmola, se essas práticas não traduzirem uma verdadeira conversão do coração para Jesus e sua palavra. É preciso renovar-se, converter-se diante da pessoa de Jesus e de suas obras. 

Para aceitar Jesus Cristo e sua mensagem é preciso superar preconceitos, fanatismos, auto-suficiência, pois “não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem.”

Jesus não veio abolir o que Deus revelou no passado, mas veio levá-lo à plenitude. Por isso, ele não condenou a prática do jejum; ele próprio jejuou no  deserto, antes de começar sua pregação do Reino de Deus.

O importante é que as práticas externas traduzam a sinceridade do nosso coração,  sejam manifestação do verdadeiro amor a Deus e ao nosso irmão e não para nos vangloriarmos diante dos outros.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

10º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional

As leituras que acabamos de escutar, a do primeiro livro dos Reis e a do evangelho de Lucas, relatam dois milagres: a ressurreição do filho da viúva de Sarepta e a ressurreição do filho da viúva de Naim.

Na primeira leitura, o profeta Elias realiza a ressurreição do menino não pelo próprio poder, mas  graças ao poder de Deus a quem ele suplica confiante: “Senhor, meu Deus, faze, te rogo, que a alma deste menino volte às suas entranhas”. O Senhor ouviu a voz de Elias e o menino recuperou a vida.

No evangelho, Lucas destaca a compaixão de Jesus para com aquela mulher viúva, que levava o seu único filho para ser sepultado.

Jesus não espera, toma a iniciativa e se aproxima daquela mãe desolada e lhe diz: “Não chores!” Aproximou-se, tocou o caixão e disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” E Jesus o entregou à sua mãe.

Diferentemente do profeta Elias, Jesus não invoca a Deus, mas ressuscita o jovem com o seu próprio poder. “Eu te ordeno, levanta-te”.

Em Jesus, e por meio dele, Deus manifesta o seu poder sobre a vida e a morte. Jesus se revela não só  como o grande profeta, mas  como a  presença de Deus entre o seu povo. “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio  visitar o seu povo”, exclama a multidão.

De fato, ressuscitar mortos é uma ação exclusiva do poder de Deus. O Deus da vida e da morte se faz presente em Jesus.

Somente Lucas, entre os evangelistas, narra esse milagre de Jesus. Temos, às vezes, a tendência em ressaltar o milagre realizado por Jesus. Mas é importante, também, prestar atenção na ternura, na solidariedade de Jesus para com os pobres, os sofredores representados na pessoa  daquela mulher viúva que perdeu o seu único filho.

Com esse milagre, Jesus anuncia a sua própria ressurreição, que será de outra ordem. A nossa esperança na ressurreição se baseia na ressurreição de Cristo. Deus no seu poder dará definitivamente ao nosso corpo a vida  incorruptível, unindo-o a nossa alma pelo poder da Ressurreição de Jesus. Nós ressuscitaremos como Ele, com Ele e por Ele. E a comunhão do corpo de Cristo na Eucaristia é certeza de nossa ressurreição. “Quem come deste pão viverá sempre”. 

Contemplando a atitude de Jesus, no Evangelho de hoje, peçamos-lhe que abra o nosso coração ao amor, à compaixão, à solidariedade para com nossos irmãos mais sofridos, mais necessitados, tornando-nos assim mais semelhantes ao próprio Jesus. E que a fé e a esperança da vida futura não nos afastem de nossos  compromissos de construir um mundo mais justo e solidário, sinal do reino definitivo. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A espera do Papa Francisco

O próximo mês de julho será muito especial  para todos nós brasileiros. É o mês em que acontecerá, entre os dias 23 a 28,  a Jornada Mundial da Juventude,  na cidade do Rio de Janeiro, evento que reunirá jovens do mundo inteiro para rezar, cantar e louvar a Deus.  Serão dias de evangelização, de alegria e  de muitas bênçãos. 

A JMJ contará com a presença do Papa Francisco. Sua Santidade chegará no Brasil no dia 23 de julho, e já na manhã do dia 24, nos dará a honra de visitar o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Este gesto do Santo Padre demonstra sua devoção pessoal à Virgem Maria e seu carinho pelo povo brasileiro. No Santuário Nacional, o Papa Francisco celebrará a Santa Missa e, em seguida, irá ao Seminário Missionário Bom Jesus, onde almoçará e  fará um breve descanso.

A nossa pequena cidade de Aparecida, o Santuário Nacional e o Seminário Missionário Bom Jesus podem se sentirem privilegiados e orgulhosos, pois poucos lugares no mundo  tiveram a honra de receber 3 Papas: João Paulo II, em 1980; Bento XVI, em 2007; e agora o Papa Francisco.

Importante recordar que o Papa Francisco esteve em Aparecida no ano de 2007, entre os dias 13 a 31 de maio, para participar da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. Na época, ele era o Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, capital da Argentina. Na V Conferência, o Cardeal Bergoglio foi designado presidente da Comissão de Redação do Documento Conclusivo da  V Conferência – o Documento de Aparecida. Certamente, o Papa Francisco deve ter boas recordações daqueles dias vividos  aqui.  E agora, ele retorna na condição de Sucessor de Pedro. 

Alegremo-nos, pois, com a Jornada Mundial da Juventude e com a presença do nosso querido Papa em terras brasileiras.  Estejamos com o coração aberto para acolher sua mensagem. Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos dê sabedoria e coragem para colocar em prática o lema da Jornada: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Que a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude nesse propósito.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Peregrinação das Famílias - Santuário Nacional


Com grande satisfação, dou as boas vindas a todos, em especial, aos que vieram ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, como família, em peregrinação. Esta é a 5a Peregrinação Nacional das Famílias. O tema escolhido para esta peregrinação, em sintonia com a Jornada Mundial da Juventude e com o Ano da Fé, é “A transmissão e a educação da fé cristã na Família”.

Estamos hoje celebrando a solenidade da Santíssima Trindade. Com esta celebração, somos convidados a contemplar o mistério da Santíssima Trindade e a compreender melhor como nossa relação com Deus é marcada pelo mistério de sua vida íntima, pela sua Trindade de Pessoas.

Na segunda leitura, na carta aos Romanos, S. Paulo afirma, referindo-se a Cristo: “Por Ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus”(5,2). Aqui se encontra a indicação clara do modo como nossa relação de comunhão com Deus é estabelecida e fundamentada: “Por Ele tivemos acesso a esta graça”. A graça é a nossa condição de cristãos. E esta graça, como ensina S. Paulo, nós a recebemos na fé, ou seja, pelo batismo e pela vida nova que este sacramento nos comunica. Por sermos batizados, com Cristo somos filhos de Deus, estamos em relação de familiaridade com o Pai, e somos habitados pelo Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que nos conduz à verdade plena, como nos ensina o Evangelho de hoje (Jo 16,13).

Desse modo, somos orientados corretamente para o mistério de Deus. Não se trata de termos que decifrar intelectualmente o mistério trinitário de Deus. Trata-se de o contemplarmos a partir da experiência de comunhão com esse mistério, que nos é comunicada nos sacramentos, na liturgia e em nossa vida espiritual.

O início de tudo, em nossa vida de fé, é o batismo. Com esse sacramento, somos marcados com o sinal de nossa salvação: a Cruz de Cristo, pela qual fomos resgatados do pecado e postos em uma relação de amor e amizade com Deus. E somos também postos sob a marca do Nome Santo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Ter a marca de um nome sobre nós indica que pertencemos a Ele. 

Ao fazermos sobre nós o sinal da Cruz, no início do dia, no início de nossas celebrações e orações, antes de nossas refeições e de todas as atividades importantes, nós estamos recordando o mistério dessa pertença amorosa a Deus e estamos procurando viver em profunda sintonia com a graça batismal, que nos transformou profundamente.

Assim, compreendemos que se trata, em primeiro lugar, de vivenciarmos a relação de comunhão, na fé e no amor, com Deus que, como nos diz a primeira leitura, do livro dos Provérbios, se alegra em estar na companhia das pessoas humanas (8,31).

“A transmissão e a educação da fé cristã na família”, este é o tema da 5a Peregrinação das Famílias ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O tema recorda que essa é uma missão da família. Este tema foi aprofundado ontem, durante o 3o Simpósio Nacional da Família, promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para a vida e a Família. Essa Comissão expressa a solicitude de toda a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Igreja no Brasil pela Família, e por seu papel insubstituível na vida de cada um de nós, na vida da Igreja e na vida social.

Recordemo-nos que a transmissão da fé deve ser feita primeiro  pela família. De fato,  não basta transmitir a vida biológica; é necessário , por meio da educação, ensinar o modo correto para viver bem. Não basta ensinar a viver bem neste mundo; é necessário transmitir também o significado eterno da vida humana, que se encontra na fé em Deus e na comunhão com Ele. Transmitir a fé e educar nela é parte fundamental da missão da família cristã.

Muitas vezes, durante as celebrações, vemos os pais ou avós, tendo nos braços seu filhinho ou netinho, no início da celebração, depois de ter feito sobre si mesmos o sinal da cruz, tomarem a mão da criancinha e a ajudá-la a traçar também esse sinal; ou vemos, durante a oração do Pai Nosso, segurarem para  o alto uma das mãozinhas da criança, enquanto rezam. Quando já estão maiorzinhas, vemos essas crianças tentarem fazer  sozinhas o sinal da cruz ou elevarem as mãos durante o Pai Nosso. Desajeitadamente, muitas vezes, mas tentando fazer certo. E as vemos olhar para os olhos de seus pais ou avós, buscando aquele sinal de aprovação e aquela confirmação que os faz ir adiante e progredir no caminho da fé.

São sinais exteriores, mas importantes. Como ontem, no Simpósio, quero recordar aqui, uma das perguntas que se faz aos noivos durante a celebração do sacramento do Matrimônio:  “estais dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, e a educá-los na lei de Cristo e da Igreja?”. Quando assistimos a cenas como  as que acabo de descrever, temos alegre convicção de que sim, a família cristã continua fiel a sua missão, embora tenha que enfrentar desafios para isso. E se é verdade que muitos pais já não se preocupam tanto em transmitir e educar na fé os seus filhos, em diversos casos, os avós ainda o procuram fazer, como nos recordou há poucos dias o Papa Francisco, lembrando-se de sua própria avó. E  cresce o número dos que descobrem que educar na fé é garantia  segura de um futuro melhor para seus filhos.

Queridos irmãos e irmãs,  desejo a todos  que a experiência de ser família e de procurar viver em família a fé cristã, os faça progredir no conhecimento amoroso do mistério de Deus e, por este caminho da fé e da graça, os faça famílias felizes e comprometidas com o Evangelho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Festa da Ascensão do Senhor - Santuário Nacional


Neste sétimo domingo da Páscoa, celebramos a festa da Ascensão do Senhor. Depois de ter cumprido aqui na terra a missão que o Pai lhe confiou, Jesus ressuscitado entra como Deus e como homem na glória divina, na comunhão plena com Deus. 

A subida de Jesus aos céus não significa afastamento de nossa condição humana ou indiferença em relação a nós. Jesus ressuscitado continua presente e atuante na sua Igreja e no mundo através do Espírito Santo.

A missão de Jesus como homem foi concluída; agora começa a missão da Igreja, de todos os batizados. Jesus deixou nas mãos dos discípulos a missão de anunciar e testemunhar o que tinham visto e ouvido. Os apóstolos começaram sua missão com a força do Espírito Santo, em Jerusalém, Judeia, Samaria, até alcançarem regiões mais distantes.

Hoje, somos nos chamados a testemunhar o evangelho de Jesus Cristo no ambiente de nossa família, na realidade do nosso trabalho, nas nossas comunidades, enfim, no lugar onde vivemos e atuamos. É necessário, contudo, primeiro tornar-se discípulo de Jesus, viver como Jesus para somente depois anunciá-lo no mundo de hoje. Se não estivermos unidos a Jesus, nosso trabalho será em vão. 

Hoje, festa da Ascensão, a Igreja no Brasil celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema: “Redes Sociais: Portas da verdade e da fé; novos espaços de evangelização.” A 47ª Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações deste ano é datada no dia 24 de janeiro deste ano, portanto, foi escrita pelo então Papa Bento XVI, hoje Bispo-Emérito de Roma. 

A mensagem deste ano trata das redes sociais digitais que são como um espaço público e aberto onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões, estabelecem novas relações e formas de comunidade. As pessoas que usam as redes sociais devem se esforçar por serem autênticas, para que contribuam para construir relações e amizades verdadeiras e partilhar conhecimentos, buscar respostas para as questões fundamentais da vida humana, como a verdade, o amor, o sentido da vida. 

É importante usar também as redes sociais digitais para partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana. O importante é que saibamos utilizar os meios de comunicação e os recursos tecnológicos da internet também para ajudar as pessoas a descobrirem o rosto de Cristo. Felicitamos os jornalistas e todos aqueles que trabalham nos meios de comunicação com os votos para que se coloquem a serviço da verdade, da justiça e de paz.

Felicito, também, as mães neste seu dia. A maternidade não é uma realidade, exclusivamente, biológica, mas se expressa de diversas formas de amor, compreensão e serviço aos demais.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Pentecostes


Vivendo as alegrias do tempo pascal, estamos, agora,  na expectativa do Pentecostes. Pentecostes é uma palavra que vem do grego e significa "quinquagésimo". É o 50° dia depois da Páscoa. “Os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo." (Normas Universais do Ano Litúrgico, n 22).  

A solenidade de Pentecostes é também  conhecida como a Festa do Espírito Santo. É    a manifestação pública da Igreja chamada a anunciar o Evangelho de Cristo, com a força do Espírito a todos os povos da terra até o fim do mundo. O  Espírito Santo é chamado “a alma da Igreja” porque realiza na Igreja uma função semelhante àquela da alma no nosso corpo. 

O mesmo Espírito que nos primórdios do mundo pairava sobre as águas e as encheu de vida; que fecundou o seio de Maria e fez dela a mãe do Filho de Deus; que ressuscitou Jesus dentre os mortos; que desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, é o mesmo Espírito que hoje  continua a santificar, animar, e conduzir a Igreja. É ele que estabelece na Igreja os pastores; que guia a comunidade e seus dirigentes; que a impele para a missão; que rejuvenesce e renova continuamente a Igreja. Ele é a força e a vida da Igreja e de sua missão no mundo.

Aproveito a oportunidade para convidar você e sua família  para participar da Festa do Povo de Deus, a realizar-se no dia 19 de maio, em Guaratinguetá, a partir das 12h30, com  show do Pe. Antonio Maria, encerrando com a Celebração Eucarística, às 18h. Será uma alegria tê-lo conosco! 

Não posso esquecer de deixar uma saudação especial a todas as Mães que, no segundo domingo de maio, celebram  seu dia. A todas elas, o nosso amor, respeito e  gratidão. Que Deus as abençoe e as proteja sempre. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

3º Domingo de Páscoa - Santuário Nacional


Estamos no tempo pascal, tempo de alegria e de paz, fruto da ressurreição de Jesus. É uma ocasião oportuna para renovar nossa fé na presença do Ressuscitado em nosso meio para nos animar e nos acompanhar. Ele próprio prometeu a sua presença permanente entre nós: “Estou convoco, todos os dias, até o fim”.

As leituras deste III domingo da Páscoa nos recordam que o Ressuscitado não é um fantasma; é o Cristo em pessoa, vivo e vencedor da morte, centro de nossa fé.

A ressurreição é um acontecimento histórico demonstrável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros  dos apóstolos e de outras testemunhas qualificadas com o Cristo ressuscitado.

É essa consciência viva da presença do Cristo ressuscitado que explica  o testemunho corajoso dos apóstolos ao anunciar a Boa Nova da ressurreição apesar dos “açoites e proibições  de falarem  em nome de Jesus”. Mais ainda, os apóstolos, conforme a primeira leitura de hoje “saíram do Sinédrio muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus”

Caros irmãos e irmãs, o Senhor Jesus espera também de nós, seus discípulos e missionários,  uma resposta de amor, um testemunho de nossa fé no Cristo ressuscitado, corajoso, alegre, firme  no mundo de hoje, procurando viver  de maneira coerente a nossa fé em  vida familiar,  no trabalho e na vida social.

Diante de uma sociedade muitas vezes indiferente e hostil à pregação e à vivência do evangelho não podemos adaptá-lo as conveniências do mundo para evitar oposição e rejeição. 

O evangelho de hoje nos apresenta uma sequência de três episódios: num primeiro momento, Jesus ressuscitado aparece de manhã aos sete discípulos, no mar de Tiberíades, tendo Pedro à frente, após uma noite inteira de trabalho sem pescar nada. Jesus ordena-lhes que lancem novamente as redes. Apanharam uma grande quantidade de peixes - 153 grandes peixes, número das espécies de peixes conhecidos pelos naturalistas daquela época. João, o discípulo a quem Jesus amava reconheceu o Cristo ressuscitado. “É o Senhor”, disse ele a Pedro.

No segundo momento, enquanto os apóstolos estão pescando, Jesus lhes prepara uma comida com pão e peixe e reparte  aos apóstolos, símbolo da Eucaristia, na qual Jesus se faz alimento para nós.

Finalmente, Jesus convida Pedro a professar três vezes seu amor pessoal por Ele, antes de colocá-lo à frente de sua Igreja.  Pedro tem que tomar uma  decisão, e ele decide por Jesus: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”, disse Pedro a Jesus.  Jesus fez de Simão Pedro a pedra de sua Igreja e lhe entregou as suas chaves e o constituiu pastor de toda  a Igreja. “Apascenta as minhas ovelhas”, disse Jesus a Pedro.  Para nós, Pedro é o Papa Francisco, aquele que torna  Jesus, o único pastor, presente e visível para nós. 

Os Bispos do Brasil estão reunidos em assembleia aqui, em Aparecida, desde o dia 10 e permanecerão até o dia 19 próximo. Renovo o convite a todos os presentes e aos que nos acompanham pelos Meios de Comunicação Social que continuem rezando pela 51ª Assembleia da CNBB para que seus resultados sejam muitos proveitosos para a Igreja no Brasil.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

2º Domingo da Páscoa - Santuário Nacional


Estamos no tempo pascal, o tempo mais importante do ano litúrgico. É interessante observar que durante o tempo pascal a primeira leitura será sempre de textos tirados do livro dos Atos dos Apóstolos. 

O livro dos Atos dos Apóstolos nos convida a contemplar a expansão da Igreja que cresce como fruto da ressurreição de Cristo e da ação do Espírito Santo.

No texto de hoje, vemos que Pedro desempenhava papel importante no início da Igreja, gozava de muito prestígio e “o número dos que aderiam ao Senhor pela fé crescia sempre mais”.

A segunda leitura nesse tempo pascal será sempre do livro do Apocalipse. A mensagem principal desse último livro do Novo Testamento escrito por São João, na ilha de Patmos, é que a vitória de Jesus sobre a morte, e de seus seguidores, é definitiva. Jesus é o Senhor da história e da vida.

O evangelho dos domingos, no tempo pascal, será o de São João.

No evangelho de hoje, São João relata duas aparições de Jesus ressuscitado aos discípulos. A primeira, no dia da ressurreição do Senhor e a outra, oito dias mais tarde. Na primeira aparição, Tomé estava ausente e não acreditou no testemunho dos outros apóstolos e exige provas para acreditar na ressurreição de Jesus. “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 

A atitude de Tomé é parecida com a atitude do homem moderno que só acredita naquilo que pode observar, experimentar. Todos nós queremos dar razão de nossos conhecimentos. É um desejo natural. É claro também que a ciência não explica tudo e à determinadas questões somente a fé pode dar respostas satisfatórias. 

Jesus atende o desejo de Tomé e aparece novamente aos discípulos reunidos e desta vez Tomé estava com eles. Jesus convida Tomé a fazer a experiência física que para ele era importante: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”.

Tomé atesta que a aparição de Jesus não é uma ilusão, mas é o mesmo Jesus que, agora, após a sua morte na cruz, se manifesta vivo, glorioso, ressuscitado e faz a sua bela profissão de fé no Cristo ressuscitado, dizendo: “Meu Senhor e meu Deus”.

A nossa fé e a nossa felicidade, queridos irmãos, estão fundadas na fé e na experiência dos apóstolos. “Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.

O Ano da Fé nos convida a aprofundar nossa adesão  à pessoa de Cristo. A fé não se baseia em  comprovações científicas, embora se baseie em sólidos  argumentos.  É um dom de Deus que não elimina certos requisitos de nossa parte, como a  abertura à verdade e afastamento de muitos preconceitos que nos impedem de aceitar a revelação de Deus que se manifesta a nós de muitas maneiras.

Convido a todos a rezar pela 51ª. Assembleia Geral dos Bispos do Brasil – CNBB – que começa no dia 10 de abril próximo e se conclui no dia 19. A assembleia se realiza em Aparecida, no Santuário Nacional.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alegremo-nos! Cristo ressuscitou! A vida venceu a morte! A luz venceu as trevas!


Páscoa é para nós o dia mais radiante da história humana. É o dia em que o sepulcro onde depositaram o corpo de Jesus Crucificado, na sexta-feira santa, apareceu inesperadamente vazio. Jesus  não estava mais ali. 

Conforme o evangelho de João,  a primeira pessoa a comprovar esse fato extraordinário foi uma mulher, Maria Madalena.  Depois, chegaram Pedro e João. “Viram as faixas de linho no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Jesus havia ressuscitado dentre os mortos, conforme as Escrituras. Viram e acreditaram” (Jo 20,5-9).

O túmulo  vazio era apenas um sinal da ressurreição. A ressurreição de Jesus é confirmada pelas aparições do Ressuscitado aos apóstolos e a outras pessoas. Foi a partir da experiência do Ressuscitado, cujos relatos estão contidos nos evangelhos, é que os apóstolos começaram a proclamar pelo mundo afora que Cristo morreu e ressuscitou. 

Como os apóstolos,  também nós, devemos  testemunhar a fé no Cristo ressuscitado e manifestar a alegria por saber que a noite da dor e da morte terminará na hora da nossa páscoa definitiva; alegria por colocar nossa segurança não nos bens que passam, mas nos bens eternos; alegria de passar da escravidão para a verdadeira liberdade dos filhos de Deus;  alegria de sentir-se amado por Deus Pai e de amar seus filhos e irmãos nossos em Cristo Jesus.

A  Páscoa do Senhor nos dá a certeza de que o bem prevalecerá sobre o mal, a vida sobre a morte. Com sua ressurreição, Cristo nos abriu um novo horizonte e nos deu um rumo definitivo na vida: “quem me segue não anda em meio as trevas, mas terá a luz da vida.”  

Feliz e Santa Páscoa a todos os queridos diocesanos. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Missa de Páscoa - Santuário Nacional


Hoje é Páscoa, o primeiro dia da semana, Domingo, o dia  mais solene do ano para nós cristãos, porque celebramos a Ressurreição do Senhor. Este Domingo festivo vai se prolongar, como um “grande domingo”, por cinquenta dias até a solenidade de Pentecostes.

Cada Domingo do ano é como uma pequena páscoa, porque neste dia, celebramos a ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, o Domingo, dia do Senhor, é tão importante para nós cristãos.

Na primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, Pedro proclama a ressurreição de Cristo. “Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (AT 10, 40-41).

No evangelho, João nos fala de três pessoas que naquela manhã foram ao sepulcro de Jesus.  Maria Madalena foi primeiro  sozinha ao sepulcro e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Sai correndo para levar a notícia a Pedro e ao outro discípulo que Jesus amava.

Pedro e o outro discípulo foram então ao sepulcro. Ambos viram que tudo estava em perfeita ordem: “as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte”  (Jo 20, 6-7). Tudo isso era sinal de que Jesus tinha sido libertado da morte. Por isso, “o outro discípulo, o discípulo que Jesus amava, viu e acreditou”. 

Os dois discípulos voltaram para casa. O amor mantém Maria Madalena junto ao sepulcro. Por isso, será a primeira a  quem o Cristo ressuscitado  aparecerá e será também a primeira mensageira a levar a notícia da ressurreição aos discípulos e, através destes, a boa-nova de Páscoa alcançará o mundo inteiro.

Os apóstolos chegaram à fé plena na ressurreição após o encontro com o Senhor Ressuscitado e a efusão dos dons do Espírito Santo, em Pentecostes. 

“O anúncio entusiasta e audaz da ressurreição de Jesus pelos apóstolos seria impensável sem um contato real das testemunhas com o fenômeno totalmente novo  e inesperado que os atingia do exterior e consistia na manifestação e no anúncio do Cristo ressuscitado.  Só um acontecimento real de uma qualidade radicalmente nova estava em condição de possibilitar o anúncio dos apóstolos que não pode ser explicado por especulações ou experiências interiores místicas. Na sua audácia e novidade, esse anúncio toma uma força impetuosa de um acontecimento que ninguém jamais pôde imaginar e superava toda imaginação.” (Bento XVI)

Nossa experiência de Jesus ressuscitado não é a mesma da comunidade primitiva. Nossa fé no Cristo ressuscitado se fundamenta no testemunho dos discípulos que se encontraram realmente com Ele, e esse testemunho está contido nos evangelhos e nas cartas do Novo Testamento. Nós devemos, também, tendo feito a experiência do encontro com o Ressuscitado, tornar-nos testemunhas do Senhor Jesus no mundo de hoje. 

Crer no Cristo ressuscitado é começar a viver como ressuscitado, uma vida nova, de luta contra o pecado, contra o mal, e promover uma cultura da vida, da solidariedade, da paz. 

Proclamamos a presença do Cristo ressuscitado na sua palavra e preparemo-nos, agora, para acolhê-lo em nosso meio,  nos sinais do pão e do vinho, convertidos no seu corpo e no seu sangue. 

Levando-o em nosso coração, comprometamo-nos, também, a anunciá-lo aos nossos irmãos, como a Virgem Maria, Maria Madalena e os discípulos que, tendo se encontrado com o Senhor Ressuscitado, tornaram-se mensageiros dessa boa nova. 

A todos uma Feliz e Santa Páscoa. Aleluia!