segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo, apelo a preservar !


Estamos iniciando um novo ano. A passagem de ano é, inicialmente, oportunidade de render graças a Deus por tudo o que, com amor eterno nos concedeu no ano que passou, e agradecer de um modo especial a intercessão de Nossa Senhora Aparecida que, com amor materno, nos acompanhou no ano que terminou.

Entre os motivos para a nossa ação de graças, destaco a deferência do Santo Padre, o Papa Bento XVI, em relação a todo o povo brasileiro, ao escolher-me para Cardeal da Igreja, designando-me a Igreja titular da Imaculada Conceição da Virgem Maria no Tiburtino, em Roma. Este título me alegra principalmente por ser um título mariano, a Imaculada Conceição, o mesmo título da Padroeira do Brasil: Imaculada Conceição Aparecida.

Para que todos saibam, o Código de Direito Canônico afirma, no cânon 439, que “Os Cardeais da Santa Igreja Romana constituem um Colégio especial, ao qual compete assegurar a eleição do Romano Pontífice de acordo com o direito especial; os Cardeais também assistem ao Romano Pontífice agindo colegialmente, quando são convocados para tratar juntos as questões de maior importância, ou individualmente nos diversos ofícios que exercem, prestando ajuda ao Romano Pontífice, principalmente no cuidado cotidiano pela Igreja universal”

Iniciamos um ano novo, e devemos olhar, confiantes em Deus e na proteção da Mãe Aparecida, para o futuro. Confiante, recorro a Nossa Senhora Aparecida em favor de todo o povo brasileiro que está sob seu patrocínio. Espero que todos tenham um ótimo ano, que seja concluído com muitos motivos para agradecer a Deus por todos os dons recebidos e pelas conquistas alcançadas.

Também é importante lembrar que o dia primeiro de janeiro é o Dia Mundial de Oração pela Paz. O Santo Padre nos lembrou que não pode existir paz sem o direito à liberdade religiosa e a liberdade de consciência. Para que a paz seja possível, é necessário que cada ser humano tenha o direito de crer e professar publicamente a sua fé, independentemente, da sua pertença religiosa e institucional. Precisamos fazer valer o nosso direito de liberdade religiosa e, ao mesmo tempo, fazer valer essa liberdade para todos os povos do mundo, sobretudo, onde a liberdade religiosa sofre restrições ou é reduzida a liberdade de culto.

Este ano novo também deve ser de renovação das nossas responsabilidades de cristãos: vida de fé, oração, prática da caridade, participação na comunidade e compromisso sincero com a conversão e a busca da santidade através da fuga do pecado e da valorização da graça santificante que Deus nos concede. Com minha bênção a você e a toda a sua família, neste novo ano.

Festa da Sagrada Família - 26.12 Santuário Nacional


Neste domingo, último domingo do ano de 2010 e o primeiro depois do Natal, a festa da Sagrada Família nos oferece uma oportunidade para refletir sobre a família.

Jesus, o Filho de Deus, ao nascer no seio de uma família, no lar de José e Maria, santificou a família humana.

As famílias de hoje tem na Família de Nazaré um exemplo a seguir. A família é patrimônio da humanidade, um dos tesouros mais importantes dos povos da América Latina (Bento XVI).

A família nasce do “sim” responsável e definitivo de um homem e de uma mulher e vive do “sim” consciente dos filhos que pouco a pouco entram a fazer parte dela. Para prosperar a família tem necessidade do consenso generoso de todos os seus membros.

Na vida familiar faz-se a experiência de certos valores que são fundamentais para a convivência social: a justiça e o amor, a atenção aos mais necessitados, a mútua ajuda, a disponibilidade para acolher o outro, o perdão, a função da autoridade paterna. Por isso, a família é a primeira e insubstituível educadora para o amor e a paz e a comunidade humana não pode prescindir do serviço que ela realiza. A família tem o dever de educar os seus membros, mas tem também direitos que devem ser respeitados e atendidos pela sociedade e o Estado: moradia, educação, saúde e trabalho. Esses direitos quando desrespeitados constituem um grande obstáculo no caminho da convivência social pacífica.

A primeira leitura do livro do Eclesiástico nos fala das relações entre pais e filhos. O autor escreve pelo ano 180 a.C., numa época em que a Palestina sofria uma forte helenização, adotando modas e costumes alheios a sua religião, a sua cultura. O autor vê na família o mais forte baluarte contra o paganismo invasor. A família foi e é a escola da fé, forjadora de valores humanos e cristãos, lugar em que a vida humana nasce e é acolhida generosa e responsavelmente. Sem a família não se consegue preservar a identidade de um povo e seus valores culturais. Hoje fala-se da vulnerabilidade ideológica de um povo e um dos meios de fortalecer nossos valores humanos, cristãos, nossas tradições, nossa identidade é a defesa e a proteção da família.

Na segunda leitura, São Paulo enumera um conjunto de atitudes importantes para a convivência familiar e que deveriam ser aprendidas no seio da família: a bondade, a humildade, a mansidão, a paciência, o perdão. Hoje em dia parece que nossa sociedade exalta outras atitudes: a força física, a agressividade, a competição, a violência, o levar vantagem em tudo.

No evangelho, Mateus nos apresenta o episódio da fuga para o Egito. A Sagrada Família nos dá o exemplo de unidade e fortaleza diante de situações difíceis e de disponibilidade em fazer sempre a vontade de Deus.

Que a Sagrada Família inspire e ajude a família a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva da sociedade e da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano. Que a Sagrada Família abençoe e proteja nossas famílias.

Natal do Nosso Senhor Jesus Cristo - 24.12. Santuário Nacional


A festa do Natal convida-nos a louvar e agradecer a Deus e a exultar de alegria porque “hoje nasceu para nós o Salvador, que é o Cristo, o Senhor”. E os anjos que apareceram aos pastores na região de Belém, na noite de Natal “cantavam louvores a Deus, dizendo: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

O filho de Deus sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza, para nos fazer filhos no Filho e herdeiros do reino do céu. “Ó admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem. Feito homem, nos doou sua própria divindade” (antífona da I Vésperas na oitava de Natal – Solenidade da Santa Mãe de Deus).

Isaias profetiza o nascimento do Messias “nasceu para nós um menino, foi nos dado um filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; seu nome, príncipe da paz”. E o anjo anuncia aos pastores, em Belém, uma boa notícia: “eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: hoje na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”

Com palavras diferentes, São Paulo no texto da missa de hoje, da carta a Tito, exprime a mesma mensagem: “a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os homens”. É o amor gratuito de Deus que se manifesta em Jesus Cristo para toda a humanidade. O mesmo Jesus que nasceu em Belém, continua São Paulo no mesmo texto: “é aquele que se entregou por nós na cruz, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”.

Acolher Jesus de verdade é reconhecê-lo como único Senhor em nossa vida; é acolhê-lo na pessoa do nosso irmão, da criança, do pobre, do enfermo, do oprimido; é viver como ele viveu, amar como ele amou.

Jesus nascido em Belém é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. “O Deus de rosto humano que nos amou até o fim – cada indivíduo” e a humanidade no seu conjunto – é o fundamento da nossa esperança. “Somente o seu amor nos dá a possibilidade de perseverar com toda a sobriedade, dia após dia, sem perder o ardor da esperança, num mundo” melhor, que deve ser prefiguração de um novo céu e de uma terra nova, onde habitará a justiça.

“E o seu amor, é ao mesmo tempo garantia de que existe aquilo que intuímos só vagamente e, contudo, no intimo do coração esperamos alcançar: a vida que é “verdadeiramente” vida.” (Spe Salvi)

“Essa esperança não nos exime da necessidade de um contínuo esforço pela construção de um mundo melhor, mas esse mundo melhor de amanhã não pode ser o conteúdo próprio e suficiente de nossa esperança” (Spe Salvi 30). “A esperança do homem moderno de construir um mundo melhor, graças a ciência, à técnica e a política, que seria o verdadeiro “reino de Deus”, tem mostrado que essa esperança não se realiza porque só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que o homem alguma vez possa alcançar”

Em Jesus Cristo, Deus nos oferece e nos garante aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir, a verdadeira vida, porque foi para isso que Jesus veio ao mundo: “para que todos tenham vida, e vida em abundância. Com esta vida divina também se desenvolve em plenitude a existência humana, em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural” (DA 13).

Na Eucaristia, Jesus se entrega a nós como alimento de vida eterna que alcançará sua plenitude na ressurreição futura.

Ao Pe. Darci Nicioli, reitor do Santuário Nacional e a todos os missionários redentoristas que exercem o seu ministério presbiteral na Arquidiocese de Aparecida em vários setores da pastoral, fiéis ao carisma de Santo Afonso, um Feliz e Santo Natal. Expresso esses meus votos igualmente ao clero da Arquidiocese, aos consagrados, aos fiéis todos, aos colaboradores da família da Campanha dos Devotos, aos participantes desta celebração e aos que estão unidos a nós nesta noite pela rádio e pela TV. A todos Feliz e Santo Natal com paz e amor no coração de cada um.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

82 anos de emancipação de Aparecida - Igreja de São Benedito


O Natal está bem próximo, por isso, os textos da liturgia da Palavra que acabamos de escutar nos falam da origem de Jesus quanto a sua humanidade. Na primeira leitura, Jacó anuncia aos seus filhos a vinda do Messias: “o cetro não será tirado de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até que venha Aquele a quem pertenceu, e a quem obedecerão os povos”. É da descendência de Jacó que será gerado, muitos séculos depois, José, o esposo de Maria da qual nasceu Jesus.

No evangelho de hoje, Mateus apresenta-nos a genealogia de Jesus numa longa sucessão de nomes até chegar a José, descendente de Jacó e da estirpe de Davi. José é o esposo de Maria da qual nasceu Jesus. Jesus é a plenitude da revelação e a sua chegada a este mundo foi preparada desde o início da história da salvação.

Os desígnios de Deus são insondáveis: nada fazia prever com exatidão o momento da chegada do Messias, nem o lugar de seu nascimento: a pequenina cidade de Belém. Maria, mãe de Jesus, vivia em Nazaré e seu esposo José era um homem desconhecido e sua profissão muito modesta: carpinteiro dedicado a fabricar e consertar móveis para seus clientes. Deus realiza seus planos quando menos esperamos, nem sempre de acordo conosco. Deus nos surpreende sempre; cabe a nós nos adaptarmos a Ele. O mistério do Natal ultrapassa nossas expectativas e nosso entendimento. Diante do amor infinito de Deus manifestado nessa criança semelhante a nós em tudo, exceto no pecado, agradeçamos a Deus, admiremos seus desígnios insondáveis, coloquemo-nos com confiança em suas mãos e deixemo-lo atuar em nossa vida, a exemplo da Virgem Maria e de José seu esposo.

Com fé em Deus olhemos para o futuro, certos de que com o nosso trabalho feito com competência, justiça e honestidade, podemos construir uma cidade melhor para todos, alcançar melhor qualidade de vida, mais segurança, mais paz.

A Igreja, em razão de sua missão e competência não se confunde com a sociedade política, nem está ligada a qualquer sistema ou partido político determinado, mas “louva e aprecia os leigos que tomam sobre si o peso do cargo de governar e de legislar e o coloca a serviço do bem comum dos homens”, renunciando à interesses pessoais ou a vantagens materiais. É importante que no exercício de seus cargos permaneçam perto de seus representados, escutem e dialoguem com os cidadãos de seu município para atender melhor as suas justas reivindicações.

Contem sempre com o apoio da Igreja em tudo que diz respeito ao bem-estar da população de seu município, à defesa da vida, à promoção da dignidade do cidadão e de seus direitos.

Parabéns ao povo de Aparecida. Deus, por intercessão da Padroeira do Brasil, e de Santo Antonio de Santana Galvão, os proteja, os abençoe e lhes conceda um Natal abençoado e feliz e um Ano Novo com saúde, paz e muitas realizações.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

3º Domingo do Advento - Santuário Nacional


Estamos nos aproximando da Festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a liturgia deste domingo nos convida, desde já, a nos alegrarmos, antecipadamente, pela celebração do mistério do amor infinito de Deus para conosco que se manifestou no nascimento de Jesus, o filho de Deus.

Este domingo é conhecido como o domingo “gaudete” o domingo da alegria e por isso, neste dia, no lugar do roxo, o celebrante pode usar paramentos de cor rósea.

A primeira leitura do profeta Isaias nos prepara para compreender melhor o evangelho de hoje. As promessas anunciadas por Isaías se tornam realidade na pessoa de Jesus. Os sinais realizados por Jesus dão testemunhos de que Ele é o Messias: “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.”

João esteve na prisão e quando ouviu falar das obras de Jesus, enviou-lhe alguns de seus discípulos para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro”? Em outras palavras, és tu o Messias, o enviado de Deus, ou devemos aguardar um outro?

João Batista esperava um Messias como um juiz implacável, pronto para condenar os pecadores. Naquele dia, os pecadores seriam eliminados do povo de Israel, por isso, a conversão era urgente: “O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bons frutos será cortada e jogada no fogo”, proclamava João Batista no evangelho do domingo passado.

As noticias que João Batista tem de Jesus é de um Jesus acolhedor, misericordioso, pronto a perdoar, um Jesus que acolhe os pecadores e até se senta à mesa com eles. A missão de Jesus não vai pelos caminhos do castigo ou da repressão, mas pelos caminhos da bondade e da solidariedade para com todos os que sofrem na vida. João Batista já havia reconhecido o Messias na pessoa de Jesus ao afirmar: “Depois de mim, vem alguém com mais autoridade do que eu, e eu nem sou digno de amarrar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e o fogo”. Vendo porém que suas palavras e suas obras não coincidiam com suas expectativas, João Batista quer se certificar se Jesus é o que deve viver e por isso pergunta: “És tu que há de vir ou devemos esperar um outro”?

Ao responder a pergunta de João Batista, Jesus se declara como o verdadeiro Messias e Jesus define também a missão de João Batista. João é um profeta, o maior de todos os profetas, mas em Jesus se concretiza o Reino de Deus e aquele que acolhe este Reino, aquele que se torna discípulo de Jesus é maior do que João Batista.

Jesus não nega o seu poder de julgar, mas no momento, prefere apresentar-se como aquele que veio para salvar, para curar nossas feridas.

Jesus se dá a conhecer através de sinais modestos, simples. Deus ao nos visitar no Natal se fez o menor entre os homens. “Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus, como afirma São Paulo, na Carta aos Filipenses. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos” (Fil 2,6-7). A Eucaristia é um sinal eficaz da presença de Cristo. A fé, dom de Deus e ato livre do homem, é que nos permite entrar nos caminhos de Deus, muitas vezes, misteriosos e desconcertantes para nossa visão demasiada humana das coisas. Preparemos o nosso coração para uma confissão bem feita, para acolher Jesus que vem ao nosso encontro, neste Natal, especialmente, na Eucaristia, nos sinais simples e humildes do pão e do vinho, transformados no seu corpo e no seu sangue.

Hoje, 12 de dezembro, é Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da America Latina. Peçamos sua proteção para o nosso continente para que caminhe na paz com justiça social e na busca de uma integração, não só econômica, mas também, cultural e política entre nossos povos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

2º Domingo do Advento - Santuário Nacional




O tempo do advento é um convite para nos prepararmos para a vinda de Jesus. Deus fez surgir da família de Davi um salvador para Israel: Jesus.Na primeira leitura, o profeta Isaias nos apresenta o perfil do Messias que vemos realizado em Jesus: Ele é o filho de Davi. Jessé é o pai de Davi e, por isso, Isaias profetizou que da “raiz de Jessé surgirá o rebento de uma flor, esperança para todas as nações”. O Messias será cheio do Espírito Santo e nos comunicará esse Espírito com os seus dons. O reinado do Messias será eterno, de justiça e de paz. A raiz de Jessé, isto é, Jesus Crucificado “se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-lo as nações e gloriosa será sua morada”.

Paulo no texto da carta aos Romanos que escutamos na segunda leitura, acentua que Jesus, descendente de Davi e Messias de Israel, mostrou seu amor, não só ao povo judeu mas também aos pagãos. Ele salvou a todos e por isso, a convivência harmoniosa entre todos os povos não é só possível, mas obrigatória para aqueles que conhecem e amam o Cristo.

A exemplo de Cristo, devemos aceitar-nos uns aos outros e ter para com todos muita tolerância e compreensão, pois nossa origem é uma só: é Deus criador e Pai e nossa meta é também comum: a pátria celeste.

No Evangelho, João Batista pede aos seus seguidores que mudem de vida, de pensamentos, de sentimentos: “convertei-vos porque o reino dos céus está próximo”. Não se trata de um reino triunfal e temporal que faria de Israel o dono do mundo. Para João Batista, trata-se de um reino de justiça, amor, paz que se inicia aqui nesta terra com a presença de Jesus e se consumará no fim dos tempos, quando o universo será perfeitamente renovado em Cristo. Ele nos recorda que esse reino acontece aqui e agora quando fazemos a vontade de Deus, quando produzimos frutos de boas obras em nossa vida.

Preparemo-nos neste advento para acolher o Senhor em nosso coração. Libertemo-nos de tantas coisas materiais e de tantas atitudes que nos fecham em nós mesmos e que nos impedem de avançar para um mundo mais justo, solidário, humano e de paz.

No próximo domingo, em todo o Brasil, será o dia da coleta da Campanha para a Evangelização, destinada a sustentação da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Não se esqueça, portanto, de colaborar com essa coleta, lembrando-se que quem sustenta o trabalho do evangelizador também evangeliza.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Natal e Ano Novo: momentos de Reflexão


É com alegria que estamos terminando mais um ano de caminhada na história das nossas vidas em geral, e da nossa devoção à Nossa Senhora Aparecida, em especial. É com muito prazer e agradecidos a Deus que podemos dizer de consciência tranquila: conseguimos vencer mais uma etapa. Cumprimos nosso papel evangelizador fazendo o que nos compete como devotos de Nossa Senhora Aparecida.

Este é o sentido desta mensagem que vos envio, como nos anos anteriores: ao mesmo tempo que agradeço a cooperação de todos, sinto-me na responsabilidade de dizer algo bem no coração de todos os devotos: este é um momento forte de reflexão sobre o nosso papel de evangelizadores na condição de devotos de Nossa Senhora Aparecida.

Estamos nos aproximando das festas de fim de ano, sendo que o Natal do Senhor merece especial destaque. Se não cumprirmos o nosso papel, Jesus ficará esquecido no dia do seu aniversário. Pensando nisso, a Igreja Católica no Brasil nos faz um forte apelo, que se concretiza na Campanha para a Evangelização: precisamos anunciar que o mistério da Encarnação do Filho de Deus no seio da Virgem Santíssima e o seu nascimento no meio de nós nos convida a ser criaturas novas. Este fato exige que todos nós vivamos em comunhão com Deus, fugindo de tudo o que nos afasta Dele e procurando ser fiéis aos seus mandamentos, realizando sua vontade e dando o devido valor a tudo o que Ele, que nos ama com amor eterno, nos concede em vista do nosso bem e da nossa salvação.

Neste ano, em especial, a Campanha para a Evangelização nos convida a pensar na obra da Criação realizada por Deus e levada à plenitude por Jesus. A Campanha quer nos chamar à responsabilidade que temos diante da natureza que nos foi dada e ao encargo que nos foi confiado de cuidarmos dela.

Celebrar o Natal é assumir um novo compromisso de caminhar em união com Jesus, sob o olhar da Senhora Aparecida, com Jesus e fazer novos propósitos para serem vividos no ano novo. Somos convidados pela Igreja a fazermos o proposito de, no próximo ano, como discípulos e missionários, mostrarmos a beleza da criação, a grandeza do Criador e a obra renovadora de Jesus, que faz novas todas as coisas.

Que Deus conceda a cada um, membro da Campanha dos Devotos de Nossa Senhora Aparecida, as mais copiosas bênçãos e graças, extensivas aos familiares e amigos e que, enriquecidos por elas, tenham um Santo Natal, repleto de alegrias e um Ano Novo cheio de realizações. No dia 20 de novembro passado fui nomeado Cardeal da Santa Igreja pelo Papa Bento XVI. Confio as vossas orações este meu serviço eclesial.

1º Domingo do Advento - Santuário Nacional


Prezados irmãos no episcopado, caros irmãos no sacerdócio ministerial, religiosos, familiares, amigos, colaboradores, romeiros, fiéis da arquidiocese, telespectadores, rádio-ouvintes.

Aproveito este momento da homilia para agradecer, cordialmente, a todos que me acompanharam com suas orações no Consistório, realizado dia 20, em Roma, para a criação dos 24 novos cardeais, ao receberem o barrete, a Bula de nomeação e o anel das mãos de Sua Santidade Bento XVI. Peço a Deus, nesta eucaristia, que derrame suas bênçãos sobre todos que estiveram unidos a mim neste momento significativo de minha vida e peço que continuem rezando por mim para que possa, com o auxílio de Deus, desempenhar este serviço apostólico com alegria, fidelidade e em estreita comunhão com o Santo Padre. Os cardeais devem ser intrépidas testemunhas de Cristo e de seu evangelho na cidade de Roma e em lugares mais distantes.

Ao ser nomeado Cardeal, o Papa Bento XVI, designou para mim uma Igreja titular, a Igreja da Imaculada Conceição, em Roma, por isso, a partir de agora devo estar unido mais estreitamente à Cidade Eterna. Em março próximo, deverei tomar posse desta Igreja, sem no entanto, assumir diretamente a responsabilidade pastoral por esta Igreja que está confiada aos padre Josefinos, de São Leonardo Murialdo.

Recebi esta nomeação do Papa Bento XVI com humildade e temor, mas confiado na graça de Deus e agradecido por me dar mais esta oportunidade de viver esta experiência eclesial em âmbito universal e de servir a Igreja neste novo encargo. Deus tem os seus planos em relação a cada um de nós e cabe a nós aceitar com espírito de fé o que nos acontece, procurando discernir sua vontade, confiar nele, e olhar para frente e nunca para trás. Como presidente do CELAM – Conselho Episcopal Latino-americano - e Arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, onde está o Santuário Nacional da Padroeira do Brasil, vejo nesta minha nomeação de Cardeal uma atenção especial do Papa Bento XVI para com a Igreja na America Latina e no Brasil.

Ao agradecer a todos pela presença nesta celebração eucarística e àqueles que estão unidos a nós pelos meios de comunicação social, desejo confiar este meu serviço eclesial ao Senhor e à proteção de sua Mãe Santíssima, Nossa Senhora Aparecida e à oração de todos.

Começamos o tempo do advento certamente, em dos mais belos do ano. É tempo de férias para muita gente. Tempo de confraternização. Para o cristão, o tempo do advento é, sobretudo, tempo de preparação para a celebração do nascimento do Filho de Deus. Que este tempo seja uma ocasião favorável para abrir o nosso coração à salvação que Deus nos oferece em seu Filho Jesus, deixando-nos iluminar pela luz da verdade que é Cristo e o seu evangelho. É hora de despertar do sono, do nosso comodismo, do nosso egoísmo, escreve São Paulo aos romanos, e de abandonar tudo que nos afasta do amor de Deus e do amor do próximo. Só Jesus pode nos dar a paz, só Ele pode nos ajudar a aceitar nossas limitações e nos ajudará a ver seu rosto em todas as pessoas, especialmente, nos mais necessitados.
Um Santo e abençoado Advento para todos!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

33º Domingo do Tempo Comum - 14/11/2010


Estamos próximos do fim do ano cristão, do calendário litúrgico que se encerra no próximo domingo com a festa de Cristo Rei do Universo.

Ao concluir o ano litúrgico os textos bíblicos tem um tom escatológico, isto é, nos falam do futuro definitivo da história humana, do fim do mundo.

Desde o início da humanidade, o homem se preocupa em advinhar, predizer como será o amanhã, o futuro.

A palavra de Deus nos alerta para o fato de que o nosso fim último, nós o preparamos desde agora e a Eucaristia, celebração do acontecimento central da nossa redenção, nos é dada como alimento que nos revigora em nosso caminho e, desde já, nos garante a vida eterna, a vida definitiva, em plenitude, junto de Deus.

O texto do profeta Malaquias, que viveu no século V, depois do exílio da Babilônia, no tempo da reconstrução do judaísmo, convida-nos a olhar para frente, para o “dia do Senhor”, dia em que Deus restabelecerá a justiça, punindo os que praticaram o mal e premiando os justos, os que realizaram o bem.

No evangelho de Lucas, Jesus convida-nos também a olhar para o futuro com realismo e seriedade.

No evangelho de hoje é preciso distinguir três momentos diferentes aos quais se refere o evangelista: a destruição histórica de Jerusalém pelos romanos, no ano 70; o tempo da missão da Igreja que será marcado por dificuldades, perseguições, e a vinda do Filho do Homem como plenitude do Reino de Deus.

Com uma linguagem cheia de imagens, própria da época, o evangelho nos comunica uma mensagem fundamental: “o juízo final acontecerá quando o Cristo glorioso voltar. Só o Pai conhece o dia e a hora em que terá lugar; só Ele decidirá a sua chegada. Então, ele pronunciará por meio de seu Filho Jesus Cristo, sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos o sentido último de toda a obra da criação e de toda a história da salvação. Compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua Providência terá conduzido todas as coisas ao seu fim último. O juízo final manifestará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que o seu amor é mais forte que a morte”. (CIC 1040).

Enquanto peregrinamos nesta terra, cabe-nos trabalhar como afirma São Paulo na 1ª. Leitura, na construção do Reino de Deus, reino de justiça, de verdade, de amor e de paz, fazendo deste mundo um sinal do reino definitivo. Somos chamados a renovar à luz do evangelho a vida familiar, os costumes sociais, as relações econômicas, as leis trabalhistas, os ambientes culturais. Lembremo-nos das palavras de São João da Cruz, no entardecer da vida, seremos examinados no amor ao nosso irmão, sobretudo, aos mais necessitados.

2ª Romaria Nacional da Juventude - 13/11/2010


Queridos jovens, sejam todos muito bem-vindos ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. É Deus nosso Pai, e Maria, nossa Mãe, que nos acolhe, em sua casa! Desde já, faço o convite a todos e a todas para que participem no ano que vem da III Romaria Nacional da Juventude. Se gostaram, tragam mais um amigo, mais uma amiga com vocês, para a próxima romaria.

O futuro e o presente da Igreja e da sociedade dependem muito de vocês. A Igreja espera que vocês não se deixem enganar pelas falsas ilusões de felicidade nem pelos paraísos enganosos das drogas, nem pela tentação de substituir o diálogo pela violência, como caminho para resolver conflitos.

Diante de modelos culturais que se nos apresentam hoje em dia, no contexto da globalização, é importante não abandonar os valores cristãos e humanos que recebemos e que fazem parte da nossa identidade cristã e nacional, como o valor da vida, a dignidade humana, o matrimônio, a família, a liberdade religiosa, a solidariedade. Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer as contribuições positivas das culturas modernas, como liberdade, a defesa e a promoção dos direitos humanos, a democracia, o progresso cientifico. É importante a partir de um autêntico diálogo intercultural valorizar o positivo recebido da tradição, do passado, com o positivo oferecido pela modernidade, para construir uma sociedade mais humana segundo o projeto de Deus para a humanidade e um futuro melhor para todos.

Na parábola que Lucas nos apresenta no evangelho de hoje, Jesus nos convida a confiar e a perseverar na oração, certos de que ele nos atenderá. A parábola nos apresenta de um lado, um juiz duro, sem escrúpulo que não temia a Deus e por isso não respeitava ninguém. De outro lado, uma viúva, que pertencia a uma categoria de pessoas que naquela época, não era considerada pela sociedade e que pede justiça contra seu adversário. Somente depois de ter sido aborrecido durante muito tempo por aquela mulher, é que aquele juiz, para ser ver livre dela, decidiu, finalmente, fazer-lhe justiça.

E o evangelho acrescenta: “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa”.

A viúva venceu o juiz pela sua obstinação. Assim, também nós, pela perseverança na oração seremos atendidos em nossas dificuldades e necessidades por Deus nosso Pai, que é justo e misericordioso. Mais ainda, se pensarmos que Nossa Senhora apresenta nossos pedidos a Deus Pai pela mediação de seu Filho Jesus Cristo.

Se a nossa oração se une à de Jesus, sabemos que Ele nos concede muito mais deste ou daquele dom: recebemos o Espírito Santo que transforma o nosso coração. Recorramos, pois, sempre a Virgem Maria em nossas necessidades, com confiança e perseverança: Ela é nossa mãe e nos obterá as graças de que precisamos para nossa salvação.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010


Somos convidados a celebrar o dia de hoje com muita alegria, por duas razões: é domingo, o dia do Senhor, e no Brasil, é a festa de Todos os Santos, celebrada no dia primeiro de novembro, quando cai num domingo. Quando isso não acontece, a Solenidade de todos os Santos é celebrada no domingo seguinte, como neste ano.

Esta festa foi iniciada no século IV e era dedicada a memória somente dos mártires e que se tornou mais tarde uma celebração em honra de todos e de todas que viveram nesta vida, de maneira coerente, a sua fé cristã

Celebramos aquela “multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas”, conforme escutamos na leitura do texto do Apocalipse.

Festejamos todos aqueles e aquelas que já alcançaram o Reino dos Céus e de lá intercedem por nós, e nos estimulam com seus exemplos, nós, que ainda somos peregrinos nesta terra.

No dia de hoje comemoramos não só os santos e bem-aventurados reconhecidos oficialmente pela Igreja, e venerados publicamente pelos fiéis cristãos em todo o mundo, mas todos que realizaram a vontade de Deus nessa vida e já gozam da visão de Deus no céu. Os santos são todos aqueles e aquelas que fazem parte da Igreja triunfante, invisível aos nossos olhos, mas solidária conosco que fazemos parte desta Igreja peregrina na terra. As imagens dos santos e santas em nossas Igrejas, em nossas casas são representações dos santos e manifestam que eles estão conosco e pedem a Deus por nós. Nós veneramos os santos, representados em suas imagens, como veneramos a representação de uma pessoa querida.

Os santos não são super-heróis. São seres como nós que na vida procuraram seguir o caminho indicado por Jesus nas bem-aventuranças: o caminho da caridade, da humildade, a comunhão com Deus, a pureza de coração, a atitude de misericórdia, o desapego das coisas materiais, o trabalho pela justiça e pela paz.

Todos nós, seja qual for o nosso estado de vida ou classe, somos chamados em virtude do batismo à santidade. É a vocação fundamental de todo cristão. “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”. “Sede santos como vosso Deus é santo.”

Para alcançar a santidade devemos empregar nossas forças recebidas segundo a medida da dádiva de Cristo, para nos dedicarmos à glória de Deus e ao serviço do próximo, no estado de vida que abraçamos, na profissão que exercemos ou na situação de vida em que nos encontramos.

Peçamos a Deus que nossos irmãos e irmãs já glorificados intercedam por nós que formamos a Igreja peregrina nesta terra. Que Maria, Rainha de todos os santos, nos ajude a seguir fielmente a Cristo, para que possamos chegar à glória eterna e participar com todos os santos da vida em plenitude.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Onde está, ó morte, tua vitória?


Em recente visita ao senhor Bispo da diocese de Essen, na Alemanha, observei que acima da soleira da porta principal da entrada da residência, estava escrita na pedra, em latim, a frase: “o mors, ubi est Victoria tua”? que, em português, se traduz por “onde está, ó morte, tua vitória”?


Esta lembrança me veio à mente porque neste mês de novembro, a Igreja celebra no dia 02 a comemoração de todos os fiéis falecidos. Esta festa foi introduzida no ano de 998 pelo abade Odilo, monge do mosteiro de Cluny, na França. Aos poucos esta festa se estendeu para toda a Igreja.

Em todas as nações e culturas encontramos diferentes maneiras de comemorar os seus mortos. A morte é uma realidade irrevogável, mas para nós cristãos, ela não é o fim de tudo, a que tem a última palavra.


Ao recordar e ao rezar pelos mortos expressamos a comunhão universal que une todos os cristãos e professamos nossa fé na ressurreição e na vida eterna que Deus nos garantiu por meio da vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado e o demônio.

Ao rezar na oração do credo: “creio na comunhão dos santos” afirmamos que formamos uma família em Deus: nós que ainda peregrinamos nesta terra; aqueles que já morreram e estão se purificando, ajudados pelas nossas orações; e aqueles que já gozam da plenitude da vida na glória de Deus e intercedem por nós, no céu. Todos juntos formamos em Cristo uma só família, a Igreja, que luta, que sofre e que triunfa para louvor e glória da Trindade.


No final do capítulo 15, da primeira carta aos Coríntios, São Paulo depois de ter anunciado a “boa notícia” da ressurreição aos Coríntios e que eles aceitaram com fé, exclama cheio de júbilo: “onde está, ó morte, tua vitória. Graças sejam dados a Deus, que nos dá a vitória por meio do Senhor nosso Jesus Cristo. Ficai convencidos de que vossa fadiga pelo Senhor não será inútil” (I Cor 15,55-58).

31º Domingo do Tempo Comum - 31/10/2010


As duas leituras bíblicas que acabamos de ouvir nos transmitem uma mensagem de bondade, de perdão da parte de Deus.

A primeira leitura do livro da Sabedoria nos apresenta um Deus que se compadeceu de todos, que fecha os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam. Um Deus terno, compassivo, amigo da vida.

Um Deus que criou todas as coisas e, diante do qual, o mundo inteiro é com um grão de areia ou como uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra.

Esta onipotência de Deus, porém, não o leva à prepotência, ao contrário, “Ele ama tudo o que existe, porque se odiasse alguma coisa não a teria criado”.

Conta-se que um dos anjos, certa vez, perguntou a Deus como Ele, que é eterno, ocupava o seu tempo. E Deus lhe respondeu: passo o tempo perdoando. Todos nós temos experiência do pecado em nossa vida e como necessitamos do perdão de Deus.

O evangelho nos apresenta Jesus como imagem desse Deus misericordioso, bondoso, descrito pelo texto do livro da Sabedoria.

Dante, o autor da Divina Comédia, chama o evangelista Lucas de “Secretário da misericórdia de Deus”. De fato, o evangelho de Lucas guardou as mais belas parábolas que retratam o amor, a misericórdia de Deus, especialmente para os pobres e os pecadores.

O episódio da conversão de Zaqueu é um desses exemplos. A história de Zaqueu é contada unicamente por Lucas. É mais um exemplo trazido pelo autor do terceiro evangelho e do livro dos Atos dos Apóstolos do amor de Deus para com os pecadores, manifestado em Jesus Cristo e da universalidade da salvação que Ele veio trazer à terra. Este evangelista que exalta tanto a pobreza, mostra-nos no evangelho de hoje como a salvação chega a um homem rico. Zaqueu era chefe dos cobradores de impostos, os chamados publicanos. Ficou muito rico a custa de exigir dos outros mais do que era justo. Os publicanos eram detestados pelos seus concidadãos por colaborar com o opressor estrangeiro – os romanos – arrecadando impostos do povo para as autoridades romanas. Apesar disso, Jesus teve uma atenção muito especial para com Zaqueu. Jesus toma a iniciativa e se auto-convida para ir à casa de Zaqueu: “desce depressa da árvore! Hoje eu vou ficar na tua casa”. É claro que essa atitude de Jesus provocou uma grande reação.

Com a visita de Jesus, Zaqueu se converteu, decidiu mudar de vida e reparar o mal que havia feito. “Senhor eu dou a metade dos meus bens aos pobres e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais. E Jesus lhe disse: hoje a salvação entrou nesta casa. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.”

Deus espera que nos entreguemos a Ele tal como somos. É Ele quem nos vai transformar. Você que, talvez, está se sentindo distante de Deus, lembre-se que ele veio procurar e salvar o perdido. Depende apenas de você aceitar o seu perdão, a sua graça, e viver como Ele nos ensinou.

30º Semana do Tempo Comum - 30/10/2010


Hoje, neste sábado, as Irmãs da Congregação das Filhas de Jesus se unem aos romeiros em peregrinação ao Santuário Nacional para agradecer a Deus a canonização de sua fundadora Madre Cândida Maria de Jesus, canonizada pelo Papa Bento XVI, no dia 17 de outubro passado.

A Congregação das Filhas de Jesus foi fundada em Salamanca, na Espanha, em 8 de dezembro de 1871, pela Irmã Cândida e mais cinco mulheres que iniciaram esta aventura, confiadas unicamente em Jesus Cristo e na proteção da Virgem Imaculada. O objetivo da Congregação é promover a educação integral das crianças e dos jovens, em suas múltiplas formas, à luz dos valores humanos e cristãos, dando atenção especial aos pobres, pois como afirmava a Madre Cândida “onde não há lugar para meus pobres não há lugar para mim”.

A promoção social realizada pelas Filhas de Jesus se estende aos imigrantes, aos presidiários e suas famílias, à promoção da mulher, às crianças em situações de risco, aos enfermos, às famílias em dificuldades, aos indígenas e às minorias étnicas. Além das Irmãs, a Congregação conta com leigos e leigas que participam da mesma missão e da mesma espiritualidade.

Depois da Espanha, o Brasil é o país que conta com o maior número de Irmãs das Filhas de Jesus e de alunos em seus colégios.

Louvemos e agradeçamos a Deus pela canonização da Madre Cândida, modelo e exemplo de discípula e missionária de Jesus Cristo. Jesus no evangelho de hoje, que escutamos nos ensina que devemos ser humildes. Maria viveu este ensinamento de Jesus mais do que qualquer criatura: a minha alma exulta em Deus meu Salvador porque olhou para a humildade de sua serva. Caminhar na humildade, na simplicidade, reconhecendo nossas limitações, nossa dependência em relação aos outros, nossas faltas, confiando em Deus, sem desanimar, é o caminho para encontrar a paz em nosso coração. Não desejar coisas extraordinárias, nem buscar honrarias, nem poder, mas estar sempre disponível a realizar projeto de Deus para convosco.

Jesus nos deu o exemplo de humildade para que o sigamos: “Ele apesar de sua condição divina, não fez alarde de ser igual a Deus, mas esvaziou-se de si e tomou a condição de escravo, fazendo-se semelhante aos homens. E mostrando-se em figura humana, humilhou-se, tornou-se obediente até a morte, morte de cruz.”

Peçamos a Virgem Maria que nos ensine o caminho da santidade, Ela que soube unir o privilégio da maternidade divina a uma vida de humildade e de simplicidade.

Santa Cândida interceda por nós todos junto a Deus e nos inspire a buscar a santidade, que consiste em realizar em nossa vida a vontade de Deus.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mensagem ao Povo de Aparecida


Caros irmãos no episcopado, sacerdotes, religiosos, religiosas e devotos presentes no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.


De Roma, onde me encontro para participar da Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, que se iniciou hoje, domingo, com a Solene Celebração Eucarística na Basílica de São Pedro, presidida pelo Santo Padre Bento XVI e concelebrada por todos os padres sinodais, saúdo a todos os presentes neste Santuário e aos que participam da novena pelos Meios de Comunicação Social.

Durante a Celebração Eucarística, junto ao túmulo de São Pedro, rezei pelos fiéis da Arquidiocese de Aparecida, pela família CAMPANHA DOS DEVOTOS e por todo o povo brasileiro.

Nesta noite, 8º. Dia da Novena, saúdo fraternal e particularmente aos queridos missionários redentoristas representantes das 5 Províncias e das 4 Vice-Províncias do Brasil, que se encontram neste Santuário.

Agradeço a Deus pela benemérita presença dos Missionários Redentoristas, que há mais de 100 anos vem se dedicando ao atendimento pastoral dos milhões de romeiros que, anualmente, visitam o Santuário de Aparecida.

O Santuário é hoje um polo de evangelização para o Brasil, não só para os romeiros, mas também, para aqueles que são alcançados através dos meios de comunicação de que dispõe o Santuário Nacional.

Que fiéis ao carisma do fundador, Santo Afonso Maria de Ligório, os missionários redentoristas continuem a anunciar as riquezas da redenção a todos os que buscam a graça de Deus e “as glórias de Maria”, na casa da Senhora Aparecida.
"Sob o olhar da Senhora Aparecida, caminhamos com Jesus".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

05.10 Santa Maria, Rainha e Mãe da Misericórdia - Santuário Nacional




Durante a novena em louvor a Nossa Senhora Aparecida, o Santuário Nacional utiliza para a celebração eucarística, os textos das missas em memória de Nossa Senhora. Por isso, hoje, terceiro dia da novena, estamos celebrando a missa de Nossa Senhora, Rainha e Mãe de Misericórdia.

Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho: para realizar essa missão singular, ela foi concebida imaculada, o que significa que Maria foi preservada do pecado original desde sua concepção e ficou imune de todo pecado pessoal durante a sua vida terrena. Ela foi cumulada por Deus de toda graça. Ela é a cheia de graça como a saudou o Anjo Gabriel: “Ave cheia de graça”.

Maria tem um único filho, Jesus, mas a sua maternidade espiritual se estende a todos os homens que Jesus veio salvar. No calvário, Jesus pregado na cruz deu-nos Maria como mãe. João, o evangelista, ao pé da cruz representava todos nós. Foi a ele que Jesus disse, referindo-se a Maria: “Eis aí a sua Mãe”!

A Virgem Maria é venerada com muito amor por todo o povo cristão. Nós cristãos, não a adoramos, pois somente a Santíssima Trindade é objeto de nossa adoração.

Maria, nossa mãe zela com carinho por todos os seus filhos e filhas. A Ela podemos acudir a cada momento em nossas necessidades, certos de que Ela nos atende, nos socorre. Não há mãe que não ame os seus filhos, como não há filhos que não ame sua mãe. Deus é rico em misericórdia e Ele é a fonte de todo bem e de toda graça. Maria participa desta perfeição divina, na sua condição de Mãe de Jesus e nossa mãe.

No evangelho que escutamos sobre as bodas de Caná, João nos mostra Maria livrando da dificuldade e do constrangimento aqueles noivos preocupados pela falta de vinho. Ela se dirige a Jesus e lhe diz: “Eles não tem vinho.” Jesus transformou a água em vinho para a alegria dos noivos e dos convidados. Este evangelho nos mostra que sempre devemos ter uma confiança filial em Maria.

Maria é Rainha e Mãe de Misericórdia. Nunca devemos perder a confiança na sua bondade, na sua ajuda materna, pois Deus nada nega a sua Mãe.

Ela é descanso na luta diária, consolo no sofrimento, porto seguro nas tempestades, perdão para os pecadores, alívio na tristeza, socorro nas necessidades. “Sob a vossa proteção, ó Mãe de Deus, nós nos refugiamos; não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos hoje e sempre de todos os perigos”. Amém.

sábado, 2 de outubro de 2010

1º dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida


Iniciamos, hoje, aqui no Santuário Nacional, a solene novena em preparação para a Festa de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. Este dia 03 de outubro, adquire, neste ano, um significado especial pela importância das eleições realizadas, hoje, em todo o Brasil, para Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais.

Durante os próximos nove dias, os devotos de Nossa Senhora Aparecida presentes no Santuário e aquele que nos acompanharão em suas casas ou comunidades pelos meios de comunicação social são convidados a contemplar conosco a Virgem Maria como a perfeita seguidora de Jesus e a pedir-lhe que nos ensine e nos ajude a todos nós a caminhar, sob seu olhar, com seu Filho Jesus, até chegarmos à pátria celeste, onde ela intercede por nós e brilha como sinal de esperança segura e de consolação, aos nossos olhos de peregrinos (LG 68).

Durante esta novena queremos também pedir a Deus, por intercessão da Padroeira do Brasil, pelos eleitos neste primeiro turno das eleições e por aqueles que serão eleitos no segundo turno, para que exerçam o cargo para o qual foram ou serão eleitos, com justiça social e com uma visão ética, solidária e humanista.
O texto do evangelho de Lucas que acabamos de escutar narra o chamado dos primeiros discípulos: Pedro, André, Tiago e João. No barco de Pedro estava certamente seu irmão André, por isso ele não é mencionado explicitamente no texto de Lucas. A vocação destes primeiros colaboradores de Jesus aconteceu às margens do Lago de Genesaré, numa manhã quando os pescadores, após uma noite toda de trabalho, deixavam seus barcos na praia e lavavam suas redes.
Uma multidão se apertava em volta de Jesus para ouvir a palavra de Deus. Comprimido pelo povo, Jesus entrou no barco de Pedro e pediu-lhe que se afastasse um pouco da praia para que o povo pudesse escutá-lo. Pedro, cansado, não recusou o pedido de Jesus. Quando Jesus acabou de falar, fez mais um pedido a Pedro: “leve o barco para um lugar onde o lago é fundo. E então você e os seus companheiros joguem as redes para pescar”. Mesmo depois de ter trabalhado o noite toda sem apanhar nenhum peixe, Pedro se dispôs a fazer uma hora extra a pedido do Mestre; e sentiu-se recompensado, pois o resultado foi maravilhoso. Pescaram tamanha quantidade de peixe que as redes estavam se arrebentando. Então Pedro compreendeu que o sucesso da pesca dependeu do poder de Jesus e não de sua habilidade de pescador. Diante de Jesus Pedro reconheceu sua condição de pescador e quis manter-se distante Dele: “Afasta-te de mim, Senhor, pois sou um pecador”.
Mesmo pecador, Jesus precisa de Pedro e de seus companheiros para uma outra pesca, mais importante, de natureza diferente, e que será ainda mais miraculosa e que por isso necessitará ainda mais do auxílio divino: “não tenhas medo, disse Jesus a Pedro, de agora em diante serás pescador de homens”. Pedro e seus companheiros arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e seguiram Jesus.
Em outubro de 1717, muitos séculos depois, aconteceu também uma pesca, desta vez no rio Paraíba, no município de Guaratinguetá. Foi para celebrar a passagem pela cidade do Conde de Assumar, novo Governador das Capitanias de São Paulo e das Minas Gerais. Três pescadores receberam ordens de apanhar peixes no rio Paraíba para o banquete em homenagem ao ilustre visitante.

Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso após várias tentativas sem apanhar peixe algum, remaram em direção ao lugar chamado “Porto de Itaguaçu”, onde o rio faz uma ligeira curva. João Alves foi o primeiro a lançar a rede e apanhou surpreso o “corpo de uma Santa” , sem a cabeça. Mais surpreso e admirado ele ficou quando ao lançar a rede uma segunda vez apareceu entre as malhas de sua rede a cabeça da mesma “santa”. Os três pescadores sentiram naquele momento que o encontro da “santa” era um sinal especial da proteção divina. A “santa” era a imagem de Nossa Senhora da Conceição, invocada mais tarde com o nome de Nossa Senhora Aparecida por ter aparecido nas águas do rio Paraíba. Do nome da imagem, deriva o nome da cidade: Aparecida. A imagem foi levada com respeito e devoção a para a casa de Felipe Pedroso. Aí começou a devoção a Nossa Senhora Aparecida que se espalhou pelo Brasil afora.
Nada acontece por acaso; tudo é providência! O encontro inesperado da imagem da Senhora Aparecida, era o anúncio de uma outra pesca ainda mais milagrosa: a atração de milhões de romeiros que despertados por Nossa Senhora Aparecida seriam conduzidos a Jesus Cristo e, por meio d´Ele, à comunhão com a Trindade Santa e igualmente à comunhão com os irmãos. Quantos favores divinos alcançados em todo o Brasil, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida nestes quase três séculos, desde o encontro desta pequenina imagem em 1717! “O Senhor olhou para a humildade de sua serva”. “Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada!”
Como Jesus ordenou a Pedro que lançasse a rede em águas mais profundas; como os três pecadores cheios de confiança na proteção da Santa lançaram as redes ao rio, assim também, hoje, desde o Santuário Nacional, Nossa Senhora Aparecida, nos convida a lançar com confiança e coragem as redes ao mundo, em águas mais profundas, como nos pede o Documento da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, realizada junto ao Santuário Nacional, para tirar do anonimato os que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé (DA 265).

Fixemos nosso olhar em Maria e reconheçamos nela a perfeita discípula missionária de Jesus. O seu olhar nos desperta e nos exorta a caminhar com Jesus e a fazer o que Ele nos diz para que possa derramar sua vida nos povos da America Latina e do Caribe. Junto com Maria queremos estar atentos à escuta do Mestre e sob seu olhar materno, queremos assumir o mandato missionário de seu Filho: “vão por todo o mundo e façam discípulos todos os povos”. Não nos esqueçamos, porém, que o espírito missionário só pode surgir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo e, para isso, é necessário que o discípulo missionário se alimente do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia, centro da vida cristã. Que a Virgem Maria nos ensine a sair de nós mesmos, de nosso comodismo e nos desperte para o ardor missionário como fez Ela na visita a sua prima Isabel.

Virgem Mãe Aparecida, proteja a nós todos, nossas famílias e nossa Pátria! Faça de todos os seus filhos devotos, verdadeiros discípulos missionários de seu Filho, Jesus Cristo.

27º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


Estamos vivendo neste domingo um momento histórico na vida política de nosso País. Vamos eleger nossos governantes e legisladores para os próximos 4 anos. É uma grande responsabilidade que está nas nossas mãos e que devemos exercer com liberdade e consciência. Não basta eleger; é preciso também fiscalizar os eleitos para exigir deles políticas públicas em favor da vida desde o seu começo até o seu termo natural, políticas em favor do matrimônio e da família, da juventude, educação e saúde. Peçamos nesta celebração eucarística que Deus ilumine os eleitores na sua decisão e guie os que forem eleitos, para que, no exercício do seu mandato promovam o bem comum de nosso povo.

O evangelho de hoje nos convida a crescer na fé: “Senhor, dizem os apóstolos a Jesus, aumenta a nossa fé”! Cada domingo, nós cristãos, nos reunimos em comunidade para celebrar e fortalecer nossa fé. Alimentamo-nos com a Palavra de Deus que nos ilumina no nosso agir; recebemos o corpo e o sangue de Cristo para sustentar nossa fé e compartilhamos a mesma fé com nossos irmãos e irmãs e assim nos sentimos acompanhados e estimulados na nossa caminhada por aqueles que professam e vivem a mesma fé. Daí a necessidade de nós cristãos participarmos nas nossas comunidades da celebração da Eucaristia, cada domingo.

Para nós cristãos, a fé e a missa são inseparáveis. Quem se afasta da comunidade e da missa dominical vai se esfriando na sua vida de fé, até perdê-la completamente. A fé é dom de Deus, mas cabe ao homem, a nós, sustentados pela graça divina, aceitar a Deus e sua Verdade ou rejeitá-lo.

Vivemos numa sociedade que valoriza, acima de tudo, o material, o que se pode demonstrar, o prático. A fé, ao contrário, nos faz olhar para realidades que não se vêem, mas que esperamos, confiados nas palavras de Jesus. O que importa não é a quantidade de fé que temos, mas os seus efeitos, os frutos que ela produz em nossa vida pessoal, familiar, profissional, social. Nesta celebração agradeçamos a Deus o dom da fé e peçamos-lhe a graça de conservar e fazer crescer a fé recebida no batismo. Maria é para nós modelo de fé porque realizou em toda a sua vida a vontade de Deus e a sua fé não vacilou em nenhum momento, nem quando seu filho Jesus morreu na cruz.

Hoje, dia 03, começa a novena em preparação para a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Este ano, a novena será transmitida pela TV Aparecida e pela TV Canção Nova. Quero convidar você, presente no Santuário Nacional ou que nos acompanha pelos meios de comunicação, para participar conosco da novena, aqui, no Santuário ou em sua casa ou comunidade. “Sob o olhar da Senhora Aparecida caminhamos unidos a Jesus”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sob o olhar da Senhora Aparecida caminhamos com Jesus!


O mês de outubro é um mês muito especial para você, devoto de Nossa Senhora Aparecida, pois neste mês, no dia 12, celebramos sua festa. Cada ano, a festa é preparada com uma novena solene, piedosa, bela e muito participada. Neste ano, você está convidado a meditar e a rezar conosco sobre o tema: “Sob o olhar da Senhora Aparecida, caminhamos com Jesus”, seja com sua presença no Santuário, seja em sua casa ou comunidade através dos meios de comunicação.

A novena será transmitida desde o Santuário pelas Tvs Aparecida, Canção Nova e Século 21 e também pela Rádio Aparecida e Rede Católica de Rádio. É um belo exemplo de união das Tvs e rádios católicas neste momento forte de evangelização!

Maria pela sua fé e pela sua obediência à vontade do Pai, assim como, por sua constante meditação da Palavra de Deus e das ações de Jesus, é a mais perfeita discípula do Senhor. Isabel ao receber a visita de Maria, logo após a Anunciação, exaltou sua fé: “feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45).

Na Anunciação, a Virgem de Nazaré expressou sua total obediência à vontade de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Finalmente, Maria contemplava constantemente a Palavra de Deus e os mistérios da vida de Jesus: “ela conservava cuidadosamente estes acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2,19).

A Senhora Aparecida olha e vela com carinho por todos os seus filhos, e ao contemplarmos a sua imagem ela desperta em nós o desejo de nos tornarmos, a seu exemplo, cada vez mais, discípulos de seu Filho. Esta é a sua maior alegria. Na vida cristã, Maria não é o ponto final de chegada. Ao reunir os seus filhos, sob seu manto materno, Ela quer conduzi-los a Jesus Cristo e, através Dele, levá-los à comunhão com o Pai no Espírito Santo e igualmente à comunhão com os irmãos, até chegarmos à pátria celeste de onde ela intercede e “brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos nossos olhos de peregrinos sobre a terra”.

Quero convidar você a participar com muita devoção da novena em honra e louvor de Nossa Senhora Aparecida, pedindo a ela sua proteção por você, sua família e pelo Brasil que, neste mês, vive um momento importante de sua história política.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Festa da Exaltação da Santa Cruz - Comunidade Canção Nova


Esta festa surgiu em 355 por ocasião da inauguração das duas grandes basílicas em Jerusalém: A Basílica do Calvário e a do Santo Sepulcro. A construção destas duas basílicas foi ordenada pelo imperador Constantino.

O lenho da cruz descoberto por Santa Helena teve sempre um lugar especial na devoção do povo cristão. A festa de hoje celebra também o retorno da cruz a Jerusalém que tinha sido levada para a Pérsia. A cruz de Cristo é ponto de referência da nossa fé e de nossa esperança. Pela cruz, Cristo nos salvou e nos libertou. Ela simboliza o preço pago pela nossa salvação. Agradeçamos nesta celebração eucarística, renovação do sacrifício de Cristo, a entrega livre e por amor de Cristo, para a nossa salvação.

No diálogo de Jesus com Nicodemos, como escutamos no evangelho de hoje, Jesus compara a sua crucifixão com a serpente levantada sobre uma haste por Moisés, no deserto. Os israelitas mordidos pelas serpentes no deserto eram salvos ao olhar para ela. Assim, também “é necessário que o Filho do homem seja levantado para que todos os que Nele crerem tenham a vida eterna”. E Jesus pouco antes de sua paixão havia declarado: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim. E dizia isso indicando de que morte iria morrer”.

Jesus humilhou-se, tornou-se obediente até a morte de cruz, como afirma São Paulo na carta aos Filipenses, e por isso, Deus o exaltou e lhe deu um nome que é superior a todo nome.
O caminho da cruz se torna caminho de luz, de ressurreição: “Quem quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e venha comigo”.

No tempo de Jesus, a cruz consistiu numa haste vertical fixada no chão e uma trave horizontal que era carregada pelo condenado até o lugar do suplício. O condenado era preso sobre esta trave horizontal e depois levantado. Segundo alguns historiadores Jesus teria carregado esta trave horizontal até o monte Calvário, lugar de sua crucifixão. O discípulo de Cristo deve estar disposto a carregar a sua cruz, a sua trave em companhia de Jesus com a certeza da vitória final.

A cruz que era instrumento de suplício, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos, não obstante, seja um emblema tão infame, semelhante aos instrumentos utilizados hoje para os condenados à morte, tornou-se para nós cristãos motivo de glória. “Quanto a mim, escreve São Paulo aos Gálatas, Deus me livre de gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. O orgulho de Paulo está na cruz de Cristo, em sua morte e sacrifício por amor, em participar dela e pregá-la como único meio de salvação.

Salve, ó cruz bendita, sinal do amor maior. Foste e és para muitos motivo de escândalo. Para nós, cristãos, és memória da nossa redenção. Em ti fomos redimidos de todos os pecados, de todas as escravidões. Contemplando-te assumimos a missão de também entregar a vida, como fez Jesus, para que todos nele tenham vida. Chegaste a este solo, Terra de Santa Cruz, trazendo amor e esperança. Em ti vemos o sofrimento do Cristo e de todos os homens e mulheres do mundo. Dá-nos a graça de um dia, após nossa peregrinação terrestre, chegar à glória da ressurreição. Assim seja!

domingo, 12 de setembro de 2010

Homilia 24º Domingo do Tempo Comum - 12/09/2010


A mensagem da liturgia deste 24o. Domingo é a “alegria do perdão”.

Na 1a. leitura do livro do Êxodo vimos que Moisés conhecia o coração misericordioso de Deus e por isso implora o seu perdão para o povo infiel que pecou gravemente praticando a idolatria ao fabricar para si um bezerro de metal e se inclinar em adoração diante dele e lhe oferecer sacrifícios.

Deus se deixa convencer pela intercessão de Moisés e perdoa o seu povo. “E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado a fazer a seu povo”.

Mas, é sobretudo, nas duas parábolas, exclusivas do evangelho de Lucas, que Jesus retrata o rosto misericordioso do Pai. E, mais ainda, Jesus, ele próprio, é o rosto bondoso do Pai, que à semelhança do bom pastor, vai atrás da ovelha perdida até encontrá-la e ao encontrá-la a traz de volta aos ombros, ou como a mulher que festeja o encontro da moeda perdida.

Todos somos pecadores. Somos, de alguma maneira, um pouco idólatras como o povo de Israel que se esqueceu do verdadeiro Deus que o havia libertado da escravidão do Egito e o substituiu por um bezerro de metal.

Quantas vezes afastamo-nos de Deus, da Igreja, sob o pretexto de vivermos nossa liberdade, e nos tornamos escravos de falsos ídolos. Tornamo-nos escravos do dinheiro, do poder, do prazer...

Outras vezes, somos parecidos com aquela ovelha perdida que se desgarrou do rebanho, da comunidade, da família, para nos aventurar na busca da felicidade e da paz por outros caminhos, diferentes dos que aprendemos de nossos pais, da Igreja.

Deus é como o bom pastor, que em vez de punir a ovelha que se perdera e lhe causara tanto trabalho, vai a sua procura e quando a encontra, alegra-se, põe-na aos ombros e a traz de volta para a casa. Deus é como a mulher que ao encontrar a moeda perdida, em lugar de jogá-la fora, com raiva, chama as amigas para partilhar a alegria com elas, a alegria por ter achado a moeda que estava procurando.

Assim é o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo. A sua alegria, a sua glória está em perdoar e acolher o pecador, porque ele nos ama com amor de pai e de mãe.

Diante do amor infinito de Deus para conosco, devemos aprender também a perdoar os nossos irmãos. É o compromisso que fazemos ao rezar a oração do Pai Nosso: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

“Deus não aceita o sacrifício dos que provocam a desunião”, diz São Cipriano. Ele nos despede do altar para que primeiro se reconciliem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz.

Diante de tanta violência no mundo de hoje: seqüestros, assaltos, homicídios de tantos inocentes, injustiça social contra os mais abandonados, temos que proclamar em alta voz que o nosso Deus, o Deus dos cristãos é o Deus da ternura, da misericórdia, da bondade, do perdão.

E Deus continua com a sua misericórdia, entregando-se para a nossa salvação na Eucaristia, oferecendo-nos o seu perdão no sacramento da penitência e dando-nos a sua mãe, a Virgem Maria, como a Mãe da Misericórdia, como a nossa advogada, que está sempre intercedendo por nós para nos conduzir a Jesus, Caminho, Verdade e Vida.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

8 de setembro - Natividade de Nossa Senhora e aniversário da Rádio e TV Aparecida


Com grande alegria, celebramos hoje a festa de aniversário do nascimento de Nossa Senhora, aurora e esperança da salvação do mundo. Deus preparou o corpo e a alma de Maria em vista do nascimento de seu filho Jesus. Por isso, preservou-a do pecado original e a ornou com todas as graças. Maria é a Imaculada Conceição. Maria é para nós modelo de disponibilidade à realização do projeto de Deus para a salvação da humanidade. Seu “sim” ao chamado de Deus para ser a mãe do Salvador, mais do que uma simples palavra é um projeto de vida, início da nossa libertação. A Virgem Maria concebeu e dará à luz um filho que salvará o seu povo dos seus pecados. Ele será chamado Emanuel que significa: “Deus está conosco.”

Celebramos o nascimento de Maria por causa do nascimento de Cristo. “Aquele que nascerá em Belém quando uma mãe der à luz será o Senhor de Israel, o pacificador universal”, afirma o profeta Miqueias na primeira leitura.

São José aceita com fé e humildade colaborar com o plano de Deus para a salvação da humanidade e aceita receber a Virgem Maria como esposa, depois das palavras do Anjo.

Se todo aniversário natalício deve ser celebrado com muita alegria e gratidão, pois a vida é dom de Deus. Com maior razão devemos celebrar com alegria o nascimento da Virgem Maria: por ela nos veio o Sol de justiça, o Cristo nosso Deus.

Hoje, celebramos também, aqui, no Santuário Nacional, o 59º. aniversário da fundação da Rádio Aparecida. Felicito e louvo a todos aqueles que impulsionados por um grande zelo missionário de levar a boa nova do Evangelho, o amor, a paz, a defesa da vida, para além do recinto do Santuário, tiveram a audácia de criar a Rádio Aparecida há 59 anos e há 5, a TV Aparecida, ambas de alcance nacional e que já conquistaram audiência cativa e apreço no Brasil. Hoje não se pode pensar a Igreja sem rádio, internet, TV, imprensa. A Igreja tem grande responsabilidade diante de Deus, se ela não utilizar os modernos meios de comunicação a serviço do Evangelho. “O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia: o que vos é dito aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados.” (Mt 10,27). A mensagem de Jesus não pode ficar escondida, ao contrário, deve iluminar todos os povos.

Que Nossa Senhora Aparecida abençoe e proteja todos os membros da Família da Campanha dos Devotos e do Clube dos Sócios que mantém com sua generosa colaboração a ação evangelizadora da TV e da rádio Aparecida. Aos missionários redentoristas e aos leigos que se dedicam à missão evangelizadora através da rádio e TV Aparecida e de outros meios de comunicação, meus cumprimentos pelo trabalho que realizam para levar a Palavra de Deus e o amor por Nossa Senhora Aparecida às famílias de todo o Brasil.

Parabéns Rádio Aparecida! Parabéns TV Aparecida!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dia da Pátria - 23ª Romaria dos Trabalhadores e Grito dos Excluídos


Hoje, em todo o Brasil, comemora-se o Dia da Pátria – a independência do Brasil. Neste dia, há 23 anos, realiza-se neste Santuário Nacional, a Romaria dos Trabalhadores e, desde a algum tempo, acontece, aqui, e em outros lugares do Brasil, “O Grito dos Excluídos”, manifestação popular a favor de um Brasil com desenvolvimento econômico e justiça social.

“A economia deve ser orientada para a promoção humana, a procura do bem comum, o desenvolvimento integral, político, cultural e espiritual dos indivíduos, das famílias e da sociedade” (Bento XVI). A crise financeira que explodiu no final de 2008 e continua ainda a repercutir, até hoje em alguns países, colocou em evidência que o problema não é a falta de recursos econômicos e sim a gestão dos recursos que, hoje, são enormes, mas sem referência ética. O seu único princípio é que o dinheiro deve produzir mais dinheiro. É preciso unir verdade e caridade nas decisões e planos dos responsáveis do mundo das finanças.

Na primeira leitura que escutamos, Paulo recorda à comunidade do Corinto que, antes de se converterem a Cristo, alguns deles levavam uma vida moralmente má. Graças ao batismo que receberam e à força do Espírito Santo, foram purificados, lavados de seus pecados.

Entre os cristãos pode surgir, contudo, algum conflito interno: alguém pode se considerar injustiçado ou prejudicado por outro. Mas os cristãos não deveriam recorrer aos tribunais dos pagãos para resolver as discórdias entre eles. Os problemas internos entre os cristãos devem ser resolvidos na comunidade pelo diálogo, a correção fraterna, o perdão, como ensina Jesus no evangelho.

Desde que Cristo veio ao mundo, o amor é a medida de todas das coisas e aqueles que pertencem a Cristo pelo batismo, devem se inspirar no exemplo de Cristo para resolver discórdias e conflitos no interior da comunidade.

No evangelho, Lucas narra a escolha por Jesus dos doze apóstolos, seus colaboradores mais próximos. Entre eles, Pedro será estabelecido o chefe do grupo. Aos doze apóstolos, Jesus deu o poder e a autoridade de continuar sua missão evangelizadora e santificadora. “Ide por todo o mundo e fazei discípulos todos os povos”. Lucas sublinha que antes de tomar qualquer decisão importante, como a escolha dos doze, “Jesus foi a montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus”.

Hoje é o Dia da Pátria e estamos em pleno tempo da propaganda eleitoral, período que precede a eleição para Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados. Este é um momento oportuno e importante para nós brasileiros. Temos o poder em nossas mãos de decidir, livremente, secretamente, na cabine de votação, diante de Deus, da sociedade e da própria consciência, com o voto, qual o futuro, qual o rumo que queremos para o nosso país. Para isso, “temos o dever de escolher somente pessoas dignas e capazes de exercer cargos públicos e de excluir os candidatos que segundo nossa consciência, iluminada pela fé cristã, poderão vir a ser instrumentos que violem a lei de Deus.”

Rezemos para que Deus por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, ilumine e proteja nossos governantes, nossas famílias, o povo brasileiro!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Bíblia, Palavra de Deus escrita


No Brasil, a Igreja dedica o último domingo do mês de setembro ao Dia da Bíblia. A Bíblia para nós cristãos é a Palavra de Deus contida nos livros sagrados, escritos sob a inspiração do Espírito Santo. A Bíblia contém tudo aquilo que Deus quis nos comunicar em relação a nossa salvação. Jesus é o centro e o coração da Bíblia. Em Jesus se cumprem todas as promessas feitas no Antigo Testamento para o Povo de Deus. Toda leitura da Sagrada Escritura deve levar-nos ao encontro pessoal com Jesus Cristo, a amá-lo, imitá-lo e testemunhá-lo em nossa vida.

“Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Se queremos ser discípulos e missionários de Jesus Cristo é indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus. É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida cristã na rocha da Palavra de Deus” (DA 247).
Ao celebrar o Dia da Bíblia no último domingo de setembro, a Igreja nos convida todos nós a conhecer mais a fundo a Palavra de Deus, a amá-la, cada vez mais, e a fazer dela, cada dia, uma leitura meditada e rezada.

O mundo de hoje é marcado pelo individualismo e pelo relativismo ético, por incertezas e divergências diante de tantas opiniões sobre temas fundamentais, como a vida, a verdade, a família... É necessário deixar-se guiar pela Palavra de Deus interpretada pelo Magistério da Igreja, pois é na leitura assídua da Escritura, como afirma São Paulo, na segunda carta a Timóteo, que o homem de Deus alimenta sua fé, seu zelo missionário e seu reto agir.

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra” (2 Tm 3,16-17), ou como afirma o salmista “a lâmpada para os meus passos é tua palavra e luz para o meu caminho” (Sl 119,105).

Setembro é no hemisfério sul o mês da primavera, estação na qual a natureza recobra vida nova, dinamismo novo. Tudo parece rejuvenescer neste tempo. E o Papa Bento XVI diz que o rejuvenescimento da Igreja deve partir da redescoberta da Palavra de Deus e que este rejuvenescimento deve ser como uma “nova primavera” , portadora de redobrado dinamismo para a missão evangelizadora e a promoção humana.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Homilia - 22º Domingo do Tempo Comum - Santuário Nacional


Nos últimos domingos a Palavra de Deus nos convidava a viver de acordo com a esperança de poder participar da glória eterna que nos foi prometida. Diante desta esperança devemos perguntar-nos: qual deve ser nosso comportamento no dia-a-dia?

As leituras de hoje nos apontam o caminho: ser humildes e simples: fazer de nossa vida um serviço; ser abertos a todos; particularmente aos mais necessitados.

A antiga sabedoria do povo de Israel recomendava com freqüência a prática da humildade: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e humildade e serás mais estimado que um homem generoso”, diz-nos hoje o trecho do livro do Eclesiástico. Somente a pessoa humilde é capaz de acolher a Deus e as demais pessoas. Ser humilde é uma questão de realismo e de fé. A raiz da palavra humildade vem de humus, que em latim, significa terra, barro. É ter presente nossa condição de criaturas. Não é desprezar a si mesmo, mas reconhecer nossos limites e não se supervalorizar diante de Deus, nem diante do outro, nem diante de si mesmo.

O Evangelho de hoje nos fala que Jesus foi convidado por um dos chefes dos fariseus para uma refeição num dia de Sábado.

Sabemos que o banquete celebrado no dia de sábado era um símbolo do Reino celeste. Quem quiser entrar no Reino de Deus deve fazer-se pequeno a exemplo do próprio Cristo que “sendo Deus não usou do seu direito de ser tratado como um deus, mas se desprezou, tomando a forma de escravo. Tornando-se semelhante aos homens, e reconhecido em seu aspecto como um homem, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 12, 6-8).

Se a humildade nos faz reconhecer nossa condição de criatura, o serviço nos faz estar atentos às necessidades dos outros. “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos ricos, pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa” (Lc 14,12).

É claro que Jesus não quer dizer que devemos ser grosseiros, deseducados, ingratos. O que Jesus quer nos dizer é que devemos ser generosos, “que há mais alegria em dar do que em receber”. E quanta gente boa, maravilhosa em nosso meio, em nossas comunidades! Pessoas que estão sempre dispostas a ajudar, a colaborar. Há também aquelas que não são capazes de mover um dedo se for não para tirar algum proveito, senão for por algum interesse próprio.

Estamos num momento importante da história política do país, o momento da eleição para Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Estaduais e Federais. É hora de discernir bem entre os que buscam seus próprios interesses que usam a propaganda para se promover, para seduzir o eleitor e aqueles que têm um passado de comprovado serviço em favor do bem comum, em particular, dos mais necessitados.

Finalmente, o evangelho nos diz que “quando deres uma festa, convida os pobres. Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,13-14). O Papa João Paulo II nos diz que hoje se faz necessária “uma nova fantasia da caridade”. É preciso descobrir ao nosso redor as pessoas que necessitam de uma palavra de conforto, de apoio, de uma atenção, de um caminho. Isso não rende dinheiro, nem fama aqui na terra, mas “a recompensa na ressurreição dos justos”. Maria é a humilde serva do Senhor que se colocou à disposição de Deus e da humanidade para a realização do plano divino de salvação.

Que a seu exemplo, nós sejamos também solidários com nossos irmãos e coloquemos nossos dons a serviço da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Homilia 21º Domingo do Tempo Comum - Abertura da Semana Vocacional no Santuário

O tema da primeira leitura e do evangelho deste domingo é a salvação, a saber, a realização do fim último para o qual fomos criados: conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e gozar de sua presença na eternidade. A salvação anunciada pelo profeta Isaías é universal, destinada a todos os povos, “virei para reunir todos os povos e línguas; eles virão e verão a minha glória”. É do povo eleito, do povo de Israel, contudo, que parte o anúncio dessa glória para todos os povos: “enviarei mensagens para as terras distantes e para aquelas que ainda não ouviram falar em mim e não viram minha glória”.

Deus escolherá também entre os pagãos alguns para serem sacerdotes e levitas, abolindo dessa maneira o privilégio exclusivo do povo de Israel.

O refrão do salmo responsorial que cantamos após a primeira leitura, proclama que o evangelho deve ser anunciado a toda criatura.

O Documento final da V Conferência de Aparecida convida todos os batizados a se tornarem discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos Nele tenham vida. Para isso, é necessário conhecer Jesus Cristo, sua mensagem, suas obras e fazer Dele o guia de nossa vida para poder levar a boa nova do evangelho às pessoas mais distantes ou que se afastaram da vida de nossos comunidades eclesiais.

Somente quem está enamorado de Cristo, é capaz de anunciá-Lo aos outros, como Caminho, Verdade e Vida.

Entre o povo judeu, na época de Jesus, havia uma preocupação com o número dos que haveriam de se salvar. Por isso, a pergunta dos discípulos a Jesus, no evangelho de hoje: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Alguns pensavam que somente o povo de Israel é que participaria da vida eterna; para outros, somente os que observavam a lei é que se salvariam. Jesus rompe esse esquema que reduzia a salvação a um número de pessoa que pertencia um determinado grupo religioso e mostra que o importante é “ser fiel na busca do reino e fazer a vontade de Deus.”

A imagem da “porta estreita” de que nos fala Jesus, alude, certamente, às muralhas que cercavam as cidades antigas para protegê-las contra os ataques dos inimigos. Para entrar na cidade havia uma porta larga por onde passavam as pessoas, os animais, carros de guerra. No tempo de guerra, essa porta era fechada e só ficava uma porta aberta, bem estreita e por onde podia passar somente uma pessoa.

À pergunta dos discípulos, Jesus não responde se serão poucos ou muitos os que se salvarão, mas convida a todos a corresponder ao amor de Deus. “Fazei todo o esforço possível para entrar pela porta estreita”.

Com essa parábola, Jesus quer nos dizer que Deus quer a salvação de todos os homens, mas ela não se realiza de maneira mecânica, automática sem a vontade e a participação de cada um. Não basta ser batizado. O batismo não é um seguro de vida contra qualquer risco. É necessário esforçar-se para fazer o bem, praticar os mandamentos e conformar nossa vida com o Caminho que é o próprio Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida e procurar viver uma vida coerente com a nossa fé.

Deus não nos obriga a nada. Ele nos oferece a salvação, como um dom e nos convida a aceitá-la, como um dom mas não a impõe a ninguém. “Deus nos criou sem nós, mas não nos salvará sem nós”, disse Santo Agostinho. A parábola de Jesus é uma advertência não só para os judeus da época de Jesus, mas também, para nós hoje que vivemos numa sociedade marcada pela superficialidade, pelo relativismo, pela violência, pela falta de coerência e de fidelidade aos compromissos assumidos.

Estamos no mês vocacional e neste mês, o Santuário Nacional com a Arquidiocese de Aparecida promovem cada ano uma semana vocacional que tem como objetivo despertar a consciência de que todos somos vocacionados.

Deus chama a todos para uma vocação, para uma missão na Igreja, na sociedade, seja para o sacerdócio ordenado, para a vida religiosa, para o matrimônio. O leigo ao receber o batismo também é chamado a atuar com seu testemunho e sua ação na Igreja e na sociedade. Nesta semana queremos intensificar a oração em nossas comunidades pelas vocações, pois se a vocação é dom de Deus, então é necessário pedir ao Senhor da messe que não falte operários para trabalhar na vinha do Senhor.

Que Maria, a Virgem fiel nos ajude a permanecer firmes na fé que abraçamos no batismo e a testemunhá-la com alegria e coragem até o fim de nossa vida.

domingo, 15 de agosto de 2010

Homilia - Festa da Assunção de Nossa Senhora


Hoje, Domingo, 15 de agosto, celebramos a glorificação de nossa Mãe, Maria Santíssima, mãe de toda a Igreja, porque é mãe de Jesus Cristo. Celebrar a Assunção de Maria é celebrar a sua passagem desta vida terrena à vida plena de ressurreição.

Era lógico que Jesus Cristo, Deus e Homem, terminasse sua presença física na terra vencendo a morte e ressuscitasse como “o primeiro de todos os que morreram”, conforme afirmação de São Paulo.

Maria, ao contrário, era totalmente deste mundo e igual a nós. Deus, porém, a chamou dentre todas as criaturas humanas para ser a mãe de seu Filho Jesus e em virtude dessa vocação Maria foi preservada de todo pecado, coroada de toda graça e mais do o que ninguém participou de maneira especial na obra redentora de seu filho.

É por isso que Maria, na frente de todos que são de Cristo, por um privilégio especial, já vive na glória do Reino, em corpo e alma, unida à vida nova do seu filho ressuscitado, conforme rezamos no prefácio da missa deste dia: “Hoje, a Virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Pois, Deus preservou da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável seu Filho feito Homem, autor de toda vida”.

Este acontecimento não está narrado nos evangelhos, mas traduz a fé do povo cristão que já nos primeiros séculos celebrava este evento baseado no fato de que aquela que Deus escolhera e preparava para ser a sua mãe - a cheia de graça – a toda santa – deveria também ser elevada aos céus em corpo e alma.

No evangelho de hoje, Isabel recebe a visita de Maria, sua prima, e a acolhe como a Mãe do Salvador: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Isabel completa assim a primeira “Ave Maria”, iniciada pelo anjo Gabriel, seguida por milhões de outras “Ave-marias”, rezadas até hoje.

Isabel exalta a fé da Virgem de Nazaré: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.”

Maria responde a saudação de Isabel com o Magnificat, um canto de felicidade, de agradecimento e louvor por Deus Ter olhado para a humildade de sua serva e realizado grandes coisas em seu favor. O Magnificat é todo ele uma recordação das intervenções de Deus na história de salvação. A festa de hoje é, sobretudo, uma festa de admiração, de louvor, de alegria, e de esperança ao contemplar as maravilhas feitas por Deus em Maria. Em meio as provações desta terra, a Igreja volta seus olhos para Maria como para uma luz que aponta para o horizonte: Maria já brilha como um sinal de esperança segura e de consolação para o Povo de Deus peregrino na terra. Ela é a imagem perfeita da Igreja futura, aurora da Igreja triunfante.

A Virgem Maria, que já alcançou a meta para a qual tendemos todos nós, garante-nos que a morte não é a última palavra, mas passagem para a vida, para a bem-aventurança eterna para aqueles que se empenham neste mundo em favor da vida, da justiça, da verdade e se esforçam por orientar a sua vida conforme os ensinamentos de Cristo, de acordo com o pedido de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Celebremos a eucaristia cheios de fé e de esperança e fortalecidos com a palavra de Deus e o corpo de Cristo, saiamos daqui dispostos a seguir fielmente o exemplo de Maria, modelo de todo discípulo de Cristo.

Peçamos também por todas aquelas e aqueles que a exemplo de Maria deram seu sim a Deus na vida consagrada, colocando-se no seguimento do Cristo obediente, pobre, casto, a fim de que sejam testemunhas de santidade no mundo de hoje e despertem em muitos jovens o ideal da vocação para a vida religiosa e para o sacerdócio ministerial.

Homilia - Romaria dos Arautos do Evangelho


Saúdo os Arautos do Evangelho em romaria ao Santuário Nacional neste sábado, dia da semana dedicado, tradicionalmente, a Nossa Senhora. Arautos do Evangelho é uma Associação Internacional Privada de Fiéis de Direito Pontifício e seu fundador é o Mons. João Clá Dias. Sua espiritualidade está alicerçada na Eucaristia, na devoção a Maria e ao Papa.

A Igreja celebra, hoje, a memória de São Maximiliano Kolbe, sacerdote franciscano conventual que recebeu no batismo o nome de Raimundo Kolbe. Foi grande devoto da Imaculada Conceição. Foi preso pela Gestapo, polícia secreta do regime nazista e deportado para o campo de concentração de Auschvitz, na Polônia. No campo de concentração ofereceu-se como voluntário para substituir um pai de família que tinha sido condenado a morte com mais nove prisioneiros, após uma frustrada tentativa de fuga. Jogado na chamada “cela da fome” o

Frei Maximiliano morreu de inanição junto com os nove prisioneiros, no dia 14 de agosto de 1941. O pai de família que foi salvo por ele, assistiu a sua canonização, em Roma, em outubro de 1982, pelo Papa João Paulo II.
O evangelho que acabamos de escutar nos mostra Jesus acolhedor de todas as pessoas, especialmente, das crianças que são simples, transparentes, sem as complicações de gente grande.

A atitude acolhedora de Jesus para com as crianças era algo totalmente novo, pois no tempo de Jesus um Rabi, um Mestre de Lei não dava atenção a uma criança. Um Rabi conversava com pessoas adultas e preparadas intelectualmente. No evangelho de Marcos, esta mentalidade é confirmada quando ele afirma que os discípulos repreendiam as crianças trazidas pelas mães até Jesus. Jesus, ao contrário da mentalidade da época, acolhia as crianças com ternura, colocava as mãos sobre as crianças, rezava por elas e chegou a apresentá-las como modelo para entrar no Reino dos céus.

Elas são modelo por sua capacidade de aceitar com simplicidade, sem preconceitos, a mensagem do evangelho; modelo de confiança nos pais; de humildade, de sobriedade, pois contentam-se com o pouco. A atitude de Jesus no evangelho de hoje deve nos levar a respeitar as crianças, defendê-las contra qualquer abuso sexual, a pornografia e o trabalho infantil e contra qualquer forma de violência. Elas tem o direito a uma atenção especial da Igreja, da família, do Estado.

Felicitamos todas as instituições que se dedicam ao bem-estar de nossas crianças e todas as pessoas que apóiam e contribuem voluntariamente com iniciativas a serviço da infância do nosso Brasil.
Estamos celebrando no Brasil a Semana da Família que tem como tema neste ano: “A Família formadora dos valores humanos e cristãos.” É fundamental que os pais procurem educar os filhos para os verdadeiros valores que deverão orientá-los na vida quando adultos. É dever dos pais, educar as crianças na fé, e no que se refere a afetividade e sexualidade humana.

Que Nossa Senhora Aparecida “proteja nossas crianças, esperança e riqueza de nosso país e as defenda das armadilhas que atentam contra a inocência e contra suas legítimas esperanças”. (Bento XVI).

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dia dos Pais - Início da Semana da Família


A liturgia deste 19º. domingo do tempo comum, convida-nos a abandonarmo-nos nas mãos de Deus nosso Pai e a esperar confiantes e atentos a vinda do Senhor Jesus.

O livro da Sabedoria oferece-nos uma meditação sobre a saída do povo de Israel do Egito. O povo que esperava a libertação estava vigilante naquela noite em que o Senhor Deus passou. Naquela noite da libertação, o povo judeu celebrou a primeira Páscoa, comendo o cordeiro pascal, cantando salmos de louvores ao Deus libertador, expressando, assim, o agradecimento a Deus e o compromisso de obedecer a Lei de Deus que representava o dom da liberdade para Israel e a luz e a vida para todos os povos.

A Carta aos Hebreus que será ainda lida nos próximos quatro domingos, nos fala, hoje, da fé e nos dá uma definição da mesma: a fé é pregustar o que seremos, é possuir já agora o que ainda se espera, é a certeza acerca de realidades que não se vêem.

O autor da Carta apresenta-nos dois modelos de fé obediente e confiante: a fé dos pais da promessa, Abraão e Sara, que já gozam da Jerusalém celeste, a cidade que esperavam. Abraão obedeceu a ordem de Deus e “partiu sem saber para onde ia”, e Sara, sua esposa, mulher estéril, “que se tornou capaz de ter filhos, porque acreditou no autor da promessa”.

A exemplos dos antepassados que caminharam na fé, somos chamados também, hoje, a peregrinar, procurando construir um mundo mais humano, justo, solidário que seja sinal, desde agora, da pátria verdadeira que esperamos.

A fé é dom de Deus e tarefa nossa. Ela nos é dada na família cristã, na comunidade através do testemunho de pessoas cristãs que vivem, no seu ambiente social, a fé que professam.

É necessário, porém, cultivar a nossa fé com a meditação da Palavra de Deus, a oração pessoal e comunitária, a participação na missa dominical, nos sacramentos e a vivência da fé, pois, a fé “cresce ou morre”.

A fé é como um transplante que nos dá olhos novos, os olhos de Jesus Cristo que nos faz ver com um sentido novo tudo que acontece na nossa vida: a alegria e a dor, a morte e a vida, o dinheiro, os fracassos, o trabalho, o sucesso e a humilhação.

No evangelho de hoje, escutado com os olhos da fé, podemos destacar quatro atitudes que devemos cultivar, como discípulos de Cristo: a confiança em Deus que nos ajuda a caminhar na vida apesar das dificuldades. “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino”.

O desprendimento das coisas materiais, para viver a generosidade com os outros. “Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe, onde o ladrão não chega, nem a traça corrói”.

A vigilância ante a segunda vida de Jesus Cristo: “Ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos pensardes.”

Ao felicitar os pais pelo seu dia, recordo-lhes o que diz o Documento final da V Conferência de Aparecida: “o pai tem o dever de ser verdadeiramente pai que exerce sua indispensável responsabilidade e colaboração na educação de seus filhos.” Sua atuação é insubstituível para o desenvolvimento da inteligência, do julgamento, da afetividade, da convivência e da vida religiosa dos filhos.

Hoje começa a Semana da Família que, neste ano, tem como tema de estudo e reflexão: “A Família formadora de valores humanos e cristãos”

Que a Eucaristia que hoje celebramos nos fortaleça e a Virgem Maria, modelo de fé, nos acompanhe em nossa caminhada rumo a bem-aventurança eterna.