sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Natal do Senhor Jesus - Santuário Nacional


A festa do Natal convida-nos a louvar e agradecer a Deus e a exultar de alegria porque “hoje nasceu para nós o Salvador, que é o Cristo, o Senhor”.  E os anjos que apareceram aos pastores na região de Belém,  na noite de Natal “cantavam louvores a Deus, dizendo: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

O filho de Deus sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza, para nos fazer filhos no Filho e herdeiros do reino do céu. “Ó admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem. Feito homem, nos doou sua própria divindade” (antífona da I Vésperas na oitava de Natal – Solenidade da Santa Mãe de Deus).

Isaias descreve o nascimento do Salvador como uma grande luz que ilumina o mundo: “O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu”.  E o anjo anuncia aos pastores, em Belém, uma boa notícia: “eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: hoje na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”

Com palavras diferentes, São Paulo no texto da missa de hoje, da carta a Tito, exprime a mesma mensagem: “a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os homens”. É o amor gratuito de Deus que se manifesta em Jesus Cristo para toda a humanidade. O mesmo Jesus  que nasceu em Belém, continua São Paulo no mesmo texto: “é aquele  que se entregou por nós na cruz, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo  que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”.

Acolher Jesus de verdade é reconhecê-lo como único Senhor em nossa vida; é acolhê-lo na pessoa do nosso irmão, da criança, do pobre, do enfermo, do oprimido; é viver como ele viveu,  amar como ele amou.

Jesus nascido em Belém é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. “O Deus de rosto humano que nos amou até o fim – cada indivíduo” e a humanidade no seu conjunto – é o fundamento da nossa esperança. “Somente o seu amor nos dá a possibilidade de perseverar com toda a sobriedade, dia após dia, sem perder o ardor da esperança, num mundo” melhor, que deve ser prefiguração de um novo céu  e de uma terra nova, onde habitará a justiça.

“E o seu amor, é ao mesmo tempo garantia de que existe aquilo que intuímos só vagamente e, contudo, no intimo do coração esperamos alcançar: a vida que é “verdadeiramente” vida.” (Spe Salvi)

“Essa esperança não nos exime da necessidade de um contínuo esforço pela construção de um mundo melhor, mas esse mundo melhor de amanhã não pode ser o conteúdo próprio e suficiente de nossa esperança” (Spe Salvi 30). “A esperança do homem moderno de construir um mundo melhor, graças a ciência, à técnica e a política, que seria o verdadeiro “reino de Deus”, tem mostrado que essa esperança não se realiza porque só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que o homem  alguma vez possa alcançar”

Em Jesus  Cristo, Deus nos oferece e nos garante aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir, a verdadeira vida, porque foi para isso que Jesus veio ao mundo: “para que todos tenham vida, e vida em abundância.  Com esta vida  divina também se desenvolve em plenitude a existência humana, em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural” (DA 13). 

Na Eucaristia, Jesus se entrega a nós como alimento de vida eterna que alcançará sua plenitude na ressurreição  futura. 

Ao Reitor do Santuário Nacional e a todos os  missionários redentoristas que exercem o seu ministério presbiteral na Arquidiocese de Aparecida em vários setores da pastoral, fiéis ao carisma de Santo Afonso, um Feliz e Santo Natal.  Expresso esses meus votos igualmente ao clero da Arquidiocese, aos consagrados, aos fiéis todos, aos colaboradores da família da Campanha dos Devotos, aos participantes desta celebração e aos que estão unidos a nós nesta noite pela rádio e pela TV. A todos Feliz e Santo Natal com paz e amor no coração de cada um.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

3º Domingo do Advento


O tempo do Advento que nos prepara para a festa da natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo é um tempo de alegria, por isso, este terceiro domingo é conhecido tradicionalmente como o domingo da alegria. 

Tanto a antífona da entrada da missa de hoje, como a oração da coleta, o salmo responsorial, a primeira e a segunda leituras nos convidam  a alegrar-nos esses textos e nos dão o motivo dessa alegria: Alegrai-vos! O Senhor está perto. Dai-nos chegar às alegrias do Natal do Senhor e celebrá-lo com intenso júbilo. 

“Está aqui a razão profunda da nossa alegria: em Cristo completou-se o tempo da espera. Deus realizou finalmente, a salvação para todo o homem e toda a humanidade. Com esta íntima convicção, preparemo-nos para celebrar a festa do Santo Natal, acontecimento extraordinário que reacende nos nossos corações a esperança e a alegria espiritual” (João Paulo II).

Na primeira leitura o profeta Sofonias exorta a cidade de Jerusalém a exultar de todo coração, porque “o Senhor teu Deus está no meio de ti. Ele vem  não para condenar, mas salvar”. São Paulo, preso e aguardando a sentença, escreve da prisão aos Filipenses, exortando-os a alegrar-se sempre no Senhor, porque Ele está próximo. Mesmo na prisão e correndo risco de morte, São Paulo não perde a paz e a alegria interiores porque estar próximo de Cristo é a razão de sua vida e de sua morte. 

Não se pode ser cristão e estar habitualmente triste, mal humorado. São João Bosco dizia que um santo triste é um triste santo. A razão de nossa alegria interior não é porque as coisas vão bem em nossa vida, ou  não temos nenhuma dificuldade, gozamos de boa saúde, etc., e sim, porque  Deus nos ama, é nosso Pai e somos seus filhos. Se Ele é por nós, se está a  nosso favor, quem será contra nós! 

Depois que Deus Pai nos enviou o seu Filho que morreu  e ressuscitou por nós,  não podemos duvidar do amor de Deus. Esta é a razão mais profunda de nossa alegria, de nossa paz interior. 

Ao lado da alegria, o evangelho de hoje nos convida também à conversão. João Batista exortava a todos do seu tempo a produzir frutos de conversão para se preparar para a chegada do Messias. 

João Batista não exigia dos seus contemporâneos atos heróicos  e, sim, que saibam partilhar melhor os bens,  sejam mais solidários com os mais pobres, misericordiosos, honestos e não aproveitadores do cargo ou da função que exercem em benefício  próprio, ou de grupos para  cometer injustiças ou violência com outros.

Hoje, em todo o Brasil, é o Dia da Coleta Nacional para a Evangelização. É hora de testemunhar nossa solidariedade, como católicos, para colaborar com a sustentação da missão evangelizadora da Igreja no Brasil. Colabore com generosidade e que Deus lhe retribua com copiosas bênçãos a sua oferta. 

Preparemo-nos para o Natal, aproximando-nos do sacramento da penitência e da Eucaristia como expressão de nosso desejo de conversão e de acolhida a Jesus Cristo que vem ao nosso encontro

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Natal, tempo de gratidão a Deus



Natal é tempo de paz, de graça e de alegria, e, principalmente, de gratidão a Deus por ter nos enviado, por meio de Maria, seu Filho, para ser o nosso Redentor.  

Esta é a causa e a fonte da verdadeira alegria para nós no Natal: a plena convicção de que Deus nos ama infinitamente, a ponto de, pelo mistério da encarnação, assumir a condição humana e tornar-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.  

Este gesto de amor atinge seu ápice quando Jesus aceita, livremente, morrer na cruz por nós.  Jesus venceu a morte com a própria morte e ao ressuscitar concedeu-nos a salvação e nos conferiu a dignidade de sermos chamados filhos  de Deus. “E a razão pela qual o Verbo de Deus se fez homem foi para que o homem ao entrar em comunhão com o Verbo e ao receber, assim, a filiação divina, se convertesse em filho de Deus. Porque o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus” (CIC 460).

Jesus veio ao mundo para nos revelar que “Deus é amor”.  Ele é justiça, misericórdia e bondade infinita.  É esse mistério do amor e da bondade de Deus, manifestado em Nosso Senhor Jesus Cristo, que celebramos no Natal. 

Se  acreditamos, de fato, no verdadeiro sentido do Natal,  devemos  reafirmar nossa fé  e  renovar o  compromisso, assumido em nosso batismo, de ser discípulo e missionário de Jesus Cristo e de  trabalhar pela construção de um mundo mais justo, humano e fraterno. Nós, cristãos, em meio a uma sociedade de consumo e num mundo, muitas vezes, insensível aos valores religiosos, devemos testemunhar que Natal sem Jesus não é verdadeiro Natal. 

Alegremo-nos  e  demos graças a Deus:  “Eu vos anuncio uma grande alegria, que  será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10).

Ao querido Povo da Arquidiocese de Aparecida, ao clero, aos religiosos e religiosas,   aos  agentes de pastoral os melhores votos de um Feliz e Santo Natal e um 2013 com muitas bênçãos do Senhor!



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

1º Domingo do Advento - Campanha para a Evangelização


Com este domingo, inicia-se o tempo litúrgico do Advento e este período que precede o Natal não é um tempo de penitência como a quaresma, e sim, um tempo de preparação da vinda do Senhor para que nos encontre vigilantes, atentos à realização de sua vontade.

O advento nos coloca diante das duas vindas de Jesus Cristo: na primeira, ocorrida há mais de dois mil anos, Jesus veio na fraqueza de nossa carne, ao nascer da Virgem Maria, concebido por obra do Espírito Santo. Ele veio para nos redimir do pecado e da morte. A memória deste mistério da vida de Jesus nós o celebramos na liturgia do tempo do natal.  

A segunda vinda acontecerá no final dos tempos, quando o Senhor virá na majestade de sua glória para nos libertar plenamente. A iniciativa de sua vinda, o dia e a hora, pertencem a Deus, mas a nossa fé nos assegura que Deus é fiel as suas promessas e na esperança aguardamos a vinda do Cristo Salvador,  como rezamos na oração após o Pai Nosso. Entre  essas duas vindas, nós caminhamos entre dificuldades, tribulações, e consolações acompanhados pelo Cristo ressuscitado. “Eu estarei convosco até o fim dos tempos.” 

A primeira parte do período do Advento acentua mais a segunda vinda de Cristo. E a melhor maneira de nos prepararmos para o encontro definitivo com o Senhor é progredir no amor aos outros e trabalhar pela construção da justiça, da liberdade e da paz, procurando viver de maneira coerente a nossa fé, pois como afirma o profeta Jeremias, “a verdade e o amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seu amor.” Devemos nos preparar para a segunda vinda do Senhor  e aguardar o encontro definitivo com Deus não com medo, mas com esperança e confiança, pois como afirma o evangelho de hoje “quando estas coisas começarem acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.

No advento, a Igreja no Brasil realiza a Campanha para a Evangelização.  A Campanha nos lembra a urgência da evangelização e nos  convida a celebrar cristamente o Natal a fim de que ele não se reduza a uma festa meramente exterior, mas seja uma ocasião para testemunhar a solidariedade, o amor e a paz em nossas famílias e comunidades.  A coleta desta campanha é feita no 3º. Domingo do Advento e visa arrecadar recursos para a sustentação do trabalho evangelizador da Igreja em âmbito diocesano, regional e nacional.  

O Cristo que se fez pobre ao nascer da Virgem Maria, em Belém para nos enriquecer com sua graça, nos ensine a  ser generosos, desapegados dos bens materiais para partilhar entre nós não só os bens espirituais, mas também, os bens materiais

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Solenidade de Cristo Rei - Santuário Nacional


Já estamos celebrando nesta Eucaristia a liturgia da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. A liturgia da festa  Cristo Rei nos convida a contemplar o mistério de Cristo, Senhor da História, Juiz e Salvador da humanidade. 

O texto do Apocalipse que escutamos apresenta Jesus como a testemunha fiel que nos revelou e nos revela que Deus é amor, Deus é Pai  e nós somos seus filhos pelo Espirito Santo derramado em nossos corações, que clama no nosso íntimo:  Abbá – isto é – Pai.  Jesus Cristo é o primeiro que ressuscitou dos mortos, venceu a morte, o pecado, o demônio e elevado aos céus à direita do Pai, Ele nos precedeu na glória dos céus, como prometeu aos seus discípulos: “quando eu for e vos tiver preparado um lugar,  voltarei para levar-vos comigo, para que estejais onde eu estou” (Jo 14, 2-3)

No evangelho, diante de Pilatos, representante na Judeia, de Cesar, imperador romano, Jesus não nega que é rei, mas afirma que seu reino não é deste mundo. Seu reino não tem origem na terra. Seu poder não se apoia na força, nem no poder deste mundo. Sua realeza vem do céu, é espiritual;  “é o poder divino de dar a vida eterna, de libertar do mal, de derrotar o domínio da morte” (Bento XVI).  Seu reinado se manifesta no amor, “amai-vos uns aos outros como  eu vos amei”; “não há prova maior de amor do que dar a vida pelos seus amigos.”  Seu reinado se  manifesta no serviço: “eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos.” Seu reino é um reino de paz: “felizes os que constroem a paz.”

Quem se tornou discípulo de Jesus, quem fez dele a opção de sua vida, deve assumir as mesmas atitudes de Jesus: testemunhar a verdade, a justiça,  a solidariedade, o amor e a  paz.  “Escolher Cristo não garante o sucesso segundo os critérios do mundo (poder, dinheiro, fama, prestígio), mas assegura aquela paz e alegria que só Ele pode dar.” (Bento XVI). 

Peçamos a Maria, Rainha do Céu e da Terra, que nos ajude  a seguir Jesus, nosso Rei, como Ela o fez e a dar testemunho Dele com toda a nossa existência.

No Brasil, inicia-se hoje a Campanha para a Evangelização promovida pela Igreja e se estende até o 3º. Domingo do Advento, dia da Coleta Nacional.  O  objetivo é despertar a corresponsabilidade de todo cristão pela missão evangelizadora da Igreja e pela sustentação  financeira da sua ação evangelizadora no Brasil e  no exterior. Não devemos nos esquecer que a Igreja  no Brasil,  além da ajuda especial à Igreja na Amazônia,  tem colaborado também com outras Igrejas Irmãs no exterior, principalmente, com o Haiti, o Timor Leste, e os  países da África de Língua Portuguesa.

Com esta Celebração Eucarística, estamos encerrando  o curso, chamado Curso Alpha (Seminário Bom Jesus) que tem como objetivo oferecer um método para o primeiro anúncio de Jesus Cristo, sobretudo, às pessoas que se afastaram da vida da comunidade eclesial, ou são indiferentes ou até rejeitam a pessoa de Jesus. Os participantes vieram de 11 países, incluindo o fundador  do Curso Alpha o Revdo. Nicky e sua esposa Pippa. 

No último Sínodo, no mês de outubro, em Roma, o Papa Bento XVI convidou o casal fundador do Curso Alpha, na França, para participar do Sínodo, o que significa um reconhecimento, por parte da Igreja, da validade desta experiência, oferecida pelo Curso Alpha que, sem dúvida, poderá contribuir com seu método para a Nova Evangelização e renovação pastoral de nossas paróquias.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

32º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


A primeira leitura do primeiro livro dos Reis  e o texto do evangelho  que acabamos de escutar nos apresentam  duas pessoas que simbolizam, na bíblia, os desamparados: a viúva de Sarepta que socorreu o profeta Elias e a pobre viúva no templo, que deu duas moedas de esmolas e que não valiam quase nada.

De um lado, essas duas viúvas simbolizam os desamparados. De outro lado, são para nós todos, exemplos de generosidade, confiança na providência divina, solidariedade e gratuidade.

A viúva de Sarepta que tinha apenas um pouco de farinha e de azeite para preparar sua última refeição, para si e para seu filho, e depois esperar a morte, ofereceu de sua pobreza ao profeta Elias, suas últimas provisões.

“A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o Senhor tinha dito por intermédio de Elias”. Tanto Elias quanto a viúva, ambos confiados em Deus e generosos, tiveram comida por muito tempo.

No evangelho de hoje, Marcos mostra Jesus sentado no templo diante do cofre de esmolas. Ele observa como a multidão depositava suas moedas no cofre. Entre os que vem depositar sua oferta, Jesus presta atenção a uma mulher, “uma pobre viúva”, diz Marcos, que deu apenas duas moedas. Esta viúva, como todas as viúvas em Israel, que viviam à margem da sociedade, eram pobres, mas o seu gesto nos revela algo muito importante: suas mãos não guardavam o pouco que possui, mas  o que depositou no cofre, “era tudo aquilo que possuía para viver.” 

Perante Deus, as coisas não valem pela sua grandeza física, pelo seu valor material, mas pelo amor com que as fazemos e esta mulher colocou na sua oferta todo o amor porque deu aquilo que lhe faria tanta falta. Como diz Santa Terezinha do Menino Jesus: “Amar é dar tudo e mais ainda, é dar-se a si mesmo.”

Jesus obediente ao seu Pai, graças ao Espírito Santo do qual estava repleto, foi capaz de uma generosidade total. Deixou-se penetrar pelo Espírito Santo em toda a sua existência, inclusive, na sua morte, a fim de oferecer-se Ele mesmo para a salvação do mundo. 

Maria é também modelo para nós de entrega, disponibilidade e solidariedade. Ela repleta do Espírito Santo, fez de sua vida uma permanente oferenda a Deus: “Eis a serva do Senhor, faça-se conforme tua palavra” 

Peçamos ao Espírito Santo que faça de nossa vida uma permanente oferenda para a glória de Deus. A nossa vida, com tudo aquilo que ela encerra: trabalho, descanso, preocupações, alegrias, deve ser transformar numa liturgia, isto é, numa oferenda diária agradável a Deus, fazendo de nossa vida em união com Cristo, uma continuação da celebração da missa.  

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Festa de Todos os Santos


Em novembro, a Igreja do Brasil celebra duas datas importantes: a Festa de Todos os Santos e o Dia de Finados.

A Festa de Todos os Santos teve início no século IV e era dedicada somente a memória dos mártires. Mais tarde, tornou-se uma celebração em honra de todos aqueles que viveram nesta vida, fiéis aos ensinamentos de Jesus e já gozam da felicidade eterna. 

Os santos, porém,  não foram pessoas perfeitas.  Durante sua passagem aqui na terra, cometeram suas falhas e tiveram suas limitações,  tal como nós. No entanto, procuraram viver conforme  a  vontade de Deus, em comunhão com Ele,  procurando praticar o bem a caridade, a justiça, semeando a paz e o amor por onde passavam. 

Seja qual for o nosso estado de vida ou classe, somos chamados à santidade, pois é essa a vocação fundamental de todo cristão. “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”. “Sede santos como vosso Deus é santo.”   

Na Festa dos Fiéis Defuntos (dia 02) recordamos, de maneira especial, os nossos entes queridos, que já passaram desta vida terrena para a outra vida. Esse dia não deve ser de tristeza, e sim, um momento propício para dirigir nossas preces pelos que já cumpriram sua missão aqui na terra, mas ainda precisam de purificação para entrar na alegria plena de Deus. 

Acima de tudo, é uma oportunidade de reafirmar nossa fé na salvação e  na vida eterna, pois por meio do batismo, tornamo-nos filhos e filhas de Deus e herdeiros do Reino dos céus. Deus  não nos criou para a morte, mas sim, para  a vida, e  vida em plenitude: “Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e  o coração do homem não percebeu, tudo o que Deus preparou para os que O amam” (1 Cor 2,9).

Peçamos, pois, aos santos, nossos intercessores junto a Deus, que nos ajudem a imitá-los no seguimento de Cristo, a fim de que um dia, possamos chegar à glória eterna e participar, com todos os anjos e santos, da plena felicidade que Deus reserva para aqueles que O amam e O servem aqui na terra. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

30º Domingo do Tempo Comum


Este é o último domingo do mês de outubro, mês missionário. Estamos no Ano da Fé inaugurado pelo Papa Bento XVI e que se estenderá até 24 de novembro de 2013. 

Na proclamação do Ano da Fé, Bento XVI afirmava que “hoje, como ontem, Cristo nos envia pelos caminhos do mundo para proclamar  Evangelho a todos os povos da terra.” Este anúncio do Evangelho não é algo facultativo para a Igreja, mas um dever que lhe incumbe por mandato de Jesus para que os homens creiam e se salvem. “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que for batizado será salvo; o que não crer será condenado.” (Mc 16,15).

As primeiras comunidades cristãs pequenas, indefesas e sem os recursos de que dispomos hoje, foram capazes de anunciar o Evangelho em todo o mundo conhecido da época, através da palavra e do testemunho. 

O compromisso missionário é de todo o Povo de Deus: Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos.  Hoje, mais do que nunca, torna-se urgente o anúncio do Evangelho, pois o número daqueles que ainda não conhecem a Cristo aumentou significativamente e o mais dolorosa ainda é a constatação do aumento do número daqueles que são indiferentes, ou  ignoram, a pessoa e os ensinamentos de Cristo.

O evangelho de Marcos que escutamos, há pouco, narra a cura do cego Bartimeu. O mendigo cego estava sentado à beira do caminho. Ao ouvir dizer que Jesus estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Jesus escutou o grito de socorro de Bartimeu. “O que queres que eu faça?” perguntou-lhe Jesus. “Mestre, que eu veja”, respondeu o cego. “Vai, tua fé te curou”, disse-lhe Jesus. Bartimeu ao invés de ir embora, “pôs-se a seguir Jesus pelo caminho”, tornando-se, assim, seu discípulo. 
Bartimeu, embora cego, é capaz de ver e reconhecer Jesus como o Messias, o Filho de Deus. Ele recebe não só a luz da visão, mas também, a luz da fé que iluminará e dará um novo sentido a toda a sua vida.

A dificuldade para seguir Jesus não é a cegueira material, mas, a cegueira espiritual ou a falta de fé. A fé é dom, é presente de Deus e também aceitação nossa. 

Deus respeita a nossa liberdade. Jesus vem ao nosso encontro e se manifesta a nós de diversas maneiras: em cada missa, Ele se manifesta a nós na sua Palavra, escrita e proclamada, no alimento eucarístico, na comunidade dos fiéis viva na fé e no amor fraterno, nos nossos irmãos mais pobres, nos enfermos, nos aflitos que nos dão testemunho de fé, paciência no sofrimento e constante luta para continuar vivendo; em Nossa Senhora encontramo-nos com Cristo, com o Pai e o Espírito Santo e com nossos irmãos, pois dela aprendemos como ser discípulos e missionários de Jesus. 

Mas somente pela fé, podemos acolher Jesus que vem ao nosso encontro de diversos modos. 

Que o Ano da Fé seja um tempo de graça para todos nós para uma adesão mais profunda a Jesus Cristo morto e ressuscitado, para nos tornarmos, cada vez mais, seus discípulos e missionários no mundo de hoje. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

27º Domingo do tempo Comum - Mês Missionário - Santuário Nacional


Em outubro celebra-se no dia 21 o Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária. 

Cada ano, o Papa envia uma mensagem especial a toda a Igreja recordando a todos o mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo e fazei discípulos meus entre todos os povos.”

É um dever que incumbe a toda a Igreja, o de anunciar o evangelho de Jesus Cristo a todos indistintamente a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos. O empenho missionário é de todo o Povo de Deus: ministros ordenados, religiosos e leigos. O Papa Bento XVI lembra que um dos obstáculos a evangelização é a crise de fé no mundo de hoje. Por isso, o convite  do Sumo Pontífice para que o Ano da Fé seja um momento especial  para uma renovada adesão de fé pessoal e comunitária ao Evangelho de Jesus Cristo. 

“A fé é um dom que Deus nos concede, mas este dom deve ser partilhado; é um talento recebido para que dê fruto; é uma luz que não deve ficar escondida, mas iluminar toda a casa. É o dom mais importante que recebemos na nossa vida e que não podemos guardar para nós mesmos”.

O Evangelho de hoje nos apresenta a pergunta dos fariseus a Jesus: “é permitido ao homem divorciar-se de sua mulher”? Jesus responde que Moisés permitiu, excepcionalmente, o divórcio por causa da dureza do coração do povo de Israel, mas que esta exceção já não vale mais.

 Jesus recorda aos fariseus que a lei verdadeira é aquela quer foi dada desde o começo da criação, quando Deus fez o homem e a mulher. Deus colocou no coração dos dois uma atração mútua,  a fim de que formassem uma só carne, uma unidade no amor indissolúvel e aberto à vida. E Jesus acrescenta: “o que Deus uniu o homem não separe.” Esse é o projeto de Deus para a família. Tal projeto de Deus para o casamento parece estar acima das forças humanas. 

Com a graça de Deus, porém, o esforço mútuo do casal é possível superar o egoísmo que é o inimigo do verdadeiro amor que é doação, aceitação mútua, busca da felicidade do outro, disponibilidade para o diálogo e o perdão.

Hoje, em Roma, inicia-se a 13ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo lema é: “A Nova Evangelização para a transmissão da fé.” No dia 11 próximo, o Papa Bento XVI inaugura o Ano da Fé que se estenderá até o dia 24 de novembro de 2013. A abertura do Ano da Fé coincidirá com a comemoração do 50º aniversário do inicio do Concílio Vaticano  II e do 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Todos esses eventos querem contribuir para confirmar a vontade da Igreja de comprometer-se com mais coragem e entusiasmo na missão de levar o Evangelho a todos os povos até os confins da terra, compromisso que é de todo o povo de Deus. 

 Todos os membros da Igreja devem sentir-se interpelados pelo mandamento do Senhor de pregar o Evangelho de tal modo que Cristo seja anunciado em toda parte. 

Peçamos a Virgem Maria que acolheu com alegria, o Verbo de Deus em seu seio e o deu à luz para a nossa salvação, nos ensine a partilhar com os outros a fé em Jesus Cristo, motivo de nossa verdadeira alegria.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Outubro, início do Ano da Fé


No  próximo dia 11 de outubro, o Santo Padre Bento XVI  fará a abertura do Ano da Fé que se estenderá até a Solenidade de Cristo-Rei, dia 24 de novembro de 2013.  A Celebração Eucarística de abertura - para a qual tive a honra e a alegria de ser convidado -  será na Basílica de São Pedro, presidida por Sua Santidade e  concelebrada por diversos Cardeais,  Arcebispos e Sacerdotes de vários países. 

O Ano da Fé coincidirá com a comemoração do 50º aniversário do início do Concílio Ecumênico Vaticano II -  iniciado pela Papa João XXIII e concluído no pontificado de Paulo VI – e com o 20º. Aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, acontecerá a 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, de  07 a 28 de outubro, cujo tema é: “A Nova Evangelização para a transmissão da Fé”.

O Ano da Fé deve ser um tempo de graça, de fortalecimento da nossa fé no Cristo ressuscitado e de renovar o compromisso de cristão, assumido no nosso batizado, de ser   discípulo e missionário de Jesus Cristo.  Deve  ser, também, uma ocasião para o estudo e assimilação dos Documentos do Concílio Vaticano II, e dos conteúdos do Catecismo da Igreja Católica. 

Por isso, é muito importante que nas paróquias e nas comunidades, os párocos, os religiosos e os leigos engajados nas pastorais, promovam encontros  para estudo e aprofundamento dos Documentos do Concílio do Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica.  

A CNBB está preparando uma coletânea de textos do Papa Bento XVI sobre o Ano da Fé e promovendo a publicação dos Documentos do Concílio Vaticano II, do Catecismo da Igreja Católica e do Compêndio do Catecismo, em edições com custo mais acessível ao povo. 

Aproveito a oportunidade para convidar todos vocês para participarem da Novena em louvor a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil,  que acontecerá no Santuário Nacional, de 03 a 12 de outubro, com o tema: “Com a Mãe Aparecida acolhemos Jesus, nossa alegria”. Igualmente, quero convidar todo o povo da Arquidiocese para a novena e festa de Santo Antonio de Santana Galvão, a ser realizada no Santuário Arquidiocesano de Frei Galvão, no bairro Jardim do Vale, em Guaratinguetá, de 16  a 25 de outubro. O tema central é: “Santo Antonio de Sant’Anna Galvão e a Profissão da Fé Cristã”. Participem! (confira programação completa nesta edição).  

Caros leitores, como podem perceber, outubro será, especialmente, um mês de muitas graças e de acontecimentos importantes para a vida da Igreja.   Vamos, pois, nos unir em oração, rogando a Deus, por intercessão da Mãe Aparecida e de Frei Galvão, para que o Ano da Fé produza os frutos desejados pelo Papa Bento XVI e para que seja verdadeiramente um tempo propício para o aprofundamento da fé  no Cristo ressuscitado e para um renovado ardor  missionário. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

26º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


Hoje encerra-se,  no Brasil, o mês da Bíblia, e em todas as Dioceses  celebra-se o Dia Nacional da Bíblia. 
A palavra Bíblia designa a Palavra de Deus escrita,   contida no Antigo e no Novo Testamento. A expressão “Palavra de Deus” indica algo mais amplo que a Bíblia. Deus falou, em primeiro lugar, por meio da criação do mundo. O universo manifesta Sua sabedoria e o Seu poder  criador.  A criação  é um livro escrito com muitas cores e que pode ser lido por todos. 

Deus se revelou também através da história do povo de Israel  e esta manifestação na história do povo hebreu se deu por meio de acontecimentos e pessoas. Esta tradição religiosa do povo de Israel está contida na Bíblia, Palavra de Deus escrita e inspirada,  e por isso goza de um lugar privilegiado na Igreja e na vida de cada cristão.

A palavra de Deus, por excelência, é Jesus Cristo, o Verbo de Deus,  que veio a este mundo ao encarnar-se  no seio virginal de Maria, por obra do Espírito Santo,  fazendo-se um de nós e vivendo no meio de nós.

Toda a manifestação de Deus na criação e na história do povo de Israel converge para Cristo. Ele é a plenitude da manifestação de Deus à humanidade. A leitura e a  meditação da Palavra na Bíblia, guiada pelo Espírito Santo e o magistério da Igreja, devem nos levar à oração, a uma união efetiva e vital com Cristo e através dele com o Pai.

Por isso, São Jerônimo afirma que “ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo”. Nossa Senhora é para nós o modelo de ouvinte e de praticante da Palavra de Deus. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. 

O Documento de Aparecida nos adverte que temos que fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida cristã na rocha da Palavra de Deus e nos recomenda, especialmente, a leitura orante da Bíblia, na qual lendo o texto, se escuta Deus que fala, e orando, se lhe responde com um coração aberto e confiante.  Na Celebração da Missa, a mesa da Palavra está unida à mesa da Eucaristia, por isso, após nos alimentarmos da Palavra de Deus, somos convidados a nos alimentarmos, também, do Corpo de Cristo. 

O Apóstolo São Tiago, na segunda leitura deste domingo, nos adverte sobre o perigo do fascínio da riqueza e de nos  tornarmos seus escravos. Quando nos deixamos dominar pela riqueza, o resultado é a injustiça, a miséria, a violência. 

O evangelho de hoje nos convida a solidariedade com todos sem excluir ninguém mesmo que não pertença a Igreja católica, ao grupo dos discípulos de Cristo.  Devemos ficar felizes com o bem realizado por pessoas que não partilham conosco a mesma fé, as mesmas convicções, pois o bem não é monopólio de ninguém.  “Assim  como o Pai do céu faz surgir o sol sobre os bons e os maus e faz chover sobre justos e injustos”, assim também, nós não devemos discriminar ninguém por motivo algum, porque somos todos filhos do mesmo e único Deus e irmãos e irmãs uns dos outros em Jesus Cristo. Jesus nos ensina a olhar a todos com os óculos do evangelho: quem não é contra Ele, está com Ele. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

24ª Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


A primeira leitura do profeta Isaias nos prepara para compreender melhor a mensagem de Jesus no evangelho de hoje. O texto de Isaías descreve a vocação de um personagem misterioso, chamado “Servo do Senhor”, como a de um profeta. A missão do profeta comporta sofrimento, dificuldades, revezes, mas experimenta, também, a ajuda de Deus que é mais forte do que o sofrimento e por isso não se deixa abater pelo desânimo. Os primeiros cristãos viram neste “servo sofredor” a  figura de Jesus na sua paixão. 

Marcos, no evangelho de hoje, nos apresenta Jesus iniciando seu caminho para Jerusalém, onde dará sua vida para a salvação do mundo.

Após terem visto as obras extraordinárias realizadas por Jesus e escutado seus belos ensinamentos, Jesus faz uma pergunta fundamental aos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro reconhece em Jesus, o Messias,  e em nome dos  discípulos, responde: “Tu és o Messias”.  

Na segunda parte do evangelho, vemos que a fé de Pedro e dos discípulos  ainda não era tão firme. Pedro   e os discípulos, de acordo com a mentalidade da época, esperavam um Messias glorioso, triunfador, nacionalista, guerreiro... 

Ao anunciar sua paixão, morte e ressurreição, Jesus se opõe a estas figuras do Messias esperado e escolhe o caminho do seguimento da vontade de Deus em sua vida, que é um caminho difícil, que comporta sofrimento e morte, e aqueles que se tornam seus discípulos devem seguir também o mesmo caminho; devem estar conscientes de que o seguimento de Cristo comporta renúncia, sacrifício, esforço. “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Os discípulos só irão entender o que significa  ser o Messias depois da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O caminho de Jesus não termina com a paixão e com a morte, mas com a ressurreição, com a vitória sobre a morte e o pecado: “o Filho do Homem deve ser morto e ressuscitar depois de três dias”. 

Assim também  o caminho do discípulo de Cristo não termina na morte, mas o conduz a vida. “Quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, diz Jesus, vai salvá-la”. 

O evangelho de hoje convida a cada um de nós a fazer a si mesmo a pergunta: quem é Jesus para mim? O que Ele representa para a minha vida? O apóstolo São Tiago na segunda leitura nos adverte que a nossa fé em Jesus Cristo deve ter conseqüências, implica compromisso de viver e testemunhá-la com uma vida coerente. “A nossa fé se não se traduz em obras, por si só está morta”.  Traduzir nossa fé em obras é viver para Deus na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.

Que a comunhão do corpo do Senhor na Eucaristia nos fortaleça e nos ajude a seguir a Cristo com todas as exigências e a coerência que exige a nossa fé.

domingo, 9 de setembro de 2012

23º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


As leituras deste domingo nos falam do amor de Deus para conosco manifestado   de maneira visível em seu Filho Jesus Cristo.

Isaías descreve com imagens variadas tiradas da natureza e das deficiências físicas sanadas, o retorno do povo de Israel do exílio da Babilônia. Grande parte do que o profeta anuncia se cumprirá nos dias de Jesus: “Os ouvidos dos surdos se descerrarão e a língua dos mudos se desatará.” 

Conforme o evangelho de Marcos,  Jesus se retira para uma região da Decápole, fora da Palestina, e aí cura um surdo-mudo, a pedido,  talvez, de familiares e amigos.  Jesus atende ao pedido em favor daquela pessoa com deficiência. Primeiramente, Jesus quer separar o surdo-mudo da dependência  e da tutela das pessoas que o cercam; em seguida, toca com a sua mão os seus ouvidos e a língua do deficiente; e por último, Jesus reza e restitui-lhe a audição e a fala.

Os milagres físicos feitos por Jesus são, também, símbolos de milagres espirituais que devem acontecer em nós. 

Através dos milagres físicos, Jesus quer também nos curar e transformar interiormente. Na Bíblia os ouvidos surdos simbolizam um coração fechado, indiferente à palavra de  Cristo, à palavra do evangelho e também às necessidades dos nossos irmãos. 

Conta-se que um rabi entrou no quarto onde o filho estava mergulhado em profunda oração. Ao lado, na esquina da rua havia uma criança chorando.  O Rabi perguntou-lhe: você não está ouvindo uma criança chorando? O filho respondeu: não, pai, eu  estava em profunda oração. Então o rabi retorquiu: “Filho, quem está mergulhado em Deus, ouve até as moscas que caminham pela parede.”  Deus não nos afasta do próximo; ao contrário nos torna mais sensíveis às misérias dos outros. 

No batismo, há um rito, opcional, porém significativo. Quando o ministro usa essa possibilidade, ele  toca os ouvidos e a boca da criança e diz.: “O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, lhe conceda que possa logo ouvir a sua Palavra  e professar a fé para a glória de Deus.”

Peçamos ao Senhor nesta Eucaristia que abra o nosso coração, nossos ouvidos à Palavra de Deus para poder escutar  melhor e interiorizar a Palavra de Deus e vivê-la, e escutar também nossos irmãos, especialmente,  os que sofrem, e que abra, também, os nossos lábios  para que não se apague em nós o ardor missionário para  levar a boa-nova do evangelho em nosso ambiente social, com o nosso testemunho de batizado e com a palavra.  Como batizados não podemos viver surdos e mudos a Palavra de Deus.    Se  somos cristãos e recebemos o Evangelho, temos o dever e o direito de anunciá-lo. 

 Peçamos, também, que sejamos vozes corajosas que saibam falar em defesa da vida, da justiça, da fraternidade e da paz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Setembro: mês da Bíblia


Setembro, no Brasil, é o mês dedicado a Bíblia. O mês da Bíblia foi criado em 1971 com o objetivo aproximar os fiéis da Palavra de Deus, instruí-los e orientá-los para um aprofundamento da fé.  A Igreja no Brasil, a cada ano, propõe um livro para ser alvo de estudo e reflexão. 

 Em 2012, o tema de estudo será o Evangelho de Marcos, com o tema: “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Marcos” e lema “Coragem! Levanta-te, Ele te chama!” (Mc 10,49).  Há, ainda, um dia especial  dedicado a Bíblia: é o último domingo do mês de setembro. Ao celebrar o Dia da Bíblia, a Igreja nos convida  a conhecer mais a  fundo a Palavra de Deus, a meditá-la para  colocar em prática seus ensinamentos. 

A Bíblia para nós cristãos é a Palavra de Deus contida nos livros sagrados, escritos sob a inspiração do Espírito Santo.  Jesus  é  o centro e o coração da Bíblia e Nele se cumprem todas as promessas feitas  no Antigo Testamento para o Povo de Deus. A leitura da Sagrada Escritura deve levar-nos ao encontro pessoal com Jesus Cristo, a amá-Lo,  imitá-Lo e  testemunhá-Lo em nossa vida. 

É muito importante cultivar o hábito da leitura da Bíblia, especialmente, no mundo de hoje marcado pelo individualismo e pelo relativismo ético, por incertezas e divergências diante de tantas opiniões sobre temas fundamentais, como a vida, a verdade, a família... É necessário deixar-se guiar pela Palavra de Deus interpretada pelo Magistério da Igreja, pois é na leitura assídua da Escritura, como afirma São Paulo, na segunda carta a Timóteo, que  o homem  de Deus alimenta sua fé, seu zelo missionário e seu reto agir.

 Se meditarmos profundamente cada texto da Bíblia, perceberemos que em qualquer circunstância da nossa vida, a Palavra de Deus é a  resposta para as  nossas incertezas, é  o conforto para os nossos sofrimentos e  tristezas, é a luz que ilumina nossos caminhos. Como afirma o salmista:  “a lâmpada para os meus passos é tua palavra e luz para o meu caminho” (Sl 119,105).

Portanto, a Bíblia não pode ser apenas mais um livro na sua coleção,  ou  um objeto de decoração na sua casa.  A Bíblia traz a Palavra de Deus escrita, fonte de sabedoria, que precisa lida, meditada e praticada. “Toda Escritura  é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra” (2 Tm 3,16-17) 

15 anos do Shalom em Aparecida - Santuário Nacional


Neste domingo, os textos do livro do Deuteronômio e do Evangelho, que acabamos de escutar nos falam das orientações que Deus nos deu  para nos guiar em nossa vida. São orientações sábias que se observarmos seremos mais felizes, viveremos  melhor.

Na primeira leitura do Deuteronômio, Moisés exorta o seu povo a guardar e a colocar em prática os mandamentos recebidos do Senhor Deus, no monte Sinai, “porque neles está a vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todos estas leis, digam: “Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação”.

No evangelho, Marcos nos apresenta Jesus criticando o legalismo excessivo dos fariseus e mestres da lei. Estes censuraram a Jesus porque seus discípulos “comem o pão sem lavar as mãos.”
No lugar da pureza exterior, das purificações externas, Jesus valoriza a pureza interior, a pureza do coração, que, na Bíblia, designa a consciência, o lugar onde nascem as decisões fundamentais que norteiam a nossa vida. “O que torna o homem impuro não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as coisas más que tornam impuro o homem.”

Os mandamentos, as bem-aventuranças devem ser para nós normas que nos mostram o caminho do bem, da felicidade, da nossa realização, enquanto pessoa humana, e, portanto, uma demonstração do amor de Deus para conosco. Os mandamentos são dom de Deus para  nós. 

Hoje o perigo parece não ser o legalismo, mas uma falsa defesa e exaltação da liberdade que considera qualquer preceito ou norma como imposição, opressão, destruidora do homem e de sua liberdade pessoal.
Corremos o risco de sermos como os fariseus e os doutores da lei, no tempo de Jesus, isto é, o de nos preocuparmos somente com o nosso exterior, com a nossa aparência, e nos esquecermos de nosso interior, do nosso coração. É importante aparecer, mas muito mais importante, é ser,  é a nossa identidade.

É preciso estar atento àquilo que está arraigado, incrustado no nosso coração, porque nós agimos de acordo com as idéias, as motivações, as convicções que alimentamos no íntimo do nosso coração, da nossa consciência.

Se alimentarmos o nosso coração com a palavra de Deus, com as atitudes e  gestos de Jesus, se nas nossas relações com o próximo, veremos nele um irmão, criado à imagem e semelhança de Deus, igual em dignidade, seremos melhores e o mundo será melhor, em nossa volta também.  

Na semana passada, encerramos o mês vocacional e começamos o mês de setembro, o mês da Bíblia. Neste ano, a Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética propõe um estudo e leitura orante do evangelho de Marcos, sob a ótica do discipulado e da missão. Que a leitura e a meditação do  Evangelho de Marcos nos ajude a ser cada vez mais discípulos missionários de Jesus Cristo.  A escolha acertada da vocação é fundamental para a nossa própria realização e dela depende igualmente o bem que podemos e devemos fazer aos outros e à sociedade.. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

19º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


O domingo, para nós cristãos, é o dia, por excelência da Eucaristia, dia em que nos reunimos para o encontro especial com o Cristo ressuscitado na mesa da palavra e na mesa do pão consagrado.

Na primeira leitura de hoje, escutamos um trecho do primeiro livro dos Reis que nos falou do profeta Elias, esse grande personagem que viveu no século 9o., antes de Cristo.

Abatido e desanimado diante do pouco resultado de sua luta contra a idolatria e perseguido pela sua fidelidade a Deus por Jesabel, esposa do rei Acaz, Elias pensa em abandonar sua missão de profeta e foge para o deserto. A sua situação é tão desesperadora que a oração que ele fez a Deus nos impressiona. “Agora, basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que os meus pais”.

É uma oração de revolta. Deus, porém, não atendeu ao pedido de Elias, pois, era necessário continuar ainda a missão que Ele  lhe havia confiado. Envia-lhe, então, por meio de um anjo, uma comida simples: um pão assado e um jarro de água. Comida simples,  mas misteriosa pela sua origem e pelo seu efeito. A crise do profeta se transforma num momento de graça, convertendo aquele momento de desespero num início de uma nova  vida. “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Com a força desse alimento, Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao monte de Deus.

Quantas vezes na nossa vida experimentamos a mesma tentação de Elias! Quando as coisas não andam como desejamos, quando nosso trabalho não é reconhecido, quando nossos planos fracassam, quando a doença bate a nossa porta, quando não vemos resultado na nossa luta contra a injustiça, a corrupção, a violência, a nossa atitude, muitas vezes, se parece com a de Elias, somos levados ao desânimo, e, às vezes, até mesmo ao desespero e à descrença no poder de Deus.

No evangelho deste domingo, Jesus afirma que Ele é o  “pão que desceu do céu”, “pão da vida. Os judeus escandalizaram-se com as palavras de Jesus por causa de sua humanidade. Eles conheciam bem a sua origem e para eles, Jesus não podia querer igualar-se a Deus que fez surgir o maná e com o qual alimentou o povo de Israel no deserto. E mais ainda, no deserto, o povo de Israel alimentou-se com o maná, mas  não estava livre da morte. E agora, Jesus tem a ousadia de  dizer que quem comer de sua carne nunca morrerá.

Todos nós necessitamos de alimento para viver e refazer nossas forças. A medicina tem progredido muito no diagnóstico das doenças e na sua cura e com isso, prolongado o tempo de vida das pessoas, mas nenhum recurso material garante a nossa imortalidade. Necessitamos de outro tipo de alimento, como o aconchego e o calor de uma família, a amizade e o apoio dos amigos que nos encorajam na vida. Mas não podemos dispensar o alimento da palavra de Deus que nutre nossa fé e ilumina nossos passos. Não podemos ficar sem o Pão Vivo, que  é o Cristo na Eucaristia que nos fortalece na caminhada e nos garante a vida eterna.  “Quem comer desse pão viverá para sempre”.

Hoje comemoramos o Dia dos Pais. Ser pai é uma vocação.  Exige entrega,  sacrifício e renúncia. É doar-se, a cada dia, pelo bem-estar da esposa e dos filhos. É ser motivo de orgulho para a família, não pelo que ele contribui materialmente,  mas pelo seu papel na construção da família e da sociedade.  O verdadeiro pai - biológico ou adotivo -  é aquele que ama,  cuida e educa para a liberdade com responsabilidade; é aquele que sempre está ao lado do filho, mas que sabe ser firme quando necessário; é aquele que mostra o caminho do bem pelo exemplo e pela palavra; é o amigo das horas alegres e difíceis.

Parabéns a todos os pais! A eles, o nosso carinho, reconhecimento e gratidão. Aos que já não estão mais entre nós, nossas preces.  Que São José, modelo de esposo e de pai,  inspire  todos os homens e os ajude a cumprir esta missão tão desafiadora, e ao mesmo tempo, tão gratificante:  amar, educar e preparar os filhos que Deus lhes confiou, para serem bons cristãos e bons cidadãos, pois o futuro da humanidade passa pela família.

IV Romaria dos Arautos do Evangelho - Santuário Nacional


Saúdo a todos os grupos do Apostolado do Oratório, seus supervisores e coordenadores. São cerca de 480.000 mil famílias que participam deste apostolado.  Que Deus abençoe o apostolado dos Grupos do Oratório  Maria Rainha dos Corações e que continuem a fazer este belo apostolado e cresçam cada vez mais.

Celebramos, hoje, a memória de Santa Clara de Assis que viveu no sec. XIII e, juntamente, com Francisco fundou, na Igreja de São Damião, a segunda ordem franciscana: as Irmãs Clarissas. O caminho da renovação evangélica da Igreja iniciada por Clara e Francisco se baseava no amor e na pobreza evangélica. 

Após a morte de Clara, os mosteiros das Irmãs Clarissas se espalharam pela Europa e mais tarde chegaram também ao Brasil. Felicito as Irmãs Clarissas no dia de sua fundadora Santa Clara de Assis, em especial, as Clarissas do mosteiro em Guaratinguetá, na Arquidiocese de Aparecida.

O profeta Habacuc viveu no séc. VII a.C. num tempo de muita inquietação e anarquia, na região da Síria e da Palestina, com a decadência do império assírio e a ascendência da Babilônia. Essa situação impunha uma opressão intolerável ao povo de Israel e parecia contradizer a justiça de Deus. Angustiado diante do sofrimento dos justos e do triunfo dos maus , o profeta Habacuc interroga a Deus: “Por que, então,  olhando para os malvados e vendo-os devorar os justos, exclama o profeta, e ficas calado”? O profeta conclui afirmando que o justo deve confiar na justiça de Deus que nunca faltará apesar da aparência contrária “se demorar, espera, pois ela virá com certeza e não tardará. Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé.” 

A fé é a adesão confiante em Jesus. Ela é fruto de um encontro pessoal com Jesus Cristo que transforma a vida. Com a fé, podemos vencer as dificuldades que se nos apresentam cada dia, sejam elas de que natureza  forem. É o que diz Jesus aos seus discípulos no evangelho de hoje. 

Os discípulos  não conseguiram curar o filho epiléptico que o pai lhes havia  apresentado, mas depois, ele  foi levado a Jesus  e este o curou. Os discípulos não o curaram por falta de fé; “a vossa fé é demasiado pequena”, respondeu-lhes Jesus.  “Se tiverdes  fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: vai daqui para lá, e ela irá. E nada vos será impossível.”

Nas dificuldades  mantenhamos a fé, pois elas ao invés de nos prejudicar, podem ser ocasião de graça para nós. Se a nossa fé for grande, poderemos fazer muitas coisas consideradas impossíveis, porque Deus nos faz participantes do seu poder. É bom lembrar o que diz Santo Agostinho: “Deus não nos pede nada  impossível, mas ao mandar, avisa que faças o que podes e que peças o que não podes e ajuda para que possas.”  A Virgem Maria é modelo de fé para todos nós. “Feliz és tu que crestes, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou”, foi a resposta de Isabel a saudação de Maria. 

Peçamos a Deus, nesta celebração, que fortaleça e aumente a nossa fé e nos dê a força de testemunhá-la na nossa vida e que nunca percamos a confiança no poder, na justiça, e na bondade de Deus nos momentos difíceis de nossa vida. 

Novena da Festa de Nossa Senhora da Piedade - Lorena


Agradeço, de coração, ao Pe. Rivelino Nogueira, cura da Catedral de Lorena, pelo amável convite que me fez para presidir esta Santa Missa, no 5º. dia da solene novena em preparação da Festa de Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade e da diocese de Lorena, neste ano jubilar da diocese que celebra seus 75 anos de criação, tendo a sua frente seu 8º. Bispo, Dom Beni Benedito dos Santos. Parabéns a Dom Beni, ao clero e a todo o povo de Deus desta Diocese.

Hoje celebramos a festa de São Lourenço, diácono da Igreja de Roma e mártir durante a perseguição do imperador Valeriano, no século III. Lourenço era o responsável pelo serviço da caridade aos pobres de Roma e pela distribuição da Eucaristia. Seu amor aos pobres atraiu  a cobiça das autoridades da cidade de Roma que exigiram de Lourenço a entrega de todos os seus bens e tesouros. 

Quando um funcionário, por ordem da autoridade romana, foi buscar os tesouros na Igreja, onde servia Lourenço, ele encontrou o salão da Igreja repleto de pobres. Lourenço voltou-se para o enviado da autoridade romana e apontando para os pobres, exclamou: “Estes são os tesouros da Igreja!”

Na primeira leitura de hoje, Paulo exorta os Coríntios a colaborarem com a coleta em favor da Igreja de Jerusalém que estava passando necessidade. Deus não se deixa vencer em generosidade e “aquele que semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza”, diz São Paulo.

No evangelho, por meio da imagem do grão de trigo lançado à terra, Jesus fala do sentido de sua morte: ela não será estéril, mas vai produzir muitos frutos. Pela paixão e morte, Jesus chegará à glória. “Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, ele continuará só um grão de trigo; mas se morrer, então, produz muito fruto.” A mesma sorte cabe aos discípulos de Jesus. O egoísmo destrói o sentido da vida e a dimensão da vida humana  fica limitada e sem sentido ao fechar-se dentro dos limites deste mundo. Quem dá um sentido transcendente a sua vida e procura fazer dela uma entrega a Deus e aos irmãos, encontra razão para viver e salva sua vida para além deste mundo e assegura a vida eterna. “Para  nós, é Cristo que dá um novo horizonte à vida e com isso uma orientação definitiva” (Bento XVI).

Jesus nos fez filhos de Deus pelo Espírito Santo derramado em nossos corações e a realização máxima da existência cristã consiste nessa vivência trinitária de “filhos no Filho”. A Virgem Maria por sua fé e obediência à vontade de Deus e por sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus é a discípula mais perfeita do Senhor (DA  26). Ela é também a grande missionária. 

Qual primeiro sacrário da história humana ao levar no seu seio o Verbo encarnado, Maria foi portadora da salvação para a família de sua prima Isabel. “Quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, disse Isabel a Maria, a criança estremeceu de alegria em meu ventre.”

A Virgem Maria é continuadora da missão de seu Filho Jesus e formadora de discípulos missionários. Nos diversos santuários marianos espalhados pelo mundo a fora, Maria continua a atrair multidões de fiéis que encontram nela a inspiração mais próxima para aprenderem como ser discípulos missionários de Jesus.  Maria é  a mãe e modelo de todo discípulo missionário de Jesus Cristo. 

Por isso, o Papa Bento XVI nos dizia em Aparecida: “Maria Santíssima, a Virgem pura e sem mancha, é para nós escola de fé, destinada a nos conduzir e a nos fortalecer no caminho que conduz ao encontro com o Criador do céu e da terra. Permaneçam na escola de Maria, disse Bento XVI,  inspirem-se em seus ensinamentos. Procurem acolher e guardar dentro do coração as luzes que Ela, por mandato divino, envia a vocês a partir do alto.”

Maria, mãe, discípula e missionária de Jesus,  ajudai-nos a nos tornarmos, cada vez mais, discípulos e missionários de vosso filho Jesus Cristo. 


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Agosto: mês de oração pelas vocações


Agosto é um mês muito rico para a vida da Igreja e para a vida familiar.  Na Igreja, celebramos grandes solenidades como a Transfiguração do Senhor, a Assunção de Nossa Senhora e Nossa Senhora Rainha.  Celebramos, ainda, nomes muito importantes para a Igreja, como: Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor; São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes;  São Lourenço, padroeiro dos Diáconos;  Santa Clara; Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina; o martírio de São João Batista, e Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho.  Em âmbito familiar, no 2º domingo de agosto,   comemoramos o Dia dos Pais e temos a Semana da Família.

A Igreja no Brasil dedica este  mês ao estudo e aprofundamento das vocações. Na primeira semana, refletimos a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres  e bispos;  na segunda semana, aprofundamos a vocação para a vida familiar; a terceira semana dedica-se à vocação para a vida consagrada: religiosos (as), consagrados (as), e a  quarta semana está voltada para a vocação dos leigos que desempenham ministérios e serviços na comunidade.  

Desta maneira, a Igreja quer mostrar que toda vocação é especial e importante. Cada um de  nós é chamado a servir ao Reino de Deus, de acordo com o dom que Ele nos concedeu,  seja no ambiente eclesial, familiar, escolar, social  ou profissional.  Em qualquer lugar ou situação, todo cristão batizado precisa ser  “sal da terra e luz do mundo.”

Entre todas as vocações, gostaria de pedir sua atenção, em especial, para a vocação sacerdotal. Sabemos que o número de padres não acompanha o crescimento da população.  Há uma escassez de padres, tanto em áreas mais distantes de nosso Brasil, como também, nos grandes centros urbanos. Esta realidade traz consequências como: a falta de acompanhamento espiritual; a  dificuldade de participação na vida da Igreja e nos sacramentos e a presença pouco marcante  da Igreja em questões graves e importantes que marcam a nossa época. 

O mundo de hoje precisa de padres santos, preparados e com espírito missionário. Por isso, precisamos intensificar nossa oração pelo aumento das vocações sacerdotais, pois  “a messe é grande e os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários a sua messe” (Lc 10,2). Rezemos, também, pelos nossos padres para que permaneçam fiéis ao dom de sua vocação sacerdotal.  Que São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos sacerdotes, os ajude a cumprir, com coragem e alegria, a missão que Jesus Cristo lhes confiou.  

domingo, 29 de julho de 2012

17º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


A partir deste 17º. Domingo até o 22º. Domingo, o evangelho de Marcos, que é o evangelho privilegiado deste ano, ciclo B, é interrompido para dar lugar a leitura do capítulo 6º. do evangelho de João que começa hoje pela narração da multiplicação dos pães e que seguirá  nos domingos seguintes com o discurso sobre o pão da vida.

A primeira leitura de hoje e o Evangelho nos apresentam duas multiplicações de pães. Eliseu recebe de um homem como oferta, pães dos primeiros frutos da terra e em vez de guarda-los para si, ele ordena que repartam os 20 pães com as cem pessoas para que comam. Eliseu confiou na palavra de Deus e graças a colaboração de um homem, ele alimentou aquelas pessoas e ainda sobrou pão.
Jesus, conforme narração do evangelho de hoje, alimentou uma grande multidão com apenas cinco pães e dois peixes oferecidos por um menino, e ainda, sobraram doze cestos de pães.

No decorrer da leitura do capítulo 6º. do Evangelho de João, poderemos perceber que atrás do fato da multiplicação dos pães, Jesus quer nos transmitir algo mais profundo que está escondido no milagre da multiplicação dos pães. O povo segue Jesus por causa dos sinais que ele realizava, mas não compreendia quem era Jesus realmente. 

Para a multidão que o seguia, ele era apenas um homem dotado de poderes extraordinários e por isso, queriam proclamá-lo rei. A fome daquele povo que seguia Jesus não o deixa indiferente. Ele sabe que o alimento é indispensável ao corpo humano, mas o alimento material não garante uma vida plena, eterna. Isso é apenas um primeiro passo. 

O pão dado aos que seguiam Jesus, sinal de sua bondade era sinal de algo mais importante, que a multidão ainda não é capaz de perceber totalmente. Jesus tem outras intenções, que veremos no decorrer do capítulo 6º. do evangelho de João. O dom do pão precedido pela ação de graças: “tomou os pães, deu graças e distribui-os aos que estavam sentados” e a referência à “Páscoa, festa dos judeus, que estava próxima”, indicam que João estava pensando na Eucaristia e que a  multiplicação dos pães prefiguram a abundância do pão da Eucaristia que Jesus instituiu na última Ceia e ordenou aos seus discípulos que repetissem esse seu gesto até o fim dos tempos. Cada vez que participamos da celebração eucarística, Jesus nos oferece esse alimento espiritual que é o seu corpo, e faz de todos nós um só corpo, que é a sua Igreja.

O milagre do profeta Eliseu como a multiplicação dos pães e dos peixes, realizado por Jesus, nos ensinam que a solução de muitos problemas que nos afligem hoje, como a fome, guerras, injustiças, corrupção, podem ser resolvidos com a nossa participação e colaboração. Não podemos fazer milagres, mas podemos dar a nossa colaboração como o menino do evangelho de hoje e o homem do qual nos fala a primeira leitura do II Livro dos Reis, para a solução dos problemas que nos afligem.

As eleições municipais estão se aproximando. É hora de começar a examinar cada candidato a vereador e a prefeito para votar com liberdade e responsabilidade, tendo em vista o bem comum de todo o município e não só os próprios interesses. Analise o passado do candidato, o que ele já fez pelo bem da cidade, sua competência, sua honestidade.  Não se deixe iludir por promessas de candidato, cujo passado não oferece garantia nenhuma de cumprir o que promete. 

Preparai o Caminho - Rio de Janeiro


É grande minha satisfação em estar aqui para esta celebração que faz parte do último ano de  preparação para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá aqui, nesta Cidade Maravilhosa, de 23 a 28 de julho de 2013!

Tenho a alegria de entregar hoje à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, na pessoa de seu Arcebispo, Dom Orani João Tempesta, uma réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, venerada no Santuário Nacional, em Aparecida, pedindo a Ela que proteja os trabalhos de preparação e realização  da 27ª Jornada Mundial da Juventude.  

No Evangelho (Lc 2,39-56) ouvimos a narrativa da visita da Virgem Maria a sua prima, Santa Isabel. Essa visita é um modelo das atividades missionárias da Igreja e Nossa Senhora é o modelo dos missionários. Naquela primeira visita, ela, qual primeiro sacrário da história, levava Jesus em seu ventre. Aconteceu então um evento de extraordinária força comunicativa. São João Batista, também ainda no ventre de sua mãe, reconheceu a presença do Messias, imperceptível aos olhos, sendo formado segundo a natureza humana, também Ele ainda no ventre de sua mãe. Exultando, São João pulou de modo inusitado, e sua mãe, compreendendo o significado do que acontecia, se deixou envolver pela alegria da salvação que se inaugurava e a proclamou com todas as suas forças. A comunicação da fé e do anúncio de Cristo  passa de pessoa para pessoa. A virgem Maria, São João Batista e Santa Isabel, são protótipos do acolhimento da ação divina e da transmissão da fé aos outros.

Queridos irmãos e irmãs, a continuação dessa comunicação de fé é o que está por acontecer aqui, na cidade do Rio de Janeiro, durante a preparação e a realização da 27a Jornada Mundial da Juventude. Assim, é importante que os fiéis da Arquidiocese do Rio de Janeiro aprofundem a consciência do significado desse grande evento mundial e do papel específico que cada um está chamado a desempenhar.

A Jornada está ligada à saudosa memória do Beato João Paulo II, que dedicava atenção privilegiada para a juventude e para sua evangelização. De fato, a sintonia existente entre esse grande Papa e os jovens impressionava o mundo. Baste-nos recordar como, nos últimos momentos de sua vida, os jovens lotaram a praça de São Pedro em vigília de oração. Ele, ouvindo as orações e as palavras que os jovens lhe diziam em coro, respondeu: “eu fui até os jovens, agora eles vêm até mim”. Baseando-nos nesse fato e nessas palavras, podemos penetrar no significado das JMJ. Nelas, a Igreja, como a Virgem Maria, se coloca em estado de missão para “ir até os jovens”. Em seguida, acolhe os jovens que “vêm” até ela para se “encontrar com Cristo”.

Esses dois movimentos, ir aos jovens e acolher os jovens que vêm,  estão bem presentes na preparação para a 27a Jornada, de cuja realização estamos apenas a um ano. O Lema escolhido pelo Papa Bento XVI: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19), indica o movimento de ida até os jovens. O outro movimento está descrito em uma sessão do site criado pela Arquidiocese para a Jornada, ali se lê: “Cristo os espera de braços abertos”. Trata-se da vinda dos Jovens até Cristo e de seu acolhimento. Aí está a finalidade dessa extraordinária iniciativa!

Dia 24 de agosto de 2011, no momento em que anunciava a próxima Jornada para o Rio de Janeiro, o Papa Bento XVI dizia-nos estas palavras cheias de beleza e portadoras de tanto compromisso: “A Jornada Mundial da Juventude em Madrid renovou nos jovens o chamado a serem o fermento que faz a massa crescer, levando ao mundo a esperança que nasce da fé. Sede generosos ao dar um testemunho de vida cristã, especialmente em vista da próxima Jornada no Rio de Janeiro”. Trata-se agora, portanto, de nos concentrarmos no “testemunho de vida cristã”. Em todas as atividades de preparação para a Jornada, o testemunho deve ocupar o centro de nossa atenção. Testemunho de vida cristã para colaborar no aprofundamento da experiência de fé dos jovens que aqui se encontrarão.

Para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, e com ela para todo o Brasil, é um grande privilégio sediar um evento desse porte e com essa finalidade. Os esforços que estão sendo requeridos na preparação são muitos, é verdade. Estamos convencidos de que eles deixarão uma marca indelével na consciência dessa Igreja. É muito o que o Rio de Janeiro está tendo que dar para essa Jornada. Mas muito maiores serão as graças e bênçãos que Nosso Senhor está concedendo e vai conceder ainda mais a esta Igreja! Como sempre disseram os grandes mestres espirituais: “Deus não se deixa vencer em generosidade”. Deus que é Amor, que é dom total, sabe apreciar a doação de tempo, de recursos, de energia, que estais dedicando em favor da evangelização dos jovens. Tenham a certeza de que os efeitos disso não se farão esperar.

Em nome da CNBB, eu os parabenizo e os encorajo a continuar, pois os trabalhos vão ainda se intensificar à medida que a realização da Jornada se aproxima mais. Sejam firmes e generosos. Um reflorescimento da evangelização dos jovens, que é um bem imenso para a Igreja e para o mundo, é  que vos aguarda aqui, como também em todo o Brasil.

Os jovens que virão de todas as partes do mundo trarão consigo sua alegria, seu  vigor e seu profundo desejo de busca por Cristo. Eles levarão daqui o testemunho de uma Igreja viva e generosa e de jovens apaixonados por Cristo e comprometidos com seu Evangelho e sua Igreja. Jovens evangelizado jovens! Jovens missionários de outros jovens.

A cruz e o ícone da Virgem Maria continuam peregrinando pelo Brasil. Os relatos que recebemos são muito animadores. O entusiasmo está se espalhando por todos os lugares onde esses símbolos passam. Esta onda de entusiasmo irá se concentrar aqui, no Rio de Janeiro. Aqui o acolhimento, com o típico sabor carioca, será uma das marcas da Jornada.

Mundialmente a Igreja é chamada a uma Nova Evangelização para a transmissão da fé, sobretudo às novas gerações. A preparação em vista da JMJ é uma grande oportunidade para isso. Sua realização o será ainda mais. Temos plena convicção! 

Caríssimo Sr. Arcebispo, Dom Orani João Tempesta, toda a Igreja no Brasil está com a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Caríssimos fiéis que farão o serviço do acolhimento dos peregrinos, caríssimos jovens: acolher é evangelizar! Da vossa generosidade todos vamos recolher os resultados. Sirva a todos de estímulo a belíssima página evangélica sobre a qual hoje novamente meditamos. Possa a alegria do reconhecimento da presença de Cristo contagiar a todos.

Que o Cristo, Redentor da humanidade, e sua santa Mãe, Nossa Senhora Aparecida, permanecendo convosco, como permaneceram na casa de Zacarias, Isabel e João Batista, os fortaleça nessa etapa importante da preparação para a 27a JMJ.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

15º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


Saúdo os coordenadores (as) de Romaria e os felicito pelo trabalho que fazem, colaborando com o trabalho evangelizador do Santuário Nacional. Que Nossa Senhora Aparecida os proteja pelo trabalho que fazem.

As leituras deste 15º. domingo nos convidam a refletir sobre a vocação e a missão do profeta Amós, dos doze apóstolos, da Igreja e de cada cristão. 

Amós que viveu no século 8º. a.C., foi  enviado por Deus para profetizar no reino de Israel, ao norte, no Santuário real de Betel. As palavras de Amós incomodam o sacerdote Amasias e este expulsa o profeta e o ordena que vá profetizar  em outro lugar, em Judá, no reino do sul. A força do profeta Amós está na certeza do chamado recebido de Deus e na missão que Ele lhe confiou, por isso, não pode calar, apesar de sua mensagem não agradar.

No evangelho, Jesus chama os doze apóstolos que, na sua maioria, eram pescadores no lago de Genesaré. Homens simples, mas fascinados pela pessoa de Jesus e sua palavra, atendem ao seu chamado, deixam tudo e o seguem. Depois de  um  certo tempo de convivência com Jesus, ele os envia em missão, dois a dois, fazendo-os participantes do seu ministério de compaixão, de cura e do anúncio do Reino de Deus: “os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 

Expulsavam muito demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo” (Mc 6, 12-13). As instruções práticas dadas por Jesus aos doze discípulos podem ser resumidas numa só: não devem confiar em segurança humana ou material e sim na força da mensagem que anuncia e na assistência do Pai e na força do Espírito de Cristo. 

Como o profeta Amós, o discípulo de Cristo deve estar preparado para o risco de sua mensagem e sua pessoa  serem rejeitados pelos ouvintes: “se em algum lugar não vos receberem nem quiserem vos escutar, saiam daquele lugar e sacudam a poeira dos pés como testemunho contra eles.” Jesus deixa claro que aquele que rejeita a pregação dos apóstolos coloca em perigo o seu destino final. 

Ao escolher os doze apóstolos e ao estabelecer Pedro como sua cabeça, Jesus dá uma estrutura a sua Igreja, que permanecerá até o fim dos tempos. Os apóstolos são as colunas dessa comunidade querida por Jesus e os bispos são os sucessores dos Apóstolos.

Queridos irmãos e irmãs, a missão da Igreja é evangelizar, isto é, levar a boa nova do evangelho a toda criatura. Pelo batismo, Cristo nos fez  participantes de seu sacerdócio, de sua missão profética e real, por isso, somos chamados como discípulos de Cristo a sermos missionários no mundo de hoje, a começar na própria família, no ambiente de trabalho.

Enfim, em qualquer ambiente em que vivemos. Todo cristão e não só bispo, o padre, o religioso, tem o direito e o dever de ser mensageiro do evangelho pela sua vida e pela sua palavra. Para que o nosso anúncio do evangelho seja crível é fundamental viver de maneira coerente com a fé que professamos. 

Que esta celebração eucarística nos fortaleça na missão de testemunhar a nossa fé com coragem e alegria e de construirmos um mundo mais humano, segundo o projeto de Deus.